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O profetismo no antigo oriente médio e no antigo israel

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O propósito deste artigo é comparar algumas figuras proféticas do Antigo Oriente Médio e/ou suas profecias com o profetismo existente no Antigo Testamento, sobretudo, em Israel. Ao final do artigo, verificar-se-á quais são as principais semelhanças e diferenças entre estes dois grupos.

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O profetismo no antigo oriente médio e no antigo israel

  1. 1. d KW K D / ARTIGO TEOLÓGICO 1 O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel por Carlos Augusto VailattiRESUMO O propósito deste artigo é comparar algumas figuras proféticas do AntigoOriente Médio e/ou suas profecias com o profetismo existente no Antigo Testamento,sobretudo, em Israel. Ao final do artigo, verificar-se-á quais são as principaissemelhanças e diferenças entre estes dois grupos.Palavras-Chave: Antigo Oriente Médio, Profetismo, Israel, Antigo Testamento.RESUMEN El propósito de este artículo es comparar algunas figuras proféticas del AntiguoOriente Medio y/o sus profecías con el profetismo en el Antiguo Testamento,especialmente en Israel. Al final del artículo, se comprobará que son las principalessimilitudes y diferencias entre estos dos grupos.Palabras Clave: Antiguo Oriente Medio, Profetismo, Israel, Antiguo Testamento.ABSTRACT The purpose of this paper is to compare some prophetic figures of the AncientNear East and/or their prophecies with the prophetism in the Old Testament, especiallyin Israel. At the end of the article, check will be what are the main similarities anddifferences between these two groups.Keywords: Ancient Near East, Prophetism, Israel, Old Testament.1 Este artigo foi apresentado originalmente como trabalho em 10/2009 para a Escola Superior de Teologia(EST) para efeito de Integralização de créditos do Curso de Graduação em Teologia.
  2. 2. d KW K D /ÍNDICEINTRODUÇÃO 3I – O Profetismo nas Várias Religiões e Culturas do Antigo Oriente Médio 4 a) Profetismo nas Cartas de Mari 4 b) Profetismo Hitita 7 © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011 c) Profetismo no Período Neo-Assírio 8 d) Profetismo Siro-Palestinense 9 e) Profetismo no Egito 10 f) Conclusão 10II – O Profetismo no Antigo Testamento 12 a) Definindo o Termo “Profeta” 12 b) O Profetismo Multifacetado de Israel 13 c) O Autoconhecimento dos Profetas 16 d) O Profeta como Mensageiro 17 e) Conclusão 17CONCLUSÃO 19BIBLIOGRAFIA 21 W
  3. 3. d KW K D /INTRODUÇÃO Ao falar sobre Os Profetas do Antigo Testamento devemos ter em mente, antesde tudo, que estamos diante de um assunto bastante complexo, uma vez que no períodoveterotestamentário havia muitos tipos de profetas, os quais atuavam das mais variadasformas. Algumas vezes os profetas agiam de forma isolada e, outras vezes, atuavam emgrupo, ora em casa, ora em um palácio, às vezes ao longo do caminho e, às vezes, nos © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011santuários.2 Seja como for, a característica multifacetada da atuação profética, devido àsua abrangência inerente, exige que delimitemos sobremaneira o nosso campo deestudo. Sendo assim, a minha proposta ao escrever este texto será seguir um roteiro deestudo previamente determinado. Iniciarei a minha abordagem tratando de algumas das figuras proféticas e/ou desuas profecias, as quais podem ser encontradas em vários contextos religiosos eculturais do Antigo Oriente Médio. Como a nossa intenção não é aprofundar no assunto,mas apenas realizar um trabalho de caráter mais introdutório, portanto, me limitarei afornecer apenas cinco exemplos que contemplem tais tipos de figuras proféticas e/ousuas profecias. Em seguida, buscarei falar sobre o profetismo existente no Antigo Testamento,mais particularmente, no Antigo Israel. Nesse item, me limitarei a falar apenas sobrealgumas das principais características do profeta israelita. Ao término desse breve estudo, verificaremos se as figuras proféticas do AntigoOriente Médio possuem algumas possíveis semelhanças com os profetasveterotestamentários e, caso positivo, veremos em que consistem tais semelhanças. De forma geral, o presente texto tem como objetivo principal tratar de algunsdos aspectos básicos referentes à figura dos profetas tanto extra-bíblicos quantobíblicos. Sendo assim, vejamos então o que nos reserva a leitura de O Profetismo noAntigo Oriente Médio e no Antigo Israel. ROWLEY, H. H. A Fé em Israel. [Tradução de Alexandre Macintyre]. São Paulo, Editora Teológica,2003, pp.204, 205. W
  4. 4. d KW K D /I – O Profetismo nas Várias Religiões e Culturas do Antigo Oriente Médio Quando estudamos o profetismo, temos que ter em mente que não estamosdiante de um fenômeno exclusivamente hebraico. Embora o profetismo hebraico tenha,sem dúvida alguma, alguns aspectos bem peculiares, todavia, esse fenômeno tambémencontra certos paralelos em outras culturas e religiões do Antigo Oriente Médio.3 De acordo com Georg Fohrer, havia duas formas de profecia no Antigo Oriente © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011Médio, as quais, por sua vez, correspondiam a dois tipos de cenário religioso: a religiãonômade e a religião da área cultivada. Enquanto que, na religião nômade, os “homensde Deus” ou “pessoas inspiradas” devem ter surgido provavelmente como videntes entreos nômades, os quais proclamavam as instituições divinas baseados em sonhos epressentimentos, a religião da fertilidade, entretanto, que tinha relação com a vegetaçãoe com os cultos da fertilidade, envolvia “profetas extáticos” os quais se encontravam emsantuários ou em cortes reais.4 Embora estas informações nos sejam bastante úteis, elas são, todavia, por demaisvagas. Sendo assim, se quisermos comprovar o fato de que o profetismo não era “filhoúnico” da religião e cultura hebraicas, mas possuía “outros irmãos” (guardadas asdevidas proporções) também em outras culturas e religiões, então, teremos queaprofundar mais a nossa pesquisa nesta direção. É o que buscaremos fazer a seguir. a) Profetismo nas Cartas de Mari Comecemos pelas Cartas de Mari (datadas do século XVIII a.C.). Mari é onome da antiga cidade do médio Eufrates, na qual foram descobertas no século XX,dentre outras coisas, cerca de vinte mil tabuinhas dos arquivos reais, contendo textosreais, jurídicos, econômicos e religiosos que permitem reconstruir amplamente a suavida e sociedade.5 Dentre as várias tabuinhas encontradas, nos interessamparticularmente aquelas que foram endereçadas ao último rei de Mari, Zimri-Lim (1790-1761 a.C.), as quais contêm oráculos que possuem certas semelhanças com as Cf. CERESKO, Anthony R. Introdução ao Antigo Testamento numa perspectiva libertadora. [Traduçãode José Raimundo Vidigal]. São Paulo, Paulus, 1996, p.177; HOMBURG, Klaus. Introdução ao AntigoTestamento. [Tradução de Geraldo Korndörfer]. São Leopoldo, Sinodal, 1981, p.135; SCHMIDT, WernerH. A Fé do Antigo Testamento. [Tradução de Vilmar Schneider]. São Leopoldo, Sinodal, 2004, p.331. FOHRER, Georg. História da Religião de Israel. [Tradução de Josué Xavier]. São Paulo, Ed. AcademiaCristã/Paulus, 2006, pp.290,291. MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. [Tradução de Álvaro Cunha et alii.]. São Paulo, Paulus, 1983,p.585. W
  5. 5. d KW K D /expressões dos profetas veterotestamentários em suas fórmulas introdutórias, bemcomo, em sua forma e estilo.6 O fato de haver uma literatura de considerável extensãosobre a relação entre a “profecia de Mari” e os “profetas da Bíblia Hebraica” nos mostraa tamanha importância desse assunto para os estudos bíblicos.7 No que diz respeito às figuras proféticas de Mari, estas podem ser divididas emdois grupos: as pessoas portadoras de títulos especiais (ocupavam uma posição © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011proeminente na sociedade) e as que não possuem nenhum título específico(desempenhavam um papel mais periférico e secundário na sociedade).8 Em se tratando do primeiro grupo, eis os principais títulos das figuras proféticasde Mari: • Os apilu/apiltu. Ao que tudo indica, os títulos apilu (masculino) e apiltu (feminino) são formas participiais do verbo apalu, “responder”. Desta forma, o significado “aquele que responde” pode estar se referindo ao fato de que os apilus respondiam às perguntas feitas à divindade quando estavam possuídos por ela.9 • O muhhu/muhhutu. Quanto aos títulos muhhu (masculino) e muhhutu (feminino), tais designações são dadas a várias pessoas de Mari. A palavra muhhu é derivada do verbo mahu, “entrar em transe”, o que significa que o mahu era alguém em transe ou extático. Há indícios de que este indivíduo era violento e, às vezes, incontrolado quando possuído pela divindade.10 MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico, p. 742. Cf. também: CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia deBíblia, Teologia e Filosofia. Vol.4. [M-O]. São Paulo, Editora Hagnos, 2001, pp. 132,133. Uma relação contendo algumas das obras mais importantes sobre o assunto pode ser encontrada em:BARSTAD, Hans M. No Prophets? Recent Development in Biblical Prophetic Research and AncientNear Eastern Prophecy. Journal for the Study of the Old Testament (JSOT), Nº57, 1993, p.49. WILSON, Robert R. Profecia e Sociedade no Antigo Israel. [Tradução de João Rezende Costa]. SãoPaulo, Targumim/Paulus, 2006, p.129. Idem, Ibidem, pp.129,130. Hoffner lembra que os termos apilu (“respondente”) e mahhu (“profetaextático”), dentre outros, eram vocábulos que se referiam a indivíduos que habitualmente recebiam etransmitiam mensagens divinas. (Cf. HOFFNER, Jr., Harry A. Ancient Views of Prophecy andFulfillment: Mesopotamia and Asia Minor. Journal of the Evangelical Theological Society (JETS), 30/3,1987, p.262). WILSON, Robert R. Op.Cit., p.133. De acordo com Fohrer, “o apilum ou muhhum corresponde aonabi”. (Cf. FOHRER, Georg. História da Religião de Israel, p.295). Para maiores informações sobre os“profetas extáticos” nos primórdios de Israel, consulte: LEVISON, John R. Profecy in Ancient Israel: TheCase of the Ecstatic Elders. The Catholic Biblical Quarterly (CBQ), Nº 65, 2003, pp.503-521. W
  6. 6. d KW K D / • O assinnu. No que se refere ao título assinnu, o termo tem recebido os mais variados significados, tais como: eunuco, homossexual, travesti, prostituto cultual masculino ou pederasta. Contudo, segundo a opinião de alguns eruditos, o assinnu era somente um ator que interpretava um papel feminino em dramas cultuais. Tal significado pode ser resultante do fato de que, na Epopéia de Era, a divindade feminina Ishtar, ao possuir o assinnu em um © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011 ritual cultual, provocava-lhe certos trejeitos femininos.11 • O qabbatum. O título qabbatum refere-se a um “locutor”. Em uma das tabuinhas de Mari, este indivíduo fala em nome do deus Dagan de Terqa e avisa ao rei Zimri-Lim sobre os atos enganosos do regente chamado Esnnuna. Ao que parece, o qabbatum desempenhava um papel mais periférico no culto.12 Já no que concerne ao segundo grupo de figuras proféticas de Mari, havia trezedos emissores de oráculos os quais não traziam nenhum título em especial relacionadoàs suas funções revelatórias. Ao emitirem seus oráculos, tais indivíduos parecem não terexibido nenhum tipo de comportamento estereotipado. Dessas treze figuras proféticas,oito eram mulheres, as quais devem ter exercido menor influência social e religiosa nasociedade patriarcal de Mari.13 De forma geral, tanto o conteúdo da mensagem como amaneira como o governo reagiu a este último grupo indicam que eram figuras de menorrepresentatividade na instituição religiosa de Mari.14 De qualquer forma, não poderíamos concluir este item sem mencionar antes umextrato de um oráculo de Mari, o qual mostra que os extáticos receberam certasinstruções da divindade Dagan num sonho. Percebe-se no extrato que o sonho e a visãosão vistos como sendo a mesma coisa. Além disso, chama também a atenção o fato deque o teor do oráculo diz respeito a um contexto de guerra: WILSON, Robert R. Profecia e Sociedade no Antigo Israel, pp. 136,137. Idem, Ibidem, pp.138,139. Apesar da escassez de informações sobre o papel da mulher como profetisa na Bíblia Hebraica,Rabanus Maurus, um abade beneditino que viveu aproximadamente entre 780 a 856 d.C. na Alemanha, jáchamava a atenção para a importância do papel profético de Débora em seu comentário ao livro de Juízes.(Cf. MAYESKI, Marie Anne. “Let Women Not Despair”: Rabanus Maurus on Women as Prophets.Theological Studies (TS), Nº 58, 1997, pp.237-253). WILSON, Robert R. Op.Cit., pp.139,140. W
  7. 7. d KW K D / Fala ao meu senhor: Assim diz o teu servo Itur-asdu: no dia em que eu enviei esta minha carta ao meu senhor, Malik-dagan, um homem de Sakka veio a mim e contou-me o seguinte: “Em meu sonho, eu e um homem do distrito de Sagaratum, na região alta, o qual estava comigo, desejávamos ir a Mari. Em minha visão, fui para Tarqa e imediatamente entrei no templo de Dagan e prostrei-me diante de Dagan. Quando estava de joelhos, Dagan abriu a boca e falou-me como segue: ‘Têm os xeques [reis] dos benjaminitas e seu povo estabelecido a paz com o povo de Zimri-lim, que saiu?’. © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011 Disse eu: ‘Eles não estabeleceram a paz’. Quando eu estava a ponto de sair, ele falou- me outra vez o seguinte: ‘Por que os emissários de Zimri-lim não permanecem continuamente em minha presença e por que ele não me dá um relato completo [de tudo]? Caso contrário, eu teria dado, dias atrás, os xeques dos benjaminitas nas mãos de Zimri-lim. Agora, vai. Eu te envio; a Zimri-lim tu falarás o seguinte: ‘Manda-me teus emissários e dá-me um relato completo. Então, prenderei os xeques dos benjaminitas numa armadilha de peixe e os colocarei diante de di”. Foi isso que o homem viu em seu sonho e me contou.15 Finalmente, se as profecias de Mari podem ser definidas como declarações deforma oracular feitas por especialistas religiosos, endereçadas através da divindade aorei (mais raramente a um de seus oficiais) em forma de promessas e garantias, ameaçascontra outros reis ou estados, advertências, demandas ou pedidos, causas diversas comrelações internacionais, guerra, questões cúlticas e bem-estar do rei, então, está claro apartir da evidência bíblica que essencialmente a mesma instituição é encontrada noIsrael pré-exílico. Todavia, devemos esclarecer aqui que “essencialmente a mesma” nãoexclui as várias características específicas de cada cultura além desta caracterizaçãogeral.16 b) Profetismo Hitita Sabe-se que em uma oração proferida durante o curso de uma prolongada pragaem sua terra, o imperador hitita, Mursili II, expressou sucintamente os caminhos darevelação divina abertos para o Antigo Oriente Próximo: Se o povo está morrendo por algum outro motivo [além dos pecados que temos descoberto até agora], então, ou deixe-me vê-lo por um sonho, ou deixe-o ser FOHRER, Georg. História da Religião de Israel, p.294. PARKER, Simon B. Official Attitudes Toward Prophecy at Mari and in Israel. Vetus Testamentum(VT), Vol. XLIII, 1993, pp.67,68. W
  8. 8. d KW K D / determinado por uma pergunta oracular, ou deixe um profeta extático declará-lo, ou, como tenho instruído a todos os sacerdotes, eles praticarão a incubação.17 O que nos interessa nesta declaração é a referência que o imperador hitita faz aos“profetas extáticos” como canais de comunicação entre os deuses hititas e seusadoradores. Além desse exemplo, um oráculo entregue a um rei hitita por um videnteprediz a vitória em uma próxima batalha com essas palavras: “Não temas, ó rei! O deus © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011Teshub irá colocar o inimigo das terras sob seus pés, e você irá despedaçá-lo comopotes de argila vazios”.18 Embora haja algumas semelhanças entre esses oráculos e certas característicasda profecia bíblica veterotestamentária, contudo, devemos ser cautelosos em nossasconclusões. Enquanto os oráculos hititas estavam associados a práticas de adivinhaçãopagãs que estavam interessadas em conhecer eventos futuros, para os devotos israelitas,por sua vez, Deus os fez saber o que desejava que conhecessem, ou através do sagradoUrim e Tumim dos sacerdotes, ou pelos Seus servos, os profetas.19 c) Profetismo no Período Neo-Assírio Depois do antigo período babilônico, os relatos a respeito de figuras proféticasdeixam de existir, até que são novamente citados nos tempos neo-assírios e nos reinosde Asaradon e Assurbanipal (680-627 a.C.).20 Não obstante a adivinhação certamenteainda estivesse em voga durante esse intervalo, porém, pouco se sabe sobre os“emissores de oráculos” ou profetas e sobre a espécie de intermediação querepresentavam. Contudo, no período neo-assírio, sabe-se da existência de uma figura proféticaconhecida como raggimu (masculino), raggintu (feminino), cujo significado é “aquele(a) que chama” ou “aquele (a) que grita”. Tais indivíduos, ao que tudo indica, deviamentregar oráculos, sendo que há indícios de que alguns ragginus agiam em contextos Cf. HOFFNER, Jr., Harry A. Ancient Views of Prophecy and Fulfillment: Mesopotamia and AsiaMinor, p.257. Hoffner define incubação (do hitita suppaya seske) como: “a prática de dormirdeliberadamente em um local sagrado a fim de solicitar um sonho oracular”. O autor ainda encontraparalelos dessa prática no Antigo Testamento, por exemplo, naquilo que ele chama de “sonho oracular”de Jacó em Betel (Gn 28) e também no sonho do jovem Samuel (1 Sm 3). (Idem, ibidem, p.257). Idem, Ibidem, pp.262,263. Idem, Ibidem, p.265. WILSON, Robert R. Profecia e Sociedade no Antigo Israel, p.142. W
  9. 9. d KW K D /cultuais.21 Além dessas figuras, havia alguns emissores de oráculos neo-assírios querecebiam o título de sabrû. Tal designação é derivada do verbo baru, “mostrar”,“revelar”, que freqüentemente é utilizada principalmente em relação a sonhos e visões.Sendo assim, as mensagens pronunciadas pelo sabrû eram oriundas geralmente desonhos.22 Finalmente, o último emissor de oráculos a aparecer nos textos neo-assírios éa selutu, a monja. Tal figura profética dedicava-se ao serviço de determinada divindade, © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011tendo, pois, funções cultuais regulares na religiosidade neo-assíria.23 Um interessante exemplo de um oráculo, ainda que muito abreviado, do períodoneo-assírio, é aquele em que uma divindade (Ashur?) descreve a resposta ao reiAsaradon quando ele estava cercado por inimigos: “Tu (Asaradon) abriste a boca. Euouvi a tua necessidade”.24 De forma geral, os documentos existentes sobre o período ora mencionadoindicam que Asaradon e Assurbanipal foram tolerantes com relação aos emissores deoráculos dentro da corte real, onde tais figuras atuavam como intermediários centrais.Todavia, parece que estes indivíduos desempenharam seus papéis somente durante otempo em que o rei viu utilidade em suas funções. d) Profetismo Siro-Palestinense Em se tratando da profecia nas regiões da Síria e da Palestina, há um relato sobreum egípcio chamado Wen-Amon ou Um-Amun, o qual, ao partir da cidade de Biblos(por volta do ano 1.100 a. C.), faz uma viagem ao longo da costa siro-palestinense.Sobre esta viagem, o egípcio faz a seguinte declaração que muito interessa ao nossopresente estudo: Quando ele (o rei de Biblos) oferecia sacrifício aos seus deuses, o deus apoderou-se de um de seus jovens mais velhos e fê-lo ficar fora de si, e ele disse: toma o deus, toma o mensageiro que tem o deus consigo; foi Amon quem o mandou, foi ele quem 25 determinou a sua vida. WILSON, Robert R. Profecia e Sociedade no Antigo Israel, p.143. Idem, Ibidem, p.144. Idem, Ibidem, p.146. Idem, ibidem, p.149. FOHRER, Georg. História da Religião de Israel, p.293. W
  10. 10. d KW K D / Esse relato nos mostra uma espécie de possessão extática durante um ritualcultual, no qual a pessoa possuída, ao entrar numa espécie de transe, acaba se tornando aporta-voz da divindade que a possui. e) Profetismo no Egito Embora no Egito não haja evidência da existência de profetas, todavia, Plínio © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011descreveu em sua Historia Naturalis VIII, 185, que, durante uma celebração cúltica queocorria em homenagem ao boi Ápis, alguns jovens foram tomados de êxtase e,conseqüentemente, começaram a predizer eventos futuros.26 Apesar de tal descrição serbastante vaga, entretanto, ela nos dá a entender que havia no Egito certas práticas deadivinhação.27 f) Conclusão O estudo sobre essas várias figuras proféticas existentes em algumas dasprincipais culturas e religiões do Antigo Oriente Médio serviu para nos mostrar que otipo de profetismo exercido ali era caracterizado de forma geral: 1) pelo estado de transeem que se encontravam geralmente as figuras proféticas, 2) pela importância que oprofetismo atribuía aos sonhos e visões em seu contexto revelatório e 3) pela emissão dedeclarações oraculares cujo teor das mensagens se relacionava: a) ao rei, b) aosadoradores da divindade em nome da qual se emitiam tais oráculos, e ainda c) àsquestões mais relevantes para o bem-estar das pessoas em seu cotidiano (conflitos entregrupos, guerras, orientações cúlticas, advertências etc). De forma geral, a importância destas figuras proféticas para a sociedade doAntigo Oriente Médio pode ser percebida na tamanha influência que estas exerciamsobre as pessoas das mais variadas camadas sociais, desde o rei até o povo. Asdeclarações oraculares proferidas por tais figuras proféticas serviam para orientar a vida,as crenças e o destino das pessoas, adquirindo, portanto, credibilidade dentro daquelasantigas sociedades. Isto nos mostra o quão relevantes eram. Bem, diante dessa conclusão, resta-nos fazer a seguinte pergunta: os profetas doAntigo Testamento, bem como as suas mensagens, eram semelhantes às figurasproféticas e aos oráculos encontrados nos relatos dos povos vizinhos do Antigo Oriente FOHRER, Georg. História da Religião de Israel, p.293. Que a adivinhação era uma prática existente no Egito, não há a menor dúvida. Aliás, encontramos umaevidência bíblica a esse respeito quando José declara praticar o ritual da hidromancia, isto é, a“adivinhação por meio da água” (cf. Gn 44.5). W
  11. 11. d KW K D /Médio? Nas páginas seguintes, ao estudarmos a figura do profeta veterotestamentário ea sua mensagem, tentaremos responder a esta pergunta. © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011 W
  12. 12. d KW K D /II – O Profetismo no Antigo Testamento a) Definindo o Termo “Profeta” O vocábulo “profeta”, na Bíblia Hebraica, é derivado do substantivo hebraiconabi’ e, atualmente, há quatro teorias que buscam explicar a origem desse vocábulo. Sãoelas: 1) o termo é derivado da raiz árabe naba’a, “anunciar”, de onde se infere a idéia © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011de “porta-voz”; 2) o vocábulo procede da raiz hebraica naba‘, “borbulhar”, transmitindoassim o conceito de “extravasar palavras”; 3) a palavra vem da raiz acadiana nabû,“chamar”, a qual fala sobre “aquele que é chamado [por Deus]”; e 4) o termo é oriundode uma raiz semítica desconhecida.28 Seja como for, o vocábulo é especialmenteutilizado para descrever o profeta como aquele que “revela ou declara as palavras deDeus aos homens”.29 Além de nabi’, há ainda dois outros termos que o Antigo Testamento empregapara designar os profetas, isto é, ro’eh e hozeh. Estas duas últimas palavras sãoparticípios e também são praticamente sinônimas em seu significado, as quais podemser traduzidas como “vidente”.30 Tenney explica este significado da seguinte maneira: As duas palavras, ro’eh e hozeh, talvez estejam se referindo primariamente ao fato de que a pessoa então designada vê a mensagem que Deus lhe dá. Este “ver” é concebido provavelmente como tomando lugar na visão. Ao mesmo tempo, estas duas palavras servem igualmente para designar um homem que, tendo visto a mensagem de Deus, declara esta mensagem. A ênfase bíblica é completamente prática. Ela não é uma HARRIS, R. Laird (org.). Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. [Tradução deMárcio Loureiro Redondo, Luiz A.T. Sayão e Carlos Osvaldo C. Pinto]. São Paulo, Vida Nova, 1998,pp.904,905. Parker ainda acrescenta que “o nome, nabi’, também pode se referir a uma pessoa em, ousujeita a, transe-possessão”. (Cf. PARKER, Simon B. Possession Trance and Prophecy in Pre-ExilicIsrael. Vetus Testamentum (VT), Vol. XXVIII, 1978, p.275). GESENIUS, H. W. F. Geseniu’s Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament. [Translated bySamuel Prideaux Tregelles]. Grand Rapids, Baker Book House, 1979, p.525. Esse intercâmbio de significado entre os vocábulos ro’eh e hozeh é citado, por exemplo, por:ARCHER, Jr., Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? [Tradução de Gordon Chown]. SãoPaulo, Vida Nova, 1991, p.224; SELLIN, E. & FOHRER, G. Introdução ao Antigo Testamento. Vol.2.[Tradução de D. Mateus Rocha]. São Paulo, Edições Paulinas, 1977, p. 515 e PETERLEVITZ, LucianoR. Introdução ao Profetismo. Revista Theos, Campinas, 5ª edição, V.4 – Nº1, 2008, p.4. Para outrasobservações sobre o significado desses dois termos hebraicos, consulte: CHOURAQUI, André. OsHomens da Bíblia. [Tradução de Eduardo Brandão]. São Paulo, Companhia das Letras/Círculo do Livro,1990, pp.237,238 e ZENGER, Erich et alii. Introdução ao Antigo Testamento. [Tradução de WernerFuchs]. São Paulo, Edições Loyola, 2003, p.369. W
  13. 13. d KW K D / experiência obscura do modo de recepção da revelação profética que está situada adiante, mas sim a declaração expressa da mensagem de Deus.31 Já na Septuaginta, a palavra usada para se referir ao profeta é o vocábulo gregoprofetes, o qual significa: “quem fala em nome de Deus” ou “quem interpreta oráculosdivinos”.32 Segundo Bauer, o fato da LXX utilizar o termo profetes, em vez de usar ovocábulo mantis, “adivinho”, indica que ela buscou privilegiar o conteúdo da mensagem © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011e não a maneira de mediação, como ocorria com os adivinhos pagãos.33 Em linhas gerais, podemos dizer que os profetas eram embaixadores oumensageiros divinos, os quais anunciavam a mensagem de Deus para o seu povo,especialmente em época de crise. Como bem declarou Ellisen, os profetas eram, acimade tudo, “pregadores da justiça em época de decadência espiritual”.34 b) O Profetismo Multifacetado de Israel Ao estudarmos o profetismo em Israel, acabamos descobrindo que este possuiuma característica bastante heterogênea.35 E esta heterogeneidade pode ser vista, por TENNEY, Merrill C. (ed.). The Zondervan Pictorial Bible Dictionary. Grand Rapids, ZondervanPublishing House, 1963, p.685. BAUER, Johannes B., MARBÖCK, Johannes & WOSCHITZ, Karl M. Dicionário Bíblico-Teológico.[Tradução de Fredericus Antonius Stein]. São Paulo, Edições Loyola, 2000, p.345. É curioso notar queeste segundo significado do vocábulo, “quem interpreta oráculos divinos”, também era uma das formaspelas quais alguns escritores gregos antigos compreendiam o termo, tais como Ésquilo (525-456 a.C.),Heródoto (485- 420 a.C.) e Píndaro (518-438 a.C.), por exemplo. (Cf. THAYER, Joseph Henry. Greek-English Lexicon of the New Testament. Grand Rapids, Zondervan Publishing House, 1976, p.553). Paraobter outros detalhes sobre o significado do termo profetes nos escritos da Grécia Antiga, confira:LIDDELL, H. G. & SCOTT, R. An Intermediate Greek-English Lexicon. (Founded upon the SeventhEdition of Liddell and Scott’s Greek-English Lexicon). Oxford, Oxford University Press, 1889, p.704. BAUER, Johannes B., MARBÖCK, Johannes & WOSCHITZ, Karl M. Op.Cit., pp.345,346. Já R. E.Clements chama a atenção para os problemas de definição relativos ao termo “profeta” em hebraico. Eleafirma que a palavra “profeta” deriva da tradução grega de nabi’, isto é, prophetes, e, desta forma, otermo “profeta” já é um vocábulo interpretado e distanciado do texto hebraico original. (Cf. CLEMENTS,R. E. O Mundo do Antigo Israel. [Tradução de João Rezende Costa]. São Paulo, Paulus, 1995, p.206).Eissfeldt também faz observação semelhante em: EISSFELDT, Otto. Introducción al AntiguoTestamento. Tomo I. [Traducción de José L. Sicre]. Madrid, Ediciones Cristiandad, 2000, p.159. ELLISEN, Stanley A. Conheça Melhor o Antigo Testamento. [Tradução de Emma Anders de SouzaLima]. São Paulo, Editora Vida, 1993, p.210. Etienne Charpentier declara que “o profeta não era ‘alguémque anunciava o futuro’, mas, antes, alguém que falava em nome de Deus, alguém que fora introduzidonos planos de Deus (…) e que daí por diante via tudo com os olhos de Deus”. (Cf. CHARPENTIER,Etienne. Para Ler o Antigo Testamento. [Tradução de Benôni Lemos]. São Paulo, Edições Paulinas,1986, p.69). RENDTORFF, Rolf. Antigo Testamento: Uma Introdução. [Tradução de Monika Ottermann]. SantoAndré, Ed. Academia Cristã Ltda., 2009, p.171. W
  14. 14. d KW K D /exemplo, nos vários contextos sociais e históricos em que o profetismo israelita atuou.36Vejamos quais são eles: - Os profetas de congregações ou irmandades. Eles são conhecidos como“filhos de profetas/discípulos de profetas” (p.ex. 2 Rs 2.3,5,7,15), formam comunidadesproféticas (p.ex., 1 Sm 19.18-24) , se relacionam com a divindade através do êxtase (cf. © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 20112 Rs 3.15), agem como curandeiros, transmissores de oráculos, conselheiros,milagreiros (cf. 2 Rs 9) e se reúnem na “escola dos profetas” com seu mestre emespécies de “sessões” proféticas (cf. 2 Rs 6.1-7).37 - Os profetas do templo. Sabe-se que havia profetas que tinham conexão com ossantuários oraculares, pois podemos constatar que a linguagem destes possui certadependência das funções exercidas nestes locais. Observa-se neste contexto umalinguagem cúltica.38 Podemos citar como representantes dessa tradição do profetismo dotemplo os profetas escriturísticos Habacuque, Naum e Joel.39 - Os profetas da corte. Schökel e Diaz, baseados em conclusões de Gottwald, aofalarem sobre a relação entre o profeta e o rei, citam quatro características desse tipo deprofeta: 1) possui sólida informação política; 2) exprime sua preocupação políticaatravés de antigas formas literárias israelitas e motivos religiosos; 3) baseia as suasatitudes na experiência e de acordo com as circunstâncias (caráter prático); e, 4)considera as instituições políticas como instrumentos dos desígnios divinos.40 Sigo aqui a estrutura encontrada em: ZENGER, Erich et alii. Introdução ao Antigo Testamento, pp.370-374. ZENGER, Erich et alii. Op.Cit., p.370. BENTZEN, A. Introdução ao Antigo Testamento. Vol.1. [Tradução de Helmuth Alfredo Simon]. SãoPaulo, Aste, 1968, p.211. ZENGER, Erich et alii. Op.Cit., p.370. Fohrer lembra que, apesar de haver uma ala do profetismoligada ao templo, isso não imunizava o “sistema cultual” contra as duras críticas proferidas pelos própriosprofetas. (Cf. FOHRER, Georg. Estruturas Teológicas do Antigo Testamento. [Tradução de ÁlvaroCunha]. Santo André, Academia Cristã, 2006, pp.141-146). Gerhard von Rad fala sobre a opiniãodefendida por muitos estudiosos de que a maioria dos profetas veterotestamentários foram porta-vozescúlticos, sendo, portanto, funcionários do templo. (Cf. RAD, Gerhard von. Teologia do AntigoTestamento. [Tradução de Francisco Catão]. São Paulo, Aste/Targumim, 2006, pp.489,490). Veja tambémo comentário de Sicre sobre a maneira de enxergar o profeta como um funcionário do culto. (Cf. SICRE,José Luis. Introdução ao Antigo Testamento. [Tradução de Wagner de Oliveira Brandão]. Petrópolis,Vozes, 1994, pp.196,197). SCHÖKEL, L. Alonso & DIAZ, J. L. Sicre. Profetas I. [Tradução de Anacleto Alvarez]. São Paulo,Paulus, 2004, p.45. W
  15. 15. d KW K D / - Os profetas independentes, de oposição. Ao que tudo indica, este grupo deprofetas compreende todos os profetas escriturísticos da Bíblia Hebraica (com exceçãodos profetas Habacuque, Naum e Joel), constituindo, inclusive, o grupo mais importantedo Antigo Testamento.41 Certamente, Edgard Leite está fazendo referência a estesprofetas ao dizer que: © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011 Toda a literatura profética está repleta (...) da crítica social, onde a denúncia dos abusos dos poderosos coincide com a defesa da necessidade do sagrado. A estrutura da sociedade está, para os profetas, em flagrante rota de colisão com o espírito da força que permite o surgimento da mesma sociedade.42 - Os profetas literários. No atual estágio em que se encontra a pesquisa sobre osprofetas, acredita-se que nenhum livro profético tem o próprio profeta que leva o seunome como seu verdadeiro autor. Uma das hipóteses usadas para explicar isso sugereque os livros proféticos surgiram porque, no passado, círculos de alunos de profetasdeveriam divulgar amplamente as palavras de seus “mestres profetas”, constituindo-seassim seus redatores e editores.43 Seja como for, o fato é que os profetas transmitiramsuas mensagens, as quais, por sua vez, foram interpretadas, levadas adiante e, por fim,escritas (por eles mesmos e/ou por seus discípulos), transformando-se assim em“palavra viva” e finalmente se tornando livro.44 Além dessa estrutura quíntupla do profetismo que acabamos de expor acima,creio que seja proveitoso para o nosso estudo mencionar também o tipo decategorização profética proposta por Aune.45 Segundo esse autor, existem quatro tiposde profetas no antigo Israel: ZENGER, Erich et alii. Introdução ao Antigo Testamento, p.371. LEITE, Edgard. Pentateuco: uma introdução. Rio de Janeiro, Imago, 2006, p.119. Opinião semelhantepode ser encontrada também em: CASTRO, Clóvis Pinto de. (ed.). O Ministério dos Profetas no AntigoTestamento. São Paulo, Imprensa Metodista, 1993, p.94. Gruen chama a atenção para o fato de que oprofetismo não tem eficácia se atuar sozinho. Ele precisa atuar dentro de uma estrutura jurídica que lhe dêapoio, algo que acho ser bastante difícil de ocorrer. (Cf. GRUEN, Wolfgang. O Tempo que se ChamaHoje: introdução ao Antigo Testamento. São Paulo, Paulus, 1985, p.112). ZENGER, Erich et alii. Op.Cit., p.372,373. BAUER, Johannes B., MARBÖCK, Johannes & WOSCHITZ, Karl M. Dicionário Bíblico-Teológico,p.345. AUNE, David E. Prophecy in Early Christianity and the Ancient Mediterranean World. Grand Rapids,William B. Eerdmans Publishing Company, 1991, pp.83-85. W
  16. 16. d KW K D / - Os Profetas Xamânicos (representados, p.ex., por Samuel, Elias e Eliseu); - Os Profetas Cultuais e do Templo (representados, p.ex., por Ezequiel e Jeremias); - Os Profetas da Corte (representados, p.ex., por Gade e Natã); - Os Profetas Livres (representados, p.ex., por Amós e Oséias em Israel e por Miquéias e Isaías em Judá). © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011 c) O Autoconhecimento dos Profetas Ao lermos a literatura profética, tomamos conhecimento de que os própriosprofetas estão conscientes do que está ocorrendo com eles em seu aspectocomportamental geral quando transmitem sua mensagem. H. W. Wolff cita quatroelementos-chave que indicam esse autoconhecimento profético.46 São eles: - Os profetas cuidam para que sua mensagem não seja prejudicada pelos seuspróprios desejos e intenções (Am 7.2,5; Jr 1.6; Is 8.11);47 - Os profetas não se tornam instrumentos de Iahweh em momentos deembriaguez ou de êxtase, mas em uma situação de plena consciência. Eles ouvem,observam e respondem (Is 6.8,9; Am 7.8 ; Jr 1.11-13); - Os profetas se preocupam com o futuro, elemento esse que é o núcleo de suamissão e o aspecto essencial de seu ofício profético (Am 8.1s; 9.1-4; Jr 1.11);48 - Os profetas são homens cujo viver está repleto de contrastes, sobretudo, noâmbito psicológico. O profeta, por exemplo, é relutante (Jr 1.6,7), se apavora (Am 3.8),vive em solidão devido às suas mensagens (Jr 15-17) e sofre perseguição (Jr 20.10). WOLFF, H. W. Bíblia: Antigo Testamento: introdução aos escritos e aos métodos de estudo.[Tradução de Dulcemar Silva Maciel]. São Paulo, Paulinas, 1978, pp.57-59. Como diz Gunneweg: “os profetas não anunciam a sua própria palavra, vontade, orientação, promessae ameaça, mas a de Deus”. (Cf. GUNNEWEG, Antonius H. J. Teologia Bíblica do Antigo Testamento.Vol.1. [Tradução de Werner Fuchs]. São Paulo, Teológica/Loyola, 2005, p. 244). De acordo com Lasor, Hubbard e Bush, “Deus nunca está interessado no presente simplesmente pelopresente. Desde a criação, ele sempre está cumprindo seu plano para a humanidade. E Deus nuncaesquece para onde vai e o que faz. (...) A profecia é a mensagem de Deus para o presente à luz da missãoredentora em andamento”. (Cf. LASOR, William S., HUBBARD, David A. & BUSH, Frederic W.Introdução ao Antigo Testamento. [Tradução de Lucy Yamakami]. São Paulo, Vida Nova, 1999, p.247 –os itálicos são meus). W
  17. 17. d KW K D / d) O Profeta como Mensageiro O teólogo alemão, Hans Walter Wolff, declara que a principal característica daprofecia é o “anúncio”. Segundo ele: Seus aspectos formais [da profecia] são dois: é introduzida pela fórmula “Assim falou Iahweh” (às vezes conclui com “Iahweh disse”), e Iahweh sempre fala usando a © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011 primeira pessoa. Esta forma pertence à linguagem diplomática do antigo Oriente Próximo. É encontrada em numerosas cartas da Mesopotâmia. Achamo-la também no âmago do Antigo Testamento (...).49 Esta expressão “Assim fala/falou Iahweh” é conhecida como fórmula demensageiro e, de acordo com Werner H. Schmidt, “identifica o profeta como alguémque foi enviado por Deus, alguém que é intermediário autorizado para transmitirdeterminada mensagem a um destinatário concreto”.50 Schreiner completa, dizendo queo profeta é caracterizado como: a) homem da palavra, b) mensageiro e porta-voz deDeus e c) pregador.51 Além do mais, essa palavra de Deus dita pelo profeta reveste-sede importância sob o ponto de vista concreto, pois é uma palavra que se cumpre nahistória. Como diz Kaiser, “aquela palavra não era uma palavra ‘vazia’ (req) oudestituída de poder (Dt 32.47); uma vez pronunciada, atingia o seu alvo”.52 e) Conclusão Ora, depois de discorrermos, ainda que de forma bastante sucinta, sobre algunsdos principais traços característicos do profeta veterotestamentário, podemos chegar às WOLFF, H. W. Bíblia: Antigo Testamento, p.71. Ralph Smith faz a seguinte observação: “o anúncio éem geral entendido como a palavra do profeta, mas os sacerdotes e levitas também podiam proclamar apalavra de Deus nos anúncios de bênção e maldição. Ageu pediu a seu povo que fosse aos sacerdotesperguntar acerca da santidade e da impureza (Ag 2.11-14)”. (Cf. SMITH, Ralph L. Teologia do AntigoTestamento. [Tradução de Hans Udo Fuchs e Lucy Yamakami]. São Paulo, Vida Nova, 2001, p.107). SCHMIDT, Werner H. Introdução ao Antigo Testamento. [Tradução de Annemarie Höhn]. SãoLeopoldo, Sinodal, 1994, p.170. SCHREINER, J. Palavra e Mensagem do Antigo Testamento. [Tradução de Benôni Lemos]. São Paulo,Teológica/Paulus, 2004, pp.184,185. Segundo Heaton, o tema central da pregação dos profetas era avocação distintiva de Israel como povo de Deus. (Cf. HEATON, E. W. Everyday Life in Old TestamentTimes. New York, Charles Scribner’s Sons, 1956, p.233). KAISER, Jr., Walter C. Teologia do Antigo Testamento. [Tradução de Gordon Chown]. São Paulo,Vida Nova, 1996, p.144. W
  18. 18. d KW K D /seguintes constatações: 1) Parece não haver um consenso geral sobre o significado exatodo termo hebraico mais comumente usado para se referir ao profeta no antigo Israel, istoé, nabi’;53 2) O profetismo em Israel era bastante diversificado, pois atuava em várioscontextos sociais: nas “escolas dos profetas”, no templo, na corte e também de formaindependente, por exemplo, protestando contra as injustiças sociais; 3) Os profetasdemonstram ter consciência de sua vocação e de seu papel diante de Deus e do povo. © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011Eles sabem que foram enviados por Deus, para transmitirem a Sua palavra para o povo.Assim, se colocam como intermediários entre a vontade divina e as pessoas, seusdestinatários. Eichrodt pensa que “mensageiro” seja o significado mais provável do termo. (Cf. EICHRODT,Walther. Teologia do Antigo Testamento. [Tradução de Cláudio J. A. Rodrigues]. São Paulo, Hagnos,2004, p.278, nota 36). W
  19. 19. d KW K D /CONCLUSÃO Bem, chegamos ao término de nosso estudo. Os dois breves capítulos queescrevemos serviram para nos proporcionar uma visão bastante panorâmica sobre asfiguras proféticas do antigo Oriente e os profetas do antigo Israel. Mas, agora, devemosresponder à pergunta que fizemos no início desse trabalho: os profetas do Antigo © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011Testamento e as suas mensagens eram semelhantes às figuras proféticas e aos oráculosencontrados nos relatos dos povos vizinhos do Antigo Oriente Médio? Respondo. Em termos de essência, duração e volume (de escritos proféticos), oprofetismo israelita é um fenômeno singular no antigo Oriente.54 De forma geral,podemos dizer que a semelhança entre os fenômenos proféticos encontrados no antigoOriente e a profecia israelita existe apenas no que diz respeito à forma. Portanto, oconteúdo ético e religioso do profetismo hebraico simplesmente não possui paralelo nomundo antigo.55 Além disso, deve ser dito aqui que os conflitos radicais entre os profetasveterotestamentários e o rei ou o Estado não encontram paralelos nos textos do antigoOriente. Enquanto que as figuras proféticas extra-bíblicas fazem críticas ao culto, porexemplo, os profetas bíblicos, por outro lado, fazem críticas sociais e éticas, algo suigeneris.56 Aliás, no que se refere à questão ética, a estrutura básica da profecia israelitaestá alicerçada na proclamação de uma mensagem que critica o comportamentopecaminoso da sociedade de Israel, chamando-a, portanto, ao arrependimento.57 Some-se a isto ainda o fato de que os profetas de Israel também trazem em seu discurso oanúncio de um maciço juízo – principalmente contra a injustiça social – algo que nãopode ser constatado da mesma forma nas figuras proféticas dos outros povos, as quaisnão se preocupavam com a sorte do povo, como ocorria em Israel.58 BAUER, Johannes B., MARBÖCK, Johannes & WOSCHITZ, Karl M. Dicionário Bíblico-Teológico,p.347. MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico, p.742. Sellin e Fohrer declaram que “o elemento comum atodas essas figuras [proféticas – tanto israelitas quanto não-israelitas] situa-se na linha da estrutura geral eda psicologia, enquanto as diferenças são fortes em consonância com o conteúdo das revelaçõesanunciadas”. (Cf. SELLIN, E. & FOHRER, G. Introdução ao Antigo Testamento, p.512). ZENGER, Erich et alii. Introdução ao Antigo Testamento, p.379. CARROLL, R. P. Ancient Israelite Prophecy and Dissonance Theory. Numen, Vol. XXIV, Fasc.2,1977, p.141. Idem, Ibidem. W
  20. 20. d KW K D / Em suma, o profeta encontrado na Bíblia Hebraica possui sensibilidade para omal, se importa com as trivialidades, é luminoso e explosivo, está interessado em umbem maior, é um iconoclasta, demonstra ao mesmo tempo austeridade e compaixão, temconsciência de que embora poucos sejam culpados, todos são responsáveis por seusatos, é alguém que experimenta a explosão do céu em seu ofício profético, é alguém queexperimenta a solidão e a miséria e, por fim, o profeta é um mensageiro e uma © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011testemunha.59 Belo currículo este, não?! HESCHEL, Abraham J. The Prophets. Vol.1. New York, Harper & Row, Publishers, 1969, pp.3-26. W
  21. 21. d KW K D /BIBLIOGRAFIADicionários/LéxicosBAUER, Johannes B., MARBÖCK, Johannes & WOSCHITZ, Karl M. DicionárioBíblico-Teológico. [Tradução de Fredericus Antonius Stein]. São Paulo, EdiçõesLoyola, 2000. © Carlos Augusto Vailatti ● O Profetismo no Antigo Oriente Médio e no Antigo Israel ● 2011CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. [Tradução de JoãoMarques Bentes]. Vol.4. [M-O]. São Paulo, Editora Hagnos, 2001.GESENIUS, H. W. F. Geseniu’s Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament.[Translated by Samuel Prideaux Tregelles]. Grand Rapids, Baker Book House, 1979.HARRIS, R. Laird (org.). Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento.[Tradução de Márcio Loureiro Redondo, Luiz A.T. Sayão e Carlos Osvaldo C. Pinto].São Paulo, Vida Nova, 1998.LIDDELL, H. G. & SCOTT, R. An Intermediate Greek-English Lexicon. (Foundedupon the Seventh Edition of Liddell and Scott’s Greek-English Lexicon). Oxford,Oxford University Press, 1889.MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. [Tradução de Álvaro Cunha et alii.]. SãoPaulo, Paulus, 1983.TENNEY, Merrill C. (ed.). The Zondervan Pictorial Bible Dictionary. Grand Rapids,Zondervan Publishing House, 1963.THAYER, Joseph Henry. Greek-English Lexicon of the New Testament. Grand Rapids,Zondervan Publishing House, 1976.Introduções ao Antigo TestamentoARCHER, Jr., Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? [Tradução deGordon Chown]. São Paulo, Vida Nova, 1991.BENTZEN, A. Introdução ao Antigo Testamento. Vol.1. [Tradução de Helmuth AlfredoSimon]. São Paulo, Aste, 1968.CERESKO, Anthony R. Introdução ao Antigo Testamento numa perspectivalibertadora. [Tradução de José Raimundo Vidigal]. São Paulo, Paulus, 1996.CHARPENTIER, Etienne. Para Ler o Antigo Testamento. [Tradução de BenôniLemos]. São Paulo, Edições Paulinas, 1986. W
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