Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Dinossauros do brasil

1111

  • Login to see the comments

  • Be the first to like this

Dinossauros do brasil

  1. 1. 1
  2. 2. 2 DINOSSAUROSDINOSSAUROSDINOSSAUROSDINOSSAUROS DO BRASILDO BRASILDO BRASILDO BRASIL Autores: Lana Cristina Hebert Fran�a Rodrigo Santucci Claudia Maria Magalh�es Ribeiro Copyright �
  3. 3. 3 DINOSSAUROSDINOSSAUROSDINOSSAUROSDINOSSAUROS DO BRASILDO BRASILDO BRASILDO BRASIL Novas esp�cies de ovos e de dinossauros descritos no Brasil podem ser exclusivos A bi�loga Claudia Maria Magalh�es Ribeiro descreveu, pela primeira vez, um ovo de dinossauro encontrado no Brasil, em n�vel de g�nero, e descobriu que o esp�cime pertence a um g�nero diferente dos achados j� relatados dentro da fam�lia pesquisada e relacionados a descobertas feitas na Argentina, Espanha, Fran�a, �ndia e Rom�nia. Al�m disso, o ovo � tamb�m diferente de outros relatados na literatura espec�fica para ovos fossilizados, o que implica, necessariamente, em outra esp�cie. Em pesquisa distinta, o paleont�logo Rodrigo Santucci descreveu quatro esp�cies brasileiras, igualmente diferentes das j� conhecidas de titanossauros, dinossauros gigantes e herb�voros que viveram n�o s� aqui, mas tamb�m na Argentina, Fran�a, Espanha, Inglaterra, Rom�nia, �ndia, �frica, Madagascar e na Am�rica do Norte.
  4. 4. 4 Ilustra��o da pesquisadora Claudia Maria Magalh�es Ribeiro - Em bom estado de preserva��o, o primeiro ovo descrito no Brasil, e classificado como novo g�nero dentro da fam�lia Megaloolithidae, pertence ao arquivo do Centro de Pesquisas Paleontol�gicas Llewelyn Ivor Price. O trabalho de Claudia resultou na defesa de sua tese de doutorado, pelo departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), h� pouco mais de vinte dias. Mas n�o acabou a�. H� parte do material, analisado por ela, ainda n�o classificado. Mesmo o que foi coletado e j� identificado, um ovo encontrado em Peir�polis (Uberaba/MG), em 99, j� tem nome cient�fico e que ser� publicado em breve, entretanto, nomear uma nova esp�cie n�o � algo simples, como leigos poderiam presumir. � um trabalho que requer anos de estudo detalhado. Encontrado quase inteiro, o ovo que Claudia analisou estava tamb�m muito bem preservado, o que colaborou para a classifica��o, segundo ela. "Os processos envolvidos na preserva��o do material foram muito favor�veis. O material deve ter sido recoberto rapidamente", explica. Menos da metade de outro ovo, esse achado em 93, e diversos fragmentos de casca de ovos foram estudados e classificados juntamente com o esp�cime de Peir�polis, trabalho que ela publicar� tamb�m este ano. Rodrigo Santucci est� igualmente com seu trabalho por concluir. Depois de identificar tr�s outras esp�cies de titanossauros, cujo material f�ssil foi
  5. 5. 5 encontrado tamb�m em Peir�polis, ele ainda precisa terminar a descri��o dos bichos e batiz�-los. "O normal � que o nome evoque alguma particularidade do local onde o animal foi encontrado, ou que tenha a ver com a unidade geol�gica, ou alguma caracter�stica do pr�prio f�ssil, mas n�o � t�o f�cil quanto parece", explica. � tarefa, segundo ele, que consumir� praticamente o primeiro semestre deste ano. Ele mostrou as conclus�es sobre as tr�s novas esp�cies ao defender sua tese de mestrado em janeiro �ltimo, pelo departamento de Geologia Aplicada da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O material estudado refere-se a v�rtebras de cauda e v�rtebras dorsais e de fragmentos do �leo, osso da bacia. Ovos e esqueletos fossilizados, como � o caso do estudo de Claudia e Rodrigo, respectivamente, obrigam ao desenvolvimento de metodologias de estudo diferenciadas. Mas ambas as pesquisas apresentam algo em comum entre si e entre praticamente tudo o que � objeto da paleontologia, pois retratam parte dos animais e dos vest�gios f�sseis que pertenceram a uma �poca remota, e que ficaram preservados nas rochas. S�o estudos que, embora respondam a muitas quest�es, suscitam tantas outras. Para Claudia, o fato de ter ocorrido no Brasil o ovo de um saur�pode, esse grande grupo ao qual pertenciam os titanossauros, diferentemente de outros ovos j� descritos, pode indicar que aqui viveram esp�cies muito particulares desses animais e por que n�o dizer end�micas. "Pela idade do material e por tratar-se de um novo g�nero, isto corrobora o fato de que � um ovo diferente de outros j� encontrados no mundo", diz. Mas essa � uma pergunta que pede muitos outros estudos, inclusive com a colabora��o da geologia.
  6. 6. 6 Ilustra��o cedida por Rodrigo Santucci - Reprodu��o de como viviam os titanos- sauros durante o per�odo Cret�ceo. A hip�tese levantada pela pesquisadora serve de indaga��o e aponta uma reflex�o cient�fica. Ela acredita que ser� fact�vel buscar uma resposta para a ocorr�ncia, no Brasil, de outras esp�cies novas tanto de ovos, como de animais que viveram no Cret�ceo, per�odo geol�gico que corresponde ao intervalo entre 144 milh�es e 65 milh�es de anos. � o �ltimo da Era Mesoz�ica, que come�ou com o Tri�ssico, e esse sucedido pelo Jur�ssico. H� 90 milh�es de anos n�o havia mais contato entre a �frica e a Am�rica do Sul, por exemplo. "Talvez possamos comprovar um dia que os titanossauros encontrados aqui sejam �nicos, j� que a idade dos dinossauros desse grupo coincide com a �poca ap�s a separa��o. Eles podem ter se desenvolvido, num ambiente distinto, a partir da�", especula. Apesar de ter descrito tr�s novas esp�cies de titanossauros, Santucci acredita que pode haver semelhan�a com outros j� conhecidos e que n�o
  7. 7. 7 haveria bem um endemismo, ou seja, ocorr�ncia �nica em determinado lugar. "N�o h� como comparar classifica��o de ovo com classifica��o de osso", argumenta. Na sua opini�o, talvez at� haja endemismo, tanto que ele mesmo encontrou esp�cies novas. O fato � que existem outras ocorr�ncias na mesma regi�o que s�o muito parecidas com titanossauros argentinos. � justamente a rela��o entre a ocorr�ncia de titanossauros, grupo no qual se especializou, e sua distribui��o com a separa��o dos continentes que Santucci escolheu como tema de sua tese de doutorado. Nos estudos anteriores, ele mapeou a ocorr�ncia do grupo em terras brasileiras. Agora ele busca respostas para uma s�rie de indaga��es j� tra�adas, tais como: Por que eles ocorrem em determinadas �reas mais abundantemente? Houve contato com as esp�cies cujos f�sseis foram encontrados na Argentina, no Uruguai e at� no Chile? De onde vieram os titanossauros encontrados no Brasil, passaram pelo Maranh�o quando a �frica ainda estava unida, nesse ponto, ao Brasil? Os dinossauros encontrados na Argentina se deslocaram do Norte do Brasil?
  8. 8. 8 Ilustra��o de Anatoliy Belousov - Reprodu��o art�stica de como os Braquiossauros, os titanossauros mais antigos de que se tem not�cia, teriam vivido. Eles tinham entre 22 e 30 metros de altura. Mas o principal mist�rio para ele � em que continente, afinal, surgiram os titanossauros e qual deles est� na base da �rvore evolutiva. No final do Jur�ssico, por exemplo, conforme relata Santucci, viveram os titanossauriformes, grupo de grande porte que ocorreu na Am�rica do Norte e na Tanz�nia, no qual est�o inclu�dos os titanossauros. Os titanossauriformes mais antigos, at� o momento, relata, s�o os Braquiossauros. "Talvez seja o grupo mais pr�ximo", observa. O estudo requer muitas investiga��es e Santucci est� ciente de que ter� que lan�ar m�o da geologia para chegar a essas respostas. "Os f�sseis de titanossauros geralmente n�o s�o bons indicadores de idade geol�gica, por isso � preciso usar outros recursos como microf�sseis. Usarei tamb�m as rochas para verificar a evid�ncia da separa��o continental, ou seja, para dar uma estimativa de quando isso realmente ocorreu", explica. (Lana Cristina) Estudo de ovos f�sseis � feito pela primeira vez no pa�s Bras�lia, 10 (Ag�ncia Brasil - ABr) - Entre os m�ritos do estudo de Claudia Maria Magalh�es Ribeiro destacam-se a especializa��o, o ineditismo e a exclusividade de seu trabalho. Ela � a primeira e �nica pesquisadora, da �rea da paleontologia, que se dedica ao estudo de ovos f�sseis, especificamente de dinossauros e crocodilomorfos. Esses �ltimos, eram animais com forma semelhante a de crocodilos atuais. O orientador de sua tese de doutorado, defendida no m�s passado, o paleont�logo Ismar de Souza Carvalho, classifica o trabalho como a primeira metodologia clara e aplicada para descri��o de ovos f�sseis. "O trabalho em si � uma contribui��o, porque antes s� existiam relatos da ocorr�ncia desse tipo de material. Agora, com o estudo da Claudia, tem-se um resultado cient�fico", avaliou. Numa an�lise mais ampla, Carvalho considera tamb�m importante o fato do ovo descrito ser do final do Cret�ceo, per�odo geol�gico ao final do qual desapareceram os dinossauros, porque � o registro de vida e n�o s� de morte, como � feito normalmente na paleontologia. "Embora n�o houvesse restos embrion�rios, o estudo dela � um documento de vida, e isso prova uma din�mica relacionada ao comportamento dos animais, porque afinal Claudia provou que os ovos eclodiram. Responde muito tamb�m sobre os aspectos da ecologia da �poca", analisou. O ge�logo Luiz Carlos Borges Ribeiro tamb�m comemora o trabalho
  9. 9. 9 realizado por Claudia, que � bi�loga por forma��o, mas que desde o mestrado encaminhou sua especializa��o para o campo da paleontologia. Ele � diretor do Centro de Pesquisas Paleontol�gicas Llewellyn Ivor Price, que fica em Peir�polis, bairro de Uberaba, cidade do Tri�ngulo Mineiro. O material analisado por Claudia pertence ao acervo do centro de pesquisas, que � tamb�m um museu paleontol�gico. "Fortalece o trabalho do museu, afinal o material foi coletado na regi�o de Uberaba", disse. O centro pertence � Funda��o Municipal de Ensino Superior (Fumesu), ligada � Faculdade de Educa��o de Uberaba. "� um centro avan�ado de pesquisas da faculdade", explica Ribeiro, que � seu diretor. Dos seis ovos de dinossauros achados no Brasil, apenas os dois que foram objeto da tese de Claudia t�m agora uma descri��o. Os outros quatro est�o no Departamento Nacional de Produ��o Mineral (DNPM), a quem coube historicamente a responsabilidade pela cataloga��o de materiais f�sseis no pa�s. "Um material desse sem descri��o � perda de informa��o cient�fica para o Brasil e para o mundo", lamentou Luiz Carlo Ribeiro. Um dos ovos que est� no DNPM foi o primeiro coletado no Brasil, pelo paleont�logo que d� o nome ao centro de pesquisa de Peir�polis. A despeito do nome estrangeiro, Price era brasileiro e coletou diversos f�sseis no pa�s, principalmente nas d�cadas de 40, 50 e 60. Ele encontrou o ovo em 1946, �poca em que eram raros os achados do material pelo mundo todo. Esse, ali�s, foi o primeiro ovo encontrado na Am�rica do Sul, fato estabelecido de maneira formal por Claudia Ribeiro em sua tese. Em 1951, Price publicou sua descoberta e relacionou o ovo aos dinossauros saur�podes. Uma de suas principais fontes de consulta foi o trabalho de 1947, do Abade Lapparent, que descrevia ovos achados pr�ximos a f�sseis de Hypselosaurus. "A descri��o n�o continha o refinamento das feitas hoje em dia, mas deu uma pista ao Price", conta o ge�logo Francisco Jos� Corr�a Martins, da UFRJ e tamb�m professor de hist�ria da Escola Preparat�ria de Cadetes do Ex�rcito, em Campinas (SP). Price tinha a informa��o de que o material relatado por Lapparent era de um saur�pode herb�voro, da fam�lia titanossauridae. Os ovos estudado pelo franc�s, encontrados na regi�o Sul da Fran�a, tinham at� 30 cent�metros de di�metro. A conclus�o de Price, que tinha em suas m�os um ovo de 15 a 18 cent�metros, foi a de que o material lembrava muito aqueles relacionados ao Hypselosaurus, mas que, pelo tamanho de fato n�o o era. Al�m disso, n�o havia material f�ssil dessa esp�cie no Brasil. E, como na regi�o de Peir�polis ele pr�prio havia encontrado f�sseis de titanossauros, estabeleceu ent�o a real liga��o entre os dados. "Mais de duas mil pe�as foram coletadas na �poca em que as escava��es eram chefiadas por ele", relata Martins. "Price foi um pesquisador extraordin�rio, um paleont�logo de "m�o cheia", que teve a perspic�cia de dizer que o ovo parecia com o daquela esp�cie francesa j� descrita, mas que n�o iria classific�-lo como,
  10. 10. 10 relacionando-o ao grupo dos saur�podes e, possivelmente, da fam�lia dos titanossauros. Ele fez isso imaginando que futuras descobertas ou descri��es apoiariam suas assertivas. Passado mais de meio s�culo, comprovou-se que ele estava certo", completa. Price � mestre para a maioria dos paleont�logos brasileiros, tanto que Claudia dedicou sua tese de doutorado � sua mem�ria. Ela ainda est� com o material analisado, mas, em breve, deve devolv�-lo ao museu de Peir�polis. O bairro vive da cultura dos dinossauros. Diversos moradores trabalham na coleta de material f�ssil. O pr�prio Centro de Pesquisas nasceu de uma esp�cie de levante popular contra pedreiras existentes no local e que incomodavam a vizinhan�a. N�o bastasse isso, destru�am o s�tio fossil�fero. A prefeitura embargou a atividade extrativa e, hoje, os ex- empregados vivem da coleta de ossadas e ovos f�sseis. O ovo descrito por Claudia foi encontrado em 99 e est� quase inteiro, medindo entre 15 a 18 cent�metros. O ovo n�o tinha restos embrion�rios, mas ela sabe que eclodiu, em raz�o das estruturas internas da casca, detalhe que representa informa��o preciosa para outros estudos paleontol�gicos. Os grandes herb�voros que eram os saur�podes titanossauros mediam at� 15 metros da cabe�a � cauda, tinham 5 metros de altura e pesavam cerca de 15 toneladas. Eles viveram entre 160 milh�es e 65 milh�es de anos atr�s, tendo sido encontrados f�sseis desses animais na Europa, na �sia, na Am�rica do Norte, na �frica (especificamente em Madagascar) e na Am�rica do Sul. A fam�lia a qual pertence o ovo descrito pela bi�loga, por exemplo, a Megaloolithidae, foi estabelecida a partir de ovos do final do Cret�ceo Superior (entre 70 e 65 milh�es de anos), encontrados em camadas sedimentares da Bacia de Aix-en-Provence, na Fran�a. Depois de determinar a fam�lia, baseada na descri��o cient�fica de outros trabalhos, Cla�dia buscou o relato dos g�neros pertencentes a ele. "S�o tr�s g�neros descritos para a Megaloolithidae, dentre o material do mundo todo, mas o ovo que eu estudei n�o se encaixa na descri��o de nenhum deles", afirma. O segundo ovo que estudou em sua tese tamb�m ganhou descri��o, mas n�o � poss�vel dizer se � do mesmo g�nero. O material encontrado em Ponte Alta, a leste de Uberaba (MG), em 1993, tem menos da metade das cascas preservadas, o que dificultou o estudo. "Ele tem caracter�sticas morfol�gicas semelhantes ao de 99, mas ainda n�o sei dizer se se trata de uma nova esp�cie", comenta. Ap�s estudar a forma��o da casca de todo material e os aspectos relacionados � preserva��o (estudos tafon�micos), Claudia os relacionou aos dinossauros saur�podes e, provavelmente, de titanossauros j� que esses animais ocorreram em abund�ncia na regi�o de Uberaba, fato comprovado pela exist�ncia de grande quantidade de f�sseis relacionados a esse grupo, ali. (Lana Cristina)
  11. 11. 11 Patag�nia argentina foi �rea de postura de dinossauros no per�odo Cret�ceo Bras�lia, 10 (Ag�ncia Brasil - ABr) - Os achados de ovos na Am�rica do Sul estavam restritos a ocorr�ncias pontuais, quando em 1998, um grupo de ge�logos argentinos, em trabalho de campo, na prov�ncia de Neuqu�n, encontrou uma extensa �rea com ninhos de dinossauros. Segundo a bi�loga Claudia Ribeiro, at� 1980, as ocorr�ncias de ovos com restos embrion�rios eram praticamente inexistentes. H� refer�ncias de material desse tipo nos Estados Unidos, na �ndia e na Mong�lia. Tudo muda com o achado dos pesquisadores argentinos. Depois que uma roda de um dos ve�culos utilizados no trabalho de pesquisa geol�gica afundou, em uma plan�cie �rida e seca, eles se depararam com algo realmente inesperado. O local, uma �rea de 3 Km�, estava cheio de ovos e cascas de ovos, que depois se verificou serem de dinossauros e que representaria uma �rea de postura. Os ovos estavam pr�ximos a um vulc�o extinto em Auca Mahuida, na parte leste da pr�-cordilheira andina, no noroeste da Patag�nia argentina. "A quantidade de ovos, cascas e embri�es encontrados mostra que houve a ocorr�ncia de um fen�meno natural repentino", conta o ge�logo Francisco Jos� Corr�a Martins. "Podem ter acontecido duas coisas: a �rea de nidifica��o foi recoberta pela inunda��o causada por antigos rios que por ali passavam ou talvez aquele vulc�o estivesse ativo na �poca e, ao entrar em erup��o, poderia ter derretido a neve perto de seu cume que, ao descer as encostas, transformou-se em lama, sepultando a plan�cie", adiciona. Como os ritos de acasalamento, postura e eclos�o s�o influenciados pelo clima, ou seja, pelas esta��es, o achado argentino pode trazer muitas respostas sobre a ecologia do per�odo Cret�ceo e tamb�m sobre o comportamento desses animais. Martins vislumbra mais que isso. Para ele, junto com achados paleontol�gicos da Am�rica do Sul, como os do Uruguai, Chile e Brasil, entre outros, o material encontrado em Auca Mahuida pode ajudar na compreens�o de como os dinossauros evolu�ram ap�s a separa��o dos continentes e, mais amplamente, sobre como ocorreu a pr�pria separa��o dos continentes. H� 207 milh�es de anos atr�s, a Terra era uma gigantesca massa uniforme, que agregava todos os continentes conhecidos hoje, chamada Pang�ia. Nessa �poca, a Pang�ia come�ou a se fragmentar, dando origem a duas
  12. 12. 12 superf�cies terrestres, a Laur�sia, situada mais ao hemisf�rio Norte e o Gondwana, localizada mais ao hemisf�rio Sul. A primeira era formada pelo que hoje � a Europa, a Am�rica do Norte e a �sia e a segunda era formada pela �ndia, Austr�lia, �frica, Am�rica do Sul e Ant�rtica. Entre 150 milh�es e 144 milh�es de anos atr�s, Laur�sia e Gondwana n�o eram mais ligadas. A separa��o continental continuou ocorrendo. A �ndia, por exemplo, conforme relato de Martins, era ent�o um sub-continente a deriva, migrando na altura da ilha de Madagascar, por volta de 65 milh�es de anos atr�s. "Era como se fosse uma grande jangada de pedra, como se fosse um continente isolado no qual, certamente, os animais se reproduziam", compara. Essa rela��o entre separa��o continental e reprodu��o de esp�cies, feita por ele, serve para uma reflex�o pessoal e pertinente. No momento da primeira divis�o da Pang�ia, n�o havia os dinossauros e sim r�pteis primitivos que deram origem a esses gigantescos animais. "Embora eles possam ter tido uma origem comum, eles foram evoluindo, assim, distintamente, pelos continentes", especula. O grande carn�voro Tiranossauros Rex, por exemplo, que � encontrado s� na Am�rica do Norte, n�o est� mais sozinho na escala evolutiva. H� outros ter�podes carn�voros, que tamb�m s�o encontrados inclusive no Brasil, como os carnossauros. Para explicar a tese de que bichos semelhantes encontrados em continentes, unidos em outra era geol�gica, podem ter o mesmo ancestral, Martins enumera outros exemplos. N�o h� registro, por exemplo, do Iguanodon, um ornit�pode herb�voro, na �ndia ou no Brasil, que antes da separa��o total pertenciam ao Gondwana. O Iguanodon s� foi encontrado at� hoje na Am�rica do Norte e na Europa, continentes que pertenciam � Laur�sia. O mesossauro, um esp�cime r�ptil primitivo de h�bitos terrestre, mas que vivia sempre pr�ximo a corpos d'�gua porque se alimentava de peixes no final da era Paleoz�ica (que durou at� 250 milh�es de anos), por exemplo, � encontrado no Brasil, especialmente em �reas dos estados de S�o Paulo e Paran�. F�sseis do bicho tamb�m foram achados na �frica. "Era um animal que tinha pouca amplitude de deslocamento, como os tei�s dos dias de hoje e, no entanto, foi encontrado em regi�es do Brasil e �frica, o que me leva a crer que essas partes da Am�rica do Sul e da �frica, onde se encontram os f�sseis de mesossauros, j� estiveram unidas um dia", observa. At� no reino vegetal, h� exemplo enumerado pelo ge�logo. Uma planta da era Paleoz�ica, do per�odo Carbon�fero, a glossopteris, s� existe em trechos de continentes que pertenceram � Gondwana. Na lista de semelhan�as, h� ainda dois dinossauros descritos e achados no Brasil. O Aeolosaurus (pronuncia-se elossauros) e o Antarctosauros brasiliensis, por exemplo, foram identificados com base em material encontrado na Argentina. Para Martins, o Gondwanatitan faustoi, identificado em S�o Paulo, � uma sinon�mia (mesma esp�cie com nome diferente) do
  13. 13. 13 Aeolosaurus, identificado por pesquisadores da Unesp, em Peir�polis (Uberaba, MG). "Em se tratando de �reas intracontinentais, � poss�vel ter ocorrido um interc�mbio de fauna entre o que hoje s�o os dois pa�ses. Talvez as regi�es que constituem as atuais prov�ncias de Neuqu�n e Rio Negro, do lado argentino, e as cercanias de Uberaba, pelo lado brasileiro, por exemplo, tivessem na �poca desses animais paleobiotas independentes, com barreiras entre elas, como um grande rio ou lago que, podendo ser sazonais, poderiam permitir assim a troca", explica. Todas essas an�lises levam a uma conclus�o anteriormente citada. S�o muitas perguntas sem respostas. Mas o fato � que, concordando com outros tantos especialistas da �rea, Martins tamb�m pensa que h� muito estudo geol�gico por fazer, como o estabelecimento das colunas estratigr�ficas, data��o de rochas, identifica��o das biotas que existiam na �poca etc. Al�m disso, h� muito material f�ssil para estudo paleontol�gico, sem descri��o, no Mato Grosso, onde as coletas s�o incipientes, e mesmo em S�o Paulo e Minas Gerais, locais onde h� mais estudos cient�ficos. O estudo, concordam ge�logos e paleont�logos, � fundamental n�o s� para registrar o passado, mas porque traz a reboque informa��es �teis n�o s� no presente, mas sobretudo no futuro, inclusive de cunho econ�mico. Ao estudar as rochas, ainda que em fun��o dos f�sseis ali existentes, os especialistas podem, por exemplo, determinar a ocorr�ncia de minerais energ�ticos, de jazidas de materiais para constru��o, ou se a regi�o � adequada do ponto de vista geol�gico para uso habitacional ou agr�cola. Enfim, abastecendo a sociedade de informa��es que podem ajud�-la nas decis�es que precisa tomar. (Lana Cristina) Expedi��o cient�fica em busca de dinossauros ser� filmada para a televis�o
  14. 14. 14 O paleont�logo S�rgio Alex de Azevedo Observa cabe�a do espinossaur�deo, reconstitu�do a partir de f�sseis encontrados no Maranh�o Bras�lia, 19 (Ag�ncia Brasil - ABr) - Resgatar a hist�ria da evolu��o da Terra nesse pequeno peda�o do continente chamado Brasil, e registr�-lo, � como se pode resumir o trabalho de uma equipe de 30 pessoas, formada por paleont�logos, cinegrafistas, produtores, motoristas, que come�a na pr�xima 5� feira, dia 25. A tarefa durar� pouco mais de um m�s e foi batizada de "Em busca dos dinossauros", uma expedi��o cient�fica por tr�s s�tios geol�gicos nacionais onde h� registro da passagem desses grandes rept�is, idealizado pelo Departamento de Paleontologia do Museu Nacional do Rio. A parte log�stica do projeto est� por conta da Fogo-F�tuo Expedi��es, que tem experi�ncia em viagens de longa dist�ncia, e a filmagem ser� feita pelo Centro de Cultura, Informa��o e Meio Ambiente (Cima), uma organiza��o n�o- governamental ligada � empresa de produ��o cinematogr�fica Total Filmes. O custo deve chegar a R$ 600 mil e ser� dividido entre os parceiros privados do projeto.
  15. 15. 15 Microf�ssil encontrado muitas vezes associado em locis com pegadas f�sseis N�o � de hoje que pesquisadores sabem da exist�ncia de marcas de dinossauros no Brasil. O primeiro registro � da d�cada de 20, feito pelo engenheiro de minas brasileiro, Luciano Jacques de Moraes, quando trabalhava para o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs). Ele encontrou duas pegadas na bacia do rio do Peixe, em Sousa, Para�ba, onde hoje h� um parque tem�tico, em cujo museu pode-se ver reconstitui��es dos dinossauros que teriam vivido ali. A hist�ria se prolongou, passando pelo paleont�logo Llewelly Ivor Price e o ge�logo brasileiro Di�genes de Almeida Campos, at� que entrou para a cole��o de pesquisas sobre dinossauros do padre Giuseppe Leonardi. A partir de 79 e durante boa parte da d�cada de 80, Leonardi estudou exaustivamente as pegadas, at� construir r�plicas dos principais de seus donos. A ele se deve grande parte do que se sabe hoje sobre os s�tios geol�gicos de Sousa. S�o 22 no total, incluindo as bacias de Sousa e Uira�na-Brejo das Freiras, com mais de 395 indiv�duos dinossaurianos. Podem haver outros s�tios, avalia o paleont�logo Ismar de Souza Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente, Leonardi se encontra na Austr�lia atr�s de outras pegadas, que se sup�em de dinossauros. A expedi��o passar� por Sousa, para o registro cinematogr�fico das pegadas, mas os paleont�logos aproveitam a visita para buscar outros registros. O coordenador da viagem, o paleont�logo S�rgio Alex de Azevedo, explica que a regi�o � a melhor do pa�s para observar esse tipo de f�ssil, chamado pelos pesquisadores de icnof�sseis, que s�o pegadas e pistas.
  16. 16. 16 O primeiro s�tio a ser visitado ser� a Chapada do Araripe, em Santana do Cariri (CE), pr�ximo aos munic�pios de Crato e Juazeiro do Norte. Essa forma��o fossil�fera inclui trechos do Cear�, Piau� e Pernambuco, mas a maioria dos f�sseis descritos � do Cear�. H� registro de f�sseis de vegetais, animais invertebrados, peixes, anf�bios, lagartos, crocodilos, quel�nios, al�m de dinossauros e pterossauros, que s�o outra fam�lia de grandes r�pteis.
  17. 17. 17 Pegadas de dinossauros encontradas na regi�o de S�o Luis (MA), em rochas com 80 milh�es de anos
  18. 18. 18 H� uma informa��o curiosa sobre Santana do Cariri que, ao chegar no meio cient�fico, intrigou os pesquisadores. At� os anos 60, acreditava-se que as rochas ali encontradas datavam do per�odo devoniano da era paleoz�ica, com cerca de 350 milh�es de anos. Com as pesquisas desenvolvidas desde ent�o e a descoberta de f�sseis, como os conchostr�ceos, descobriu-se que a Forma��o de Santana � do Cret�ceo, muito mais jovem, com cerca de 110 milh�es de anos. O Cret�ceo � o �ltimo per�odo da era Mesoz�ica, quando viveram dinossauros e pterossauros. Foi nesse per�odo que os dinossauros se extinguiram. Pteurossauros eram grandes r�pteis voadores, de outra fam�lia, quase confundidos com dinossauros. E Conchostr�ceos foram crust�ceos que possu�am duas conchas e surgiram durante o cret�ceo. O �ltimo s�tio a ser visitado pelos aventureiros-cientistas est� no Maranh�o. � a Laje do Coringa, na Ilha do Cajual, pr�xima � cidade de Alc�ntara. De acordo com Marcos Didonet, diretor do Cima, a hist�rica cidade de Alc�ntara ser� objeto das filmagens. "Vamos retratar durante toda a viagem os an�nimos que fazem o Brasil, suas hist�rias, costumes e sua cultura", conta. Assim, as bel�ssimas paisagens que desabrocharem diante das c�maras ser�o tamb�m registradas. Em Alc�ntara, a equipe ter� o apoio da Aeron�utica, que administra o centro brasileiro de lan�amento de foguetes. O pessoal do Cima pretende filmar ainda os ninhais de p�ssaros Guar�, que ficam nas Ilhas Maranhenses e um ex-quilombo, da comunidade de Santana do Cariri. Didonet afirma que recebeu algumas propostas de TVs abertas e fechadas para transmitir o document�rio de 50 minutos que retratar� a expedi��o dos paleont�logos. Ele, no entanto, n�o revela quem o procurou. "Como n�o fechamos com ningu�m, n�o posso adiantar quem s�o os interessados", justifica. H� pelo menos seis meses, sua equipe realiza outras viagens, mais curtas, para contatar pessoas que trabalham nas localidades a serem visitadas. Dessa fase pr�-expedi��o, saiu uma fita de demonstra��o de cinco minutos do document�rio educativo e outra resumindo a viagem em si, com dura��o de dez minutos. O Cima atua h� 14 anos em projetos de educa��o ambiental e a Total Filmes j� participou de produ��es como o registro do Festival de Cinema do Rio e na parceria com empresas cinematogr�ficas estrangeiras, como as norte-americanas Columbia Pictures e Fox. Al�m do material em v�deo, o grupo produzir� cinco livros infantis, onde o dinossauro ser� o protagonista, mostrado em situa��es que simulam como era sua vida, seus h�bitos e sua rela��o com o meio ambiente. Para S�rgio Alex de Azevedo, que coordenar� os trabalhos cient�ficos, o document�rio � uma forma de ampliar as informa��es ao p�blico sobre o est�gio atual da paleontologia brasileira, e disseminar esses estudos nas salas de aula, seja de ensino fundamental ou m�dio. "� preciso levar ao
  19. 19. 19 conhecimento do p�blico o fato da exist�ncia dos dinossauros no Brasil e, como h� um interesse natural para o tema, pode haver tamb�m uma influ�ncia na fixa��o do conhecimento na �rea de ci�ncias, tendo como condutores os dinossauros", observa o paleont�logo. (Lana Cristina/Fotos: Divulga��o) O pa�s tem oito esp�cies de dinossauros e pterossauros descritas Inseto f�ssil da Bacia do Araripe com cerca de 100 milh�es de anos Bras�lia, 19 (Ag�ncia Brasil - ABr) - As descobertas mais surpreendentes de ossadas de dinossauros, desde que o termo foi usado pela primeira vez no s�culo XIX, certamente foram registradas nos �ltimos anos, no Brasil e na Argentina. Foi no Rio Grande do Sul, por exemplo, que pesquisadores ingleses encontraram parte dos ossos de um dos dinossauros mais primitivos do mundo, o Staurikosaurus pricei. Foi a primeira vez que se nomeou um dinossauro brasileiro. Hoje, s�o oito esp�cies formalmente descritas. Isso foi nos anos 60, mas desde a d�cada de 50 pesquisadores alem�es estudavam a possibilidade do Brasil ter em suas rochas sedimentares restos de ossos de dinossauros, termo comum que designa a fam�lia dinossauria, descrita pela primeira vez em 1842, pelo paleont�logo ingl�s Richard Owen.
  20. 20. 20 O termo dinossauro, empregado largamente para outras fam�lias de grandes r�pteis como os pterossauros, significa "lagartos terr�veis" em grego e nomeou um grupo especial de animais at� ent�o desconhecidos. Depois, na d�cada de 70, dois ge�logos brasileiros (Arid e Vizotto) encontraram ossadas do Antarctosaurus brasiliensis, em S�o Paulo. H� uma quebra nas descobertas de ossadas, ou talvez, na descri��es dos animais, retomadas a partir dos anos 90. Foi quando paleont�logos encontraram os espinossaur�deos Irritator e Angaturama, no Cear�, e o Gondwanatitan faustoi, tamb�m em S�o Paulo. Ainda do Cear�, h� um dinossauro ter�pode, considerado um parente distante do Tiranosaurus rex. � o Santanaraptor placidus, um animal b�pede, carn�voro e extremamente r�pido na locomo��o. Uma reconstitui��o desse dinossauro est� exposta no Museu de Ci�ncias da Terra, do Departamento Nacional de Produ��o Mineral (DPNM), no Rio de Janeiro. Pela sequ�ncia de descobertas, vem o Staurikosaurus, de 1970, o Antarctosaurus, de 1971, o Irritator challengeri (descrito em 96 por pesquisadores na Inglaterra), e o Angaturama limai, tamb�m de 1996. Os quatro restantes foram todos achados em 1999, o Guaibasaurus candelarai, o Gondwana faustoi, o Saturnalia tupiniquim e o Santanaraptor. Para o paleont�logo Di�genes de Almeida Campos, do DNPM, as descobertas feitas no Brasil, bem como as na Argentina, ajudam a entender como era a fauna no hemisf�rio Sul, em eras geol�gicas. "Passamos a dispor de dados diferentes daqueles apresentados por pesquisadores do hemisf�rio Norte, trazendo assim um novo quadro para a pesquisa geol�gica", avalia. Em 1970, ele come�ou a fazer prospec��es em Santana do Cariri, a servi�o do DNPM, com o objetivo de reunir o material coletado em museu e, assim, preservar os f�sseis e o local onde eles afloravam. "� ir�nico porque se n�o escavar n�o acha o f�ssil, mas o lugar vai ficando um pouco desfigurado com as escava��es", observa. Vest�gios de seres foram encontrados por ele, at� que em 85 Campos descreveu o que chama de um tipo de primo do peixe, o pterossauro Anhanguera. Algumas pe�as desse animal est�o expostas no Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri, que tem um acervo de mais de 750 pe�as de f�sseis coletados na regi�o. Depois, com seu aluno de doutorado Alex Kellner, ele descreveu outros dois pterossauros, o Tapejara e o Tupuxuara. H� tr�s anos, foi descrito o Tapejara imperator animal de porte m�dio que tinha uma enorme crista, maior at� que ele mesmo. "� preciso aprofundar os estudos, n�o se sabe, por exemplo, para que servia esse adere�o, se para seduzir a f�mea ou para outro fim", explica.
  21. 21. 21 Foi tamb�m Di�genes Campos quem encontrou o Angaturama, especificamente a parte anterior do cr�nio e dentes. Um detalhe que se abstraiu dessa descoberta foi a dieta desse espinossaur�deo, que devia comer somente peixe e, por isso, devia viver perto de um lago salgado e raso. Angaturama quer dizer, na linguagem ind�gena, companheiro de viagem. Outro indiv�duo de um grupo raro entre os dinossauros, encontrado por ele, foi o Baryonyx que significa unha pesada. Essa fam�lia tamb�m comia peixes e � rara porque n�o tem os dentes serrilhados, como � comum nos dinossauros. Para Campos, � preciso buscar mais e mais f�sseis de dinossauros no Brasil e estud�-los. "Cada descoberta, traz mais luz sobre a hist�ria da evolu��o da vida", justifica. Hoje, junto com outros paleont�logos, ele descreve um dinossauro encontrado h� 30 anos por Price, em Mato Grosso, na Chapada dos Guimar�es. O animal n�o fora descrito ainda por falta de dados suficientes, mas com achados recentes na Argentina, os pesquisadores brasileiros obtiveram elementos para a tarefa. Campos acredita ter a descri��o pronta ainda este ano. Ele considera o Brasil um lugar extremamente rico para a pesquisa paleontol�gica, especificamente, sobre os grandes r�pteis, porque s� aqui foi encontrado tecido mole dos dinossauros. "Isso permitir� a an�lise dos tecidos, para entendermos a anatomia mole do animal, descrever os vasos sang��neos, saber como era sua temperatura corporal", completa. (Lana Cristina/Foto: Divulga��o)
  22. 22. 22 Brasil � rico em f�sseis de dinossauros Pista de dinossauro do per�odo cret�ceo, datada de 140 milh�es de anos, encontrada em Sousa (PB), no Parque Vale dos Dinossauros Bras�lia, 19 (Ag�ncia Brasil - ABr) - O f�ssil � a �nica forma de se comprovar a exist�ncia de algum animal em outras eras j� que, por defini��o, � o resto ou vest�gio de seres org�nicos que deixaram suas impress�es nas rochas da crosta terrestre. Assim, em locais onde h� rochas sedimentares com a
  23. 23. 23 mesma idade dos dinossauros � poss�vel encontrar f�sseis desses r�pteis. Con�fera com 100 milh�es de anos encontrada em Crato (CE).� a esp�cie de vegetal mais comum no tempo dos dinossauros Para auxiliar o posicionamento temporal das rochas e f�sseis, pode ser feita uma data��o baseada na an�lise do p�len ou de esporos(estruturas reprodutivas de fungos) fossilizados. O Brasil, por apresentar grandes bacias sedimentares, � considerado um pa�s de razo�vel patrim�nio f�ssil. H� s�tios paleontol�gicos de norte a sul, alguns descobertos h� quase cem anos e outros mais recentes. O paleont�go Ismar de Souza Carvalho, do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro descobriu, entre os anos de 91 e 92 nas praias ao norte da ilha de S�o Lu�s e na Praia da Baronesa, perto de Alc�ntara, Maranh�o, pegadas de dinossauros. � tamb�m no Maranh�o que se localiza a maior ocorr�ncia aflorante de f�sseis de dinossauros no Brasil, a "Laje do Coringa", que fica na costa oeste da Ilha do Cajual, na ba�a de S�o Marcos, perto de S�o Lu�s. Ela foi descoberta em 1994 pelo ge�logo Francisco Jos� Corr�a Martins, da UFRJ e Minist�rio do Ex�rcito, atrav�s da an�lise de imagens de sat�lite e fotografias a�reas. O trabalho de Corr�a Martins resultou em um mapa
  24. 24. 24 geol�gico detalhado da regi�o, que vem sendo utilizado por outros pesquisadores. Cr�nio de um crocodilo que viveu no tempo dos dinossauros, encontrado em Itapecu-Mirim (MA) No Acre, h� registro de f�sseis de um crocodilo gigante. Em S�o Paulo, h� v�rias localidades como Monte Alto, Mar�lia, Presidente Prudente e �lvares Machado. S�o s�tios registrados na bacia do Paran�. Bem perto desses munic�pios, est� o s�tio de Peir�polis (MG), cidade a 25 Km de Uberaba, no Tri�ngulo Mineiro. L�, h� um museu tem�tico exclusivo de dinossauros, cuja atividade agrega o trabalho de quase 300 moradores. A hist�ria da cidade � t�o interessante quanto o pr�prio museu. H� mais de 20 anos, a atividade econ�mica que imperava era a explora��o de calc�reo. As pedreiras traziam grande preju�zo ambiental, como a polui��o da �gua e a densa quantidade de poeira em suspens�o. A popula��o tentou, por v�rias vezes, sem sucesso, a paralisa��o da pedreira. Eles se juntaram, unidos numa associa��o de moradores, a uma organiza��o n�o-governamental ambiental e propuseram � prefeitura que se fosse encontrado um f�ssil (j� se tinha not�cia da descoberta de ossadas), a pedreira encerraria suas atividades. Foi preciso, no entanto, que um juiz, no in�cio da d�cada de 80, embargasse a atividade. A prefeitura investiu na constru��o do museu e no treinamento de funcion�rios. A atividade cresceu de tal forma que est� ligada � cooperativas de doces e guloseimas, envolvendo 300 empregos diretos e indiretos. "O retorno financeiro da visita��o � maior", registra Ismar de Souza Carvalho. � de Peir�polis a �nica ocorr�ncia de ovos de dinossauros fossilizados, de ter�podes. O paleont�logo lista ainda Monte Alto, em S�o Paulo, cidade de 10 mil habitantes que tamb�m tem um museu tem�tico. "O museu tem uma
  25. 25. 25 visita��o de duas mil pessoas por m�s e um trabalho educativo muito interessante". Especialista em Cret�ceo, Ismar Carvalho considera os dep�sitos fossil�feros de Crato, no Cear�, extremamente ricos em f�sseis desse per�odo. "Os melhores afloramentos do cret�ceo provavelmente estejam no Cariri", postula. H� em Santana do Cariri um dos mais modernos museus de f�sseis, segundo sua avalia��o. S�o 750 pe�as de f�sseis de dinossauros, pterossauros, insetos, flores, plantas e aranhas. A concep��o � de Maria Elisa Costa, filha do arquiteto L�cio Costa, e de Marcelo Suzuki. Outro s�tio destacado pelo pesquisador � o de Mata, no Rio Grande do Sul, munic�pio pr�ximo a Santa Maria. Ali, est� um dos maiores dep�sitos de floresta petrificada, que durante uma �poca esteve comprometido devido � atividade intensa de mineradoras na regi�o. No local, um padre, hoje com quase 90 anos de idade, o italiano Daniel Cargnin, foi o respons�vel pela preserva��o dos f�sseis. "Ele brigou com todo mundo at� que as mineradoras foram saindo e ainda conseguiu que se preservasse uma grande �rea", conta Ismar. H� bons dep�sitos de copr�litos, que s�o fezes f�sseis, em Uberaba, Monte Alto e Mar�lia. Esse material � uma boa fonte de pesquisa sobre os h�bitos alimentares dos animais a que pertenceram e, conseq�entemente, d�o pistas sobre a cadeia alimentar (ou seja, que organismo servia de alimento para outro). Ainda no Nordeste, Ismar destaca o imenso s�tio paleontol�gico, que engloba as bacias de Sousa, Uira�na, Brejo-da-Freira, Pombal (PB), e Cedro e Araripe (CE). � a maior ocorr�ncia de pegadas de dinossauros, com milhares de pegadas j� mapeadas, embora nem todas descritas. Em Sousa, foi fundado em julho de 1998 o Parque Vale dos Dinossauros que, desde ent�o, j� recebeu 45 mil pessoas, segundo seu coordenador, Robson de Ara�jo Marques. H� um museu no parque, com material educativo e algumas r�plicas de dinossauros. O p�blico visita as pegadas em passarelas suspensas, constru�das para que ningu�m pise na �rea fossilizada. "Recebemos visitas at� de estrangeiros", conta Robson de Ara�jo. � na Ilha do Cajual, onde fica a Laje do Coringa, no entanto, onde est� a maior concentra��o de f�sseis de dinossauros por metro quadrado. "H� tantos f�sseis que quase n�o existe rocha, � quase tudo camada de areia e ossos", conta Ismar Carvalho. A superf�cie de exposi��o � de, no m�ximo quatro quil�metros, segundo avalia��o do paleont�logo, no entanto, os pesquisadores t�m retirado toneladas de f�sseis.
  26. 26. 26 Santana do Cariri, Sousa, Monte Alto, Peir�polis. Cidades pequenas, fora do centro detentor de conhecimento. Ismar v� com entusiasmo essa caracter�stica positiva da evolu��o da paleontologia no Brasil. "� uma a��o peculiar essa a de descentralizar a deten��o do conhecimento, que sai dos grandes centros urbanos e vai para o interior", observa. Devido � import�ncia cient�fica das jazidas fossil�feras, h� um grupo de pesquisadores preocupados com sua preserva��o. H� cerca de dois anos, formaram a Comiss�o Brasileira de S�tios Geol�gicos e Paleobiol�gicos (Sigep), que deve encaminhar ainda este ano uma lista com os s�tios nacionais que poderiam se candidatar ao t�tulo de patrim�nio mundial, dado pela Unesco (ag�ncia da ONU para educa��o, ci�ncia e cultura). Segundo Di�genes de Almeida Campos, que preside a comiss�o, ainda este ano ser� publicado um livro com 70 s�tios. A obra trar� fotos, m�todos usados para preserva��o, descri��o suscinta do s�tio e o que representa na hist�ria da evolu��o da Terra, al�m de quais crit�rios s�o adotados para que seja caracterizado como s�tio geol�gico. O objetivo, com o livro, � chamar aten��o das autoridades para a import�ncia da preserva��o dos s�tios. "Conserv�-los � fundamental devido ao interesse cient�fico e at� mesmo tur�stico. Afinal, muitos se tornam ponto de visita��o e � preciso que as pessoas saibam fazer o turismo cient�fico com cuidado", observa Di�genes Campos. At� hoje, o t�tulo de Patrim�nio Mundial s� foi dado ao Pantanal, enquanto ecossistema de �reas inundadas e as Cataratas do Igua�u, devido seu valor ambiental. (Lana Cristina/Fotos: Divulga��o) F�sseis ajudam no conhecimento do ambiente das diversas eras Bras�lia, 19 (Ag�ncia Brasil - ABr) - O legado mais rico dos f�sseis encontrados por pesquisadores no mundo inteiro talvez seja entender como foi o meio ambiente em eras passadas e, assim, como viviam esses animais, de que se alimentavam, quais eram seus h�bitos. � poss�vel ter uma id�ia de tudo o que a geologia e paleontologia, que s�o ci�ncias irm�s, j� descobriram s� pelo n�mero de esp�cies de dinossauros descritas desde que Owen usou o termo pela primeira vez em 1842. S�o mais de mil, pelos f�sseis achados por todo o globo. O estudo das eras geol�gicas, por exemplo, � feito pela geologia. As eras s�o cada fase de amadurecimento da Terra e foram divididas de acordo com
  27. 27. 27 sua evolu��o desde seu nascimento. Hoje, acredita-se que a Terra exista h� 4,570 milh�es de anos e � primeira fase do desenvolvimento denominou-se era pr�-cambriana, que durou at� 570 milh�es de anos. Em seguida, veio a era paleoz�ica, que termina em 289 milh�es de anos. A era em que nasceram, viveram e morreram os dinossauros foi a mesoz�ica. Dividida em tr�s per�odos, o tri�ssico, o jurr�ssico e o cret�ceo, foi neste �ltimo que surgiram alguns vegetais importantes como as flores. De acordo com Ismar de Souza Carvalho, especializado no Cret�ceo, o surgimento de flores, por exemplo, pode estar associado com a extin��o dos dinossauros. "H� uma corrente que prega isso. Com as flores, que fugiam da dieta dos dinossauros, eles morreram de fome", conta. H� ainda os que dizem que houve uma explos�o de insetos por causa das flores e isso teria desestabilizado o meio ambiente. Outro grupo da geologia acha que a extin��o dos grandes r�pteis est� associada a grandes transforma��es ecol�gicas e ambientais, o que � refutado por outros que n�o acreditam que s� se extinguiriam os dinossauros nesse contexto. Os primeiros cr�em que, com a forma��o do Oceano Atl�ntico, no per�odo cret�ceo, os dinossauros n�o sobreviveram �s novas condi��es de umidade. A umidade n�o � favor�vel ao desenvolvimento de r�pteis. � que, antes disso, a Terra era uma massa continental s�, chamada Pang�ia. Ao fim da era Paleoz�ica, a Pang�ia se dividiu em duas superf�cies terrestres, a Laur�sia, que seria o hemisf�rio Norte e a Gondwana, que seria o hemisf�rio Sul. Na interpreta��o de Ismar Carvalho, essa divis�o talvez explique por que o Rio Grande do Sul tem exemplares dos dinossauros mais primitivos. Antes da divis�o, os ancestrais desses dinossauros primitivos poderiam ter vivido ali, porque era na por��o Sul da Pang�ia onde havia a condi��o de umidade mais in�spita. "O Rio Grande do Sul, que est� no contexto do hemisf�rio Sul, no meio dessa massa continental gigantesca, pode ser hoje a regi�o onde habitaram ent�o os dinos mais antigos", pressup�e. Mestre e doutor em geologia, Ismar Carvalho se especializou, em 16 anos de estudos, nos ecossistemas terrestres do Cret�ceo, especificamente num intervalo entre 140 milh�es e 100 milh�es de anos. "Alguns grupos f�sseis s�o excelentes indicadores dos ecossistemas e tamb�m microf�sseis associados com pegadas". Ele estudou por v�rios anos as pegadas de Sousa, na Para�ba, e explica que ali dificilmente haver� ossadas de dinossauros. "As condi��es de preserva��o de ossos e dentes s�o bem diferentes para o modo de preserva��o das pegadas", explica. Al�m disso, Carvalho destaca a import�ncia econ�mica da paleontologia. "� datando rochas e descobrindo f�sseis que � poss�vel descobrir onde est�o os extratos geradores de �leo e g�s, por exemplo", observa. A vertente
  28. 28. 28 econ�mica est� presente ainda na ind�stria cultural, com a produ��o de filmes, livros e camisetas, cujo mote s�o dinossauros e outras descobertas da ci�ncia que suscitem a simpatia do p�blico. O forte apelo popular dos dinossauros � para Carvalho a prova da necessidade que o homem tem de entender de onde veio e por que est� aqui. "Todos se perguntam por que os dinossauros foram extintos e n�o outros animais. Estar�amos pass�veis de sermos extintos caso ocorresse o mesmo evento ambiental que devastou os dinossauros da Terra?" As perguntas s�o muitas e a ci�ncia ainda n�o tem todas as respostas, embora os estudos sejam abundantes. E o Brasil tem forte potencial para explicar muito. Isso porque 3/4 de seu territ�rio � ocupado por f�sseis. "H� muito o que descobrir ainda", diz Di�genes de Almeida Campos que, em estudo publicado numa revista cient�fica, lamenta o limitado n�mero de publica��es sobre dinossauros, por exemplo. Para ele, o problema maior � a escassez ou quase aus�ncia de recursos para estudos que englobam a coleta de f�sseis. Outros fatores colaboram, um � que a maioria dos s�tios est� coberta por extensa vegeta��o, e outro � que h� poucos paleontologistas que se dedicam ao estudo de vertebrados. O curso de paleontologia n�o existe na gradua��o. A �rea est� associada aos cursos de p�s-gradua��o em geologia, com atua��o em paleontologia. A defini��o de paleontologia, segundo o Dicion�rio Brasileiro de Ci�ncias Ambientais (Thex, 1999), �: "ci�ncia que estuda os seres vivos que existiram nos diversos per�odos da hist�ria da Terra. Gra�as � paleontologia, os ge�logos puderam definir e caracterizar as mudan�as na coluna geol�gica. A determina��o da idade dos terrenos pode ser feita com relativa seguran�a, quando baseada em dados fornecidos pela paleontologia. Os f�sseis, encontrados em certos dep�sitos, s�o fundamentais para o desenvolvimento dessa ci�ncia". Segundo c�lculos da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP), h�, no m�ximo, 30 paleont�logos no pa�s. Eles s�o de grupos que surgiram da p�s- gradua��o das universidades Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), tamb�m no Rio Grande do Sul, na Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cujos paleont�logos trabalham junto ao Museu Nacional, na Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), no Instituto de Geoci�ncias da USP e tamb�m o grupo do campus da Universidade Estadual de S�o Paulo (Unesp), em Rio Claro. Segundo Ant�nio Carlos Sequeira, vice-presidente da SBP, haver� um congresso de paleontologia ainda este ano, no qual a t�nica das discuss�es ser� os paleovertebrados. "A maioria das universidades hoje se dedica ao estudo de macroinvertebrados, mas creio que os vertebrados sejam um grupo em expans�o no Brasil", avalia o pesquisador. (Lana Cristina)
  29. 29. 29 Nos per�odos Jur�ssico e Cret�ceo dinossauros preferiam S�o Paulo Bras�lia, 19 (Ag�ncia Brasil - ABr) - A regi�o mais populosa do pa�s � tamb�m uma das mais f�rteis em achados f�sseis. Pelo que as descobertas revelam, a �rea que hoje corresponde ao Sudeste e a parte inferior do Centro Oeste, desde o per�odo jur�ssico, era uma regi�o com grande ocorr�ncia de dinossauros. Nessa por��o, que corresponde a bacia do rio Paran�, o Grupo Bauru e a Forma��o Botucatu se destacam como regi�es ricas em achados paleontol�gicos. Uma outra esp�cie de dinossauro, encontrada no Grupo Bauru, deve ser anunciada m�s que vem por pesquisadores do Departamento de Geoci�ncias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro. "� um titanossauro, saur�pode, herb�voro, pesco�udo, com cerca de 15 metros de comprimento e entre 4 e 5 metros de altura", informa Reinaldo Jos� Bertini, paleont�logo que coordena os estudos do departamento. Para se chegar a essa configura��o do animal, os pesquisadores precisaram de apenas seis v�rtebras da cauda, tudo o que restou do animal. Segundo Bertini, esse material possui uma "assinatura caracter�stica" que permite deduzir como era todo o dinossauro. Os maiores animais terrestres j� identificados no planeta eram do grupo dos saur�podes. As principais caracter�sticas desses herb�voros eram a cauda e o pesco�o longos e um corpo avantajado de v�rias toneladas. Os f�sseis desse dinossauro n�o s�o descoberta recente. Estavam depositados no Museu de Geologia do Parque da �gua Branca, em S�o Paulo, desde 1959, quando foram encontrados, durante a constru��o de uma ferrovia no noroeste paulista. O respons�vel pela descoberta foi o ge�logo Rodrigo Santucci que, estudando f�sseis para sua disserta��o de mestrado, deparou-se com aquele material diferente de tudo j� descrito no pa�s e na Argentina. Essa conclus�o refor�a a tese de endemismo das esp�cies encontradas no Grupo Bauru, ou seja, que elas s� ocorrem al�. "Os dinossauros paulistas e triangulinos apresentavam algumas semelhan�as com os argentinos do Cret�ceo Superior. Mas havia algum endemismo na fauna, ou seja, formas exclusivas de S�o Paulo e Tri�ngulo Mineiro", explica Bertini. Uma das hip�teses para a exist�ncia de esp�cies particulares era a diferencia��o clim�tica do Grupo Bauru, mais seco, provocando um "stress" ambiental e gerando um relativo nanismo nos animais. Os f�sseis do Grupo Bauru datam do Cret�ceo Superior e t�m idade entre 70 milh�es e 65
  30. 30. 30 milh�es de anos. Essa �rea � um conjunto de terrenos sedimentares que abrange al�m do oeste paulista e do Tri�ngulo Mineiro, o sul de Goi�s e o leste de Mato Grosso. Outro achado revelador do Grupo Bauru s�o os dentes de deinonicossauros. F�sseis desse tipo s�o prospectados na regi�o h� muito tempo, entretanto a falta de osso n�o permitia a classifica��o dos animais. Com um microsc�pio eletr�nico, a equipe de Rio Claro, verificou que os dentes de deinonicossauros t�m bordas serrilhadas, semelhantes �s dos tem�veis e carn�voros velocirraptores (aqueles que o cineasta norte-americano Steven Spielberg colocou correndo atr�s das crian�as no filme Parques dos Dinossauros). At� ent�o, animais desse tipo s� eram encontrados na Am�rica do Norte. "Esse material n�o � suficiente para determinar grupos e descrever esp�cies mas � poss�vel dizer que os deinonicossauros eram b�pedes carn�voros, providos de cauda longa, com at� dois metros de altura e mais de tr�s metros de comprimento", informa Bertini. A presen�a deles na Am�rica do Sul comprova que houve alguma forma de troca bi�tica e, portanto, liga��o continental entre as am�ricas do Sul e do Norte ao final do Cret�ceo. F�sseis de carnossauros, na forma de fragmentos cranianos e dentes, tamb�m s�o encontrados no Grupo Bauru. Esses, eram dinossauros b�pedes, carn�voros e eventualmente necr�fagos, com cabe�a grande, patas posteriores musculosas e cauda robusta e longa de at� sete metros de altura e doze metros de comprimento. Como n�o s� os dinos interessam aos paleont�logos, restos de peixes (cerca de seis grupos diferentes),testudinos (tartarugas), crocodilomorfos, lacert�lios (lagartos), of�dios (serpentes) e mam�feros (alguns dos mais antigos do pa�s) s�o prospectados no Grupo Bauru. Na Forma��o Botucatu s�o encontrados os �nicos registros de dinossauros brasileiros do per�odo jur�ssico. No centro do estado de S�o Paulo existem dep�sitos de arenitos e�licos de colora��o avermelhada, que cobriam um grande deserto, onde est�o gravadas pegadas de celurossauros e ornit�podos cuja idade seria entre 180 milh�es e 150 milh�es de anos. N�o h� f�sseis de dinossauros na Forma��o Botucatu, apenas pegadas, fato atribu�do ao ambiente deserto. As primeiras descobertas na Forma��o Botucatu datam de 1911, quando o engenheiro de minas Joviano Pacheco descobriu em uma laje de pavimenta��o de uma cal�ada da cidade de S�o Carlos uma pista de tetr�pode. A origem dessa laje era uma pedreira pr�xima a Araraquara. Por sinal, o cal�amento das cidades na regi�o de Araraquara � rico em icnof�sseis.
  31. 31. 31 Conta-se que em 1976, viajando pelo interior paulista, o padre italiano Giuseppe Leonardi, o mesmo que havia pesquisado as pegadas de dinossauros em Sousa (PB), identificou nas lajes usadas para cal�amento da cidade de Araraquara pegadas de r�pteis. N�o conseguindo sensibilizar o prefeito quanto a import�ncia da descoberta, o padre retirou, a revelia, algumas lajes e levou-as para o Departamento Nacional da Produ��o Mineral, no Rio de Janeiro, onde est�o at� hoje. Estudos mostraram que o padre tinha raz�o, as pegadas tinham 180 milh�es de anos. Das esp�cies com pegadas identificadas, os celurossauros s�o descritos como b�pedes, carn�voros, com pesco�o flex�vel e cauda longa, medindo entre 60 cent�metros e 1,5 metros de altura, e entre um e 2,5 metros de comprimento. Os ornit�podos podiam ser b�pedes ou quadr�pedes, com cauda relativamente longa, a altura variava entre 1,8 e quatro metros e o comprimento entre 2,5 e seis metros. Os dinossauros do cret�ceo superior, encontrados no Grupo Bauru, talvez foram os �ltimos a habitar a regi�o que hoje corresponde ao territ�rio nacional. A extin��o dos dinossauros, h� 65 milh�es de anos, marca o fim do per�odo cret�ceo. A teoria mais aceita para explicar a extin��o desse animais � a queda de um meteoro na Terra. A cratera de Chicxulub, no M�xico, com di�metro de 200 quil�metros, � apontada como ponto de colis�o desse aster�ide, que pelo tamanho da cratera gerada tinha um di�metro de 10 quil�metros. O impacto dessa explos�o teria lan�ado toneladas de cascalho e poeira no ar e provocado erup��es vulc�nicas o que criou uma densa nuvem de fuma�a que bloqueava a luz do sol, causando a morte dos animais por inani��o. N�o havendo plantas, n�o havia alimento para os herb�voros; sem os herb�voros, os carn�voros n�o tinham o que comer. (Hebert Fran�a) Dinossauros surgiram no sul da Am�rica do Sul Bras�lia, 19 (Ag�ncia Brasil - ABr) - Os f�sseis de dinossauros mais antigos j� identificados no mundo foram encontrados na regi�o central do Rio Grande do Sul, e no noroeste da Argentina, na regi�o da Patag�nia. Os esqueletos desses animais datam do per�odo tri�ssico e t�m mais de 220 milh�es de anos. Essas descobertas levantam a hip�tese de que os dinossauros tenham surgido na Am�rica do Sul e se espalhado pelo resto do mundo. Vale lembrar que, durante o Tri�ssico, havia apenas uma grande massa continental, a Pang�ia, que se concentrava na linha do Equador, com pouca varia��o de temperatura.
  32. 32. 32 Pelo menos quatro esp�cies de dinossauros j� foram descritas de f�sseis retirados no Rio Grande do Sul. As forma��es geol�gicas de Sanga do Cabral, Santa Maria e Caturrita, todas no estado, est�o assentadas em rochas sedimentares do Tri�ssico, ricas em f�sseis de r�pteis, entre eles os dinossauros. O habitat desses animais era composto por con�feras (pinheiros) de at� 30 metros, samambaias e o solo era forrado por vegeta��o rasteira. Havia tamb�m boa oferta de �gua, com v�rios rios e lagos. Um das esp�cies que viveu durante esse per�odo foi descoberta recentemente. Trata-se de um dinossauro pequeno, prossaur�pode (um dos primeiros tipos de dinossauros a surgir na Terra), de um metro, com 228 milh�es de anos. O animal, ainda sem nome, foi encontrado no ano passado, em Agudo, a 250 quil�metros de Porto Alegre. A descoberta coube ao paleont�logo Jorge Ferigolo, respons�vel pelo Museu de Ci�ncias Naturais, da Funda��o Zoobot�nica do Rio Grande do Sul. Foram achadas v�rtebras, f�mures, dentes e peda�os de mand�bulas, pertencentes a cerca de 20 indiv�duos. Pela an�lise da ossada, Ferigolo acredita que essa esp�cie era herb�vora e complementava sua dieta com insetos. A estrutura corporal leve, com ossos longos e ocos, indica, ainda, que esses dinos eram �geis para fugir dos predadores. � prov�vel que esses animais serviam de alimento para esp�cies carn�voras, entre os fragmentos foi encontrado um dente de carn�voro. Uma particularidade desse pequenino antepassado dos grandes dinossauros � que ele provavelmente pertence aos ornitisquios, uma das grandes subdivis�es da ordem dos dinossauros. "Esse � possivelmente o mais importante ornitisquio j� encontrado, porque � o mais completo do Tri�ssico", afirma Ferigolo. Os outros dinossauros desse per�odo, encontrados no pa�s, pertencem ao grupo dos saurisquios. O herb�voro Triceratops � o �nico dino origin�rio do grupo dos ornitisquios. Dos saurisquios evolu�ram tanto herb�voros como o Apatosauro, quanto carn�voros como o Tyranosaurus rex. Outra importante descoberta foi feita em 1998, por um grupo de profissionais do Laborat�rio de Paleontologia do Museu de Ci�ncias e Tecnologias da Pontif�cia Universidade Cat�lica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Durante uma expedi��o que visava � coleta de f�sseis de r�pteis e peixes eles se depararam com ossos de um animal diferente de tudo o que conheciam. Posteriormente denominado de Saturnalia tupiniquim, essa esp�cie media aproximadamente um metro, tamb�m eram esguios e �geis. Max Langer, um dos palent�logos respons�veis pela descoberta est� na Universidade de Bristol, Reino Unido, estudando a esp�cie em busca de mais detalhes. Na equipe da PUCRS que encontrou o Saturnalia estava a pesquisadora Maria Cl�udia Malabarba, cuja especialidade s�o os f�sseis de peixes.
  33. 33. 33 Antes do Tri�ssico, a regi�o de Santa Maria foi primeiro um oceano e depois um lago que h� 250 milh�es de ano secou deixando restos de v�rios r�pteis aqu�ticos. Diferente dos dinossauros, como explica Maria Cl�udia, "os peixes que povoam os mares e rios atualmente est�o na mesma linha evolutiva dos peixes do Tri�ssico. Como o ambiente era diferente ao dos dinos eles n�o foram extintos". Os f�sseis de peixes do Tr�assico ga�cho est�o depositados em sedimentos de maior profundidade, por isso � grande a possibilidade de se encontrar fragmentos de outras esp�cies quando das escava��es. O primeiro dinossauro encontrado no RS foi um Staurikosaurus pricei, coletado na regi�o de Santa Maria, em 1936. A ossada desse animal est� no Museu de Zoologia Comparada de Harvard, nos Estado Unidos. Os animais dessa esp�cie, tamb�m do Tri�ssico, n�o chegavam a dois metros de comprimento e eram carn�voros. Tamb�m j� foram prospectados fragmentos de cinodontes, parentes distantes dos mam�feros, com denti��o evolu�da, apresentando caninos, molares e incisivos. Dinossauros do Tri�ssico tamb�m j� foram encontrados na Alemanha e na �frica do Sul, essas esp�cies possu�am semelhan�as com seus contempor�neos sul-americanos. Entretanto, os pesquisadores brasileiros s�o quase un�nimes em propor o sul da Am�rica do Sul como ber�o dos dinossauros. "As descobertas realizadas nas forma��es geol�gicas ga�chas e aquelas que certamente ser�o feitas em breve, colocam como certa a origem dos dinossauros no sul da Am�rica do Sul", arrisca o paleont�logo Fernando Abdala da PUCRS. (Hebert Fran�a) Expedi��o cient�fica "Em Busca dos Dinossauros" chega ao Maranh�o Bras�lia, 16 (Ag�ncia Brasil - ABr) - Os pesquisadores da expedi��o "Em Busca dos Dinossauros", do Museu Nacional do Rio, institui��o ligada � Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), chegam hoje � Ilha do Cajual, no Maranh�o, um dos locais onde h� maior abund�ncia de vest�gios desse grande r�ptil e de outros f�sseis, no Brasil. Antes de seguir para a ilha, onde v�o realizar trabalho de coleta sob supervis�o do grupo de Paleontologia da Universidade Federal do Maranh�o (UFMA), S�rgio Alex de Azevedo, coordenador da expedi��o, Alexander Kellner e Luciana Carvalho concederam entrevista � imprensa, em S�o Lu�s, e aos jornalistas que acompanham a viagem, para esclarecer a pol�mica
  34. 34. 34 gerada sobre a �tica do grupo do Museu Nacional na condu��o dos trabalhos. Na semana passada, o chefe do laborat�rio de Paleontologia, ligado ao Departamento de Biologia da UFMA, professor Manuel Medeiros, distribuiu nota � imprensa de todo o pa�s na qual mostra indigna��o com a conduta dos pesquisadores do Rio, que ele considerou anti-�tica. Segundo ele, S�rgio Alex divulgou a informa��o de que um membro da equipe do Museu Nacional teria descoberto a Ilha do Cajual - que fica pr�xima a S�o Lu�s e a Alc�ntara - como importante s�tio fossil�fero. Ele disse tamb�m que Alex estaria promovendo a expedi��o para identificar cinco novas esp�cies de dinossauros, cujos ossos j� teriam sido coletados por sua equipe. Medeiros e seus alunos realizam pesquisas e coletam material na ilha h� pelo menos seis anos. Segundo a nota de Medeiros, os paleont�logos da expedi��o estariam interessados em se apoderar dos f�sseis da ilha, indiscriminadamente, e teriam anunciado que retirariam a Laje do Coringa, onde se concentram os f�sseis, para incorpor�-la ao acervo do Museu Nacional. "O material f�ssil in�dito encontrado nessa expedi��o deve ficar no Maranh�o", defende Medeiros. Para ele, outro fator denuncia a inten��o dos pesquisadores da expedi��o de se apropriarem das descobertas alheias. "Por que eles escolheram s�tios paleontol�gicos s� do Nordeste e n�o de S�o Paulo, Uberaba, Mato Grosso, onde realizam pesquisas ou mesmo no Rio Grande do Sul, onde h� registros dos dinossauros mais antigos?", questiona Medeiros. Na entrevista, S�rgio Alex mostrou documentos e fitas de v�deo, com entrevistas concedidas � imprensa desde que a expedi��o foi divulgada, no ano passado. Com esse material, ele procura deixar claro que nunca pretendeu criar pol�mica. Em entrevista ao Servi�o de Ci�ncia, Tecnologia e Meio Ambiente, da Ag�ncia Brasil, ele j� havia adiantado, no dia em que a equipe chegou a S�o Lu�s (quarta-feira 14), que teria provas de que tudo n�o passa de um mal-entendido. "� tamb�m algo pr�prio da natureza humana", disse, referindo-se ao �mpeto de Manuel Medeiros de defender a pesquisa local. O principal documento apresentado pelo coordenador da expedi��o foi o termo de conduta, assinado entre autoridades locais do Maranh�o, como o governo do estado, a prefeitura de S�o Lu�s, bem como a UFMA e o Museu Nacional, al�m da Fogo F�tuo Expedi��es, respons�vel pela log�stica da viagem e o grupo Centro de Cultura, Informa��o e Meio Ambiente (Cima), que filma a expedi��o.
  35. 35. 35 Alex afirma ainda que nunca atribuiu a descoberta da Laje do Coringa a membros do Museu Nacional. A Laje do Coringa tem cerca de 1 quil�metro de comprimento e 600 metros de largura e foi encontrada pelo ge�logo Francisco Correa Martins, quando desenvolvia sua tese de mestrado pela UFRJ, em 1994. O termo determina que cabe ao grupo da UFMA a triagem do material coletado pelos paleont�logos do Museu Nacional e que ser� permitida a retirada de um peda�o da laje para exposi��o no museu. "At� o tamanho da laje foi motivo de pol�mica. J� ouvi falar em toneladas ou que ir�amos lev�-la inteira para o Rio de Janeiro", conta Alex. O pesquisador ressalta que, pelo termo, pode ser retirado um peda�o de 2m x 2m para o museu e outro do mesmo tamanho para o arquivo do Laborat�rio de Paleontologia da UFMA. Quanto ao fato de o roteiro de viagem incluir s� s�tios do Nordeste, Alex justifica que os f�sseis dessas localidades s�o mais vis�veis ao p�blico leigo e, para efeito de document�rio televisivo, seriam mais pl�sticos. "Os f�sseis que encontramos em Minas ou S�o Paulo, s� depois de identificados e expostos em museus � que s�o plasticamente mais vis�veis", justifica. Pol�micas � parte, a expedi��o continua e est� sendo filmada para ser tema de document�rio produzido pelo Cima, que o vender� a uma emissora de televis�o. Os pesquisadores sa�ram do Rio de Janeiro no dia 3, passaram por Crato, no Cear�, onde foram ao s�tio fossil�fero da Chapada do Araripe, um dos mais ricos em f�sseis do per�do cret�ceo, com idade de 65 milh�es anos. No dia 9, a equipe passou por Sousa, na Para�ba, o maior s�tio de pegadas de dinossauros do pa�s, localizado nas bacias Sousa, Uira�na e Brejo das Freiras, que abriga o Parque Vale dos Dinossauros. Al�m do registro dos f�sseis encontrados nos s�tios visitados, a equipe est� registrando hist�rias da popula��o local e da cultura da regi�o, para compor o document�rio. "At� porque um document�rio s� com descobertas paleontol�gicas seria muito chato", explica Alex. Luiz Fernando Dias Duarte, diretor do Museu Nacional, disse que est� atento aos rumores levantados sobre a viagem dos pesquisadores da institui��o. "Estou ciente de que houve tens�es que eu n�o posso ajuizar, mas posso concluir que isso � pr�prio das rela��es humanas, n�o h� como regular por lei", comenta. Dias Duarte disse ainda que, ao t�rmino da expedi��o - o retorno est� previsto para 2 de mar�o, segundo Alex - ser� marcada uma reuni�o para esclarecer as nuances da pol�mica. Al�m disso, a Sociedade Brasileira de Paleontologia ser� convocada para liderar um debate em torno da institui��o de um C�digo de �tica da pesquisa paleontol�gica. Dias Duarte faz quest�o de ressaltar, no entanto, que sua posi��o � pelo equil�brio entre a particulariza��o e a universaliza��o da ci�ncia. "Ou seja,
  36. 36. 36 deve haver respeito, parceria e solidariedade entre os diversos grupos de pesquisa e a preserva��o das descobertas em benef�cio das comunidades locais. Mas tamb�m n�o se deve, jamais, limitar o car�ter universalista da ci�ncia, que foi o primeiro produto globalizado da cultura universal", postula. (Lana Cristina) Expedi��o cient�fica exp�e crise entre pesquisadores Bras�lia, 23 (Ag�ncia Brasil - ABr) - A expedi��o cient�fica "Em Busca dos Dinossauros" chega ao fim desta semana com saldo negativo. Ap�s vinte dias de viagem pelo Cear�, Para�ba e Maranh�o, procurando vest�gios desses enormes r�pteis que viveram at� 65 milh�es de anos atr�s, sobraram declara��es desencontradas, acusa��es e mal-entendidos. Al�m disso, ficou claro que h� uma crise entre pesquisadores do setor de paleovertebrados do Museu Nacional do Rio, que organizaram a expedi��o, e pesquisadores do Laborat�rio de Paleontologia da Universidade Federal do Maranh�o (UFMA) e do departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, � ligado � UFRJ. O campus da universidade fica na Ilha do Fund�o. A localidade dos dois remete outros pesquisadores a apelidarem a disputa de QuintaxFund�o. A crise, dizem paleont�logos que preferem n�o se identificar, � antiga e existe h� cerca de 10 anos. Ela come�ou com pol�mica criada sobre a autoria de alguns estudos ligados a f�sseis brasileiros. Agora, com a expedi��o - que visa ao registro de imagens para produ��o de um document�rio que ser� vendido para uma emissora de TV (n�o se sabe se aberta ou fechada) - veio � tona n�o s� o "racha" na paleontologia, mas tamb�m a necessidade de determinar oficialmente, os limites da atua��o do pesquisador na coleta de f�sseis. Ou seja, a cria��o de uma conduta �tica que, presumivelmente, os cientistas j� teriam decorada. O diretor do Museu Nacional, Luiz Fernando Dias Duarte, disse que convocar� uma reuni�o entre os pesquisadores da expedi��o e a Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP) para esclarecer a crise gerada durante a expedi��o e fomentar o debate sobre o estabelecimento de um c�digo de �tica. "Do ponto de vista informal, defendo um equil�brio entre o particularismo e a universaliza��o da ci�ncia", afirmou Dias Duarte, referindo-se � pol�mica sobre a retirada de f�sseis dos s�tios visitados pela expedi��o.
  37. 37. 37 A querela, na verdade, se restringiu a um dos s�tios visitados, a Laje do Coringa, no Maranh�o. Esse � certamente o s�tio paleontol�gico com mais ocorr�ncias f�sseis do pa�s. Ossos, dentes e vegetais fossilizados - ou seja, cristalizados pela a��o do tempo e dos sedimentos que se sobrepuseram a eles - afloram praticamente a olho nu. A laje tem 1,5 Km de comprimento e 600 metros de largura, fica na Ilha do Cajual, a 20 quil�metros de S�o Lu�s. S� se chega � ilha de catamar�, saindo da capital ou de Alc�ntara. Os pesquisadores do Museu Nacional, sob a coordena��o do paleont�logo S�rgio Alex de Azevedo, programaram a visita ao s�tio para o final da viagem. Mas antes firmaram termo de compromisso, assinado pela Universidade Federal do Maranh�o (UFMA) e �rg�os do estado, no qual ficou estabelecido limites para a coleta de f�sseis. Pelo termo, o controle da prospec��o ficou a cargo do Laborat�rio de Paleontologia, do departamento de Biologia da UFMA, especificamente sob a coordena��o de Manuel Alfredo de Medeiros. � ele quem coordena o laborat�rio e estudos feitos por alunos do departamento na Laje do Coringa. Medeiros conclui em mar�o tese de doutorado, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cujo objeto de estudo s�o f�sseis de esp�cies de dinossauros, peixes, crocodilos e troncos petrificados, encontrados por ele desde 1997. Outro item do termo de conduta � a autoriza��o para retirada de um peda�o da laje, de 2m x 2m, para integrar o acervo do Museu Nacional. Houve declara��es de S�rgio Alex na imprensa que levaram os pesquisadores da UFMA acreditarem que ele levaria toda laje. A quest�o da retirada foi ponto de disc�rdia ainda porque, segundo nota divulgada por Medeiros, Alex e sua equipe teriam feito visitas � ilha do Cajual, no passado, sem avisar. Isso contrariou o "acordo de �tica" que existe entre pesquisadores da �rea, pelo qual as coletas fora do territ�rio de atua��o s�o feitas em parceria com os estudiosos locais. O pr�prio diretor do Museu Nacional defende a parceria. "Deve haver respeito, parceria e solidariedade entre pesquisadores", disse. Dias Duarte afirmou tamb�m que n�o est� desatento aos rumores levantados acerca da expedi��o, mas preferiu n�o se pronunciar a respeito. "Sei que houve tens�es, mas n�o posso ajuizar. Isso � pr�prio das rela��es humanas e n�o pode ser regulamentado por lei, decreto ou algo assim". O diretor, no entanto, se furtou a defender diretamente seus pares ou, muito menos a acus�-los. A equipe da UFMA se indignou por n�o ter sido citada pelos pesquisadores da expedi��o, quando falaram sobre os estudos em andamento na ilha e tamb�m porque teria ficado subentendido que a Laje do Coringa seria uma descoberta de paleont�logos do Museu Nacional. Alex se defende e garante que jamais declarou algo nesse sentido. Medeiros o acusa de dissimula��o
  38. 38. 38 nas afirma��es sobre as descobertas. "Ele disse que estava atr�s de cinco dinossauros na Laje e que teria encontrado um espinossauro no Maranh�o, quando n�o � verdade", ataca Medeiros. "Nunca disse que descobrimos a laje e, al�m do mais, comuniquei ao professor Manuel todas minhas visitas � ilha, algumas na volta. H� pessoas dizendo que vamos nos apossar cientificamente do lugar e n�o � verdade", defende-se Alex. Por precau��o, a equipe da UFMA montou guarda duas semanas antes da expedi��o do Museu Nacional chegar � Ilha do Cajual. Al�m disso, solicitou ao Ex�rcito a presen�a do autor da descoberta da Laje do Coringa, o professor de hist�ria e ge�logo Francisco Jos� Corr�a Martins. Foi ele quem encontrou a laje, primeiro em imagens de sat�lite cedidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e, depois "in loco", em 1994. "Fui verificar fei��es que me pareciam estranhas nas imagens e encontrei uma quantidade nunca imaginada de f�sseis num mesmo lugar", conta. Martins � professor na Escola de Preparat�ria de Cadetes do Ex�rcito, em Campinas. Ele chegou � ilha na sexta-feira e se encontrou com a equipe do Museu Nacional, no domingo. Segundo o professor, havia um clima tenso no local. A equipe da UFMA havia sido retirada da base da ONG Amavida, que tamb�m atua realizando estudos na ilha. Pesquisadores e alunos tiveram que se transferir para uma comunidade no interior da ilha, a mais de 3 Km de dist�ncia. No seu lugar, foram hospedados os componentes da expedi��o do Rio. "Al�m desses acontecimentos e outros procedimentos lament�veis, considero um absurdo que eles (os membros do Museu Nacional e seus associados) realizem uma expedi��o "apote�tica e cinematogr�fica", que n�o tem nenhum contato com a realidade da pesquisa acad�mica, como pretendiam retratar. Por exemplo, contrataram cozinheiros uniformizados para prepararem suas refei��es na ilha, com mordomias tais como cafezinho, doces e tudo o mais. E ve�culos Land Rover para "locomo��o"! Numa ilha em que as pessoas t�m poucos recursos para sobreviver e, em um pa�s como o nosso, onde as institui��es de pesquisa t�m que justificar os parcos financiamentos que recebem, � uma afronta tamanho distanciamento com a realidade. Ci�ncias de campo como a Paleontologia, a Geologia, a Biologia, a Geografia, entre outras, s�o realizadas por meio de kombi ou outros ve�culos comuns, com a comida poss�vel de ser feita ou obtida no meio do mato. Pesquisa n�o � nada daquilo que a expedi��o "Em busca dos dinossauros" fez!", desabafa Martins. Ainda segundo relato do professor, reinava um clima de des�nimo entre o pessoal do Museu Nacional, que saiu da ilha nesta sexta, antes do Carnaval, por n�o ter conseguido utilizar o trator que retiraria o peda�o da laje. E que, ao usarem um dos Land Rover para realizar tal tarefa, acabaram por quebr�-la em v�rios peda�os, fracassando no intento da retirada.
  39. 39. 39 Para Martins, a quest�o do respeito �s localidades onde est�o os s�tios � fundamental. "Temos sim que estabelecer um c�digo de �tica e conduta cient�fica para que fique claro na pesquisa o que � permitido fazer ou, do contr�rio, � preciso come�ar uma profunda discuss�o sobre como se faz pesquisa nesse pa�s". Ele defende que seja rediscutido o papel do Departamento Nacional de Produ��o Mineral (DNPM), a quem cabe a fiscaliza��o dos s�tios fossil�feros e arqueol�gicos nacionais. "O DNPM tem poucos paleont�logos e o pa�s � grande", justifica. Integridade intelectual Al�m da visita � Ilha do Cajual, a expedi��o "Em busca dos dinossauros" esteve em Crato (CE), para registrar imagens do s�tio fossil�fero de Santana do Cariri, que fica na Chapada do Araripe. A reitora da Universidade Regional do Cariri (Urca), Violeta Arraes, tamb�m se interessou em assinar termo de conduta semelhante ao que foi estabelecido com a UFMA e providenciou o documento quando a expedi��o j� estava no local. "Ela veio ao Rio para resolver outros assuntos e aproveitou para tratar deste tamb�m", conta Dias Duarte. No meio da viagem, eles foram ainda � Sousa (PB), o maior s�tio de pegadas de dinossauros do Brasil. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP) e pesquisador do departamento de Geologia da UFRJ, Ismar de Souza Carvalho, todo patrim�nio f�ssil deve ser revertido em prol da pr�pria comunidade no qual est� inserido. "Al�m disso, o cr�dito de qualquer trabalho deve ser dado a quem o desenvolveu. � uma quest�o de integridade intelectual", opina. Ismar disse que o boletim da SBP, referente aos meses de maio a julho, trar� as coloca��es das partes envolvidas na crise aberta pela expedi��o. (Lana Cristina) ******************************

×