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Teste de Português de 12º ano

Teste de Português de 12º ano: "Memorial do Convento", de José Saramago e "Frei Luís de Sousa", de Almeida Garrett.

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Teste de Português de 12º ano

  1. 1. 1 ANO LETIVO DE 2015-2016 Duração: 90 minutos Teste de avaliação de Português, 12º ano GRUPO I A Lê o texto que se segue com atenção e responde às questões que se seguem. Se necessário, consulta o vocabulário em rodapé. 5 10 15 20 25 […] Quando Baltasar entra em casa, ouve o murmúrio que vem da cozinha, é a voz da mãe, a voz de Blimunda, ora uma, ora outra, mal se conhecem e têm tanto para dizer, é a grande, interminável conversa das mulheres, parece coisa nenhuma, isto pensam os homens, nem eles imaginam que esta conversa é que segura o mundo na sua órbita, não fosse falarem as mulheres umas com as outras, já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta. Deite-me a sua bênção, minha mãe, Deus te abençoe, meu filho, não falou Blimunda, não lhe falou Baltasar, apenas se olharam, olharem-se era a casa de ambos. Há muitos modos de juntar um homem e uma mulher, mas, não sendo isto inventário nem vademeco1 de casamentar, fiquem registados apenas dois deles, e o primeiro é estarem ele e ela perto um do outro, nem te sei nem te conheço, num auto de fé, da banda de fora, claro está, a ver passar os penitentes, e de repente volta-se a mulher para o homem e pergunta, Que nome é o seu, não foi inspiração divina, não perguntou por sua vontade própria, foi ordem mental que lhe veio da própria mãe, a que ia na procissão, a que tinha visões e revelações, e se, como diz o Santo Ofício, as fingia, não fingiu estas, não, que bem viu e se lhe revelou ser este soldado maneta o homem que haveria de ser de sua filha, e desta maneira os juntou. Outro modo é estarem ele e ela longe um do outro, nem te sei nem te conheço, cada qual emsua corte, ele Lisboa, ela Viena, ele dezanove anos, ela vinte e cinco, e casaram-nos por procuração uns tantos embaixadores, viram-se primeiro os noivos em retratos favorecidos, ele boa figura e pelescurita, ela roliça e brancaustríaca, e tanto se lhes fazia gostarem-se como não, nasceram para casar assim e não doutra maneira, mas ele vai desforrar-se bem, não ela, coitada, que é honesta mulher, incapaz de levantar os olhos para outro homem, o que acontece nos sonhos não conta. Na guerra de João perdeu a mão Baltasar, na guerra da Inquisição perdeu Blimunda a mãe, nem João ganhou, que feitas as pazes ficámos como dantes, nem ganhou a Inquisição, que por cada feiticeira morta nascem dez, sem contar os machos, que também não são poucos. Cada qual tem sua contabilidade, seu razão2 e seu diário, escrituram-se os mortos num lado da página, apuram-se os vivos do outro lado, também há modos diferentes de pagar e de cobrar o imposto, 1 Obra de pequenoformatoque se traz consigo,para consultaramiúdee que contém osprincipais elementosde uma ciência, de uma arte, etc. = EMENTÁRIO, PRONTUÁRIO "vade-mécum", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008- 2013, http://www.priberam.pt/dlpo/vade-m%C3%A9cum [consultado em 06-05-2016]. 2 [Contabilidade] Livro em que são lançados os créditos e débitos. "razão", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008- 2013, http://www.priberam.pt/dlpo/raz%C3%A3o [consultado em 06-05-2016].
  2. 2. 2 30 35 com o dinheiro do sangue e o sangue do dinheiro, mas há quemprefira a oração, é o caso da rainha, devota parideira que veio ao mundo só para isso, ao todo dará seis filhos, mas de preces contam-se por milhões, agora vai à casa do noviciado da Companhia de Jesus, agora à igreja paroquial de S. Paulo, agora faz a novena de F. Francisco Xavier, agora visita a imagem de Nossa Senhora das Necessidades, agora vai ao convento de S. Bento dos Loios, e vai à igreja paroquial da Encarnação, e vai ao convento da Conceição e Marvila, e vai ao convento de S. Bento da Saúde, e vai visitar a imagem de Nossa Senhora da Luz, e vai à igreja do Corpo Santo, e vai à igreja de Nossa Senhora da Graça, e à igreja de S. Roque, e à igreja da Santíssima Trindade, e ao real convento da Madre de Deus, e visita a imagem de Nossa Senhora da Lembrança, e vai à igreja de S. Pedro de Alcântara, e à igreja de Nossa Senhora do Loreto, e ao convento do Bom Sucesso, quando está para sair do paço às suas devoções rufa o tambor e repenica o pífaro, não ela, claro está, que ideia, uma rainha a tamborilar e a repenicar, põem-se em ala os alabardeiros3 , e estando as ruas sujas, como sempre estão, por mais avisos e decretos que as mandem limpar, vão à frente da rainha os mariolas com umas tábuas largas às costas, sai ela do coche e eles colocam as tábuas no chão, é um corrupio, a rainha a andar sobre as tábuas, os mariolas a levá-las de trás para diante; […] José Saramago, Memorial do Convento 1. Traça o retrato de D. Maria Ana, justificando com elementos textuais. 2. Transcreve dois exemplos de crítica social presentes no texto e comenta-os. 3. Procura no texto marcas específicas da linguagem e do estilo do autor e transcreve alguns exemplos. B Lê atentamente o texto que se segue e responde às questões. Se necessário, consulta o vocabulário: 5 10 MARIA – “Menina e moça me levaram de casa de meu pai”4 é o princípio daquele livro tão bonito que minha mãe diz que não entende; entendo-o eu. Mas aqui não há menina nem moça; e vós, senhor Telmo Pais, meu fiel escudeiro, “faredes o que mandado vos é”. E não me repliques, que então altercamos5 , faz-se bulha, e acorda minha mãe, que é o que eu não quero. Coitada! Há oito dias que aqui estamos nesta casa, e é a primeira noite que dorme com sossego. Aquele palácio a arder, aquele povo a gritar, o rebate dos sinos, aquela cena toda... oh! Tão grandiosa e sublime, que a mim me encheu de maravilha, que foi um espetáculo como nunca vi outro de igual majestade!... À minha pobre mãe aterrou-a, não se lhe tira dos olhos: vai a fechá-los para dormir e diz que vê aquelas chamas enoveladas em fumo a rodear-lhe a casa, a crescer para o ar, e a devorar tudo com fúria infernal... O retrato de meu pai, aquele do quarto de lavor tão seu favorito, em que ele estava 3 Homem armado de alabarda. (Hoje diz-se archeiro.) "alabardeiro", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008- 2013, http://www.priberam.pt/dlpo/alabardeiro [consultado em 06-05-2016]. 4 Com estas palavras inicia uma novela sentimental de Bernardim Ribeiro (séc. XVI). Nela são relatados os amores infelizes de dois jovens e também nela se observam vários enigmas. 5 discutimos.
  3. 3. 3 15 20 25 tão gentil-homem6 , vestido de Cavaleiro de Malta7 com a sua cruz branca no peito, – aquele retrato, não se pode consolar de que lho não salvassem, que se queimasse ali. Vês tu? Ela que não cria em agouros, que sempre me estava a repreender pelas minhas cismas, agora não lhe sai da cabeça que a perda do retrato é prognóstico fatal de outra perda maior que está perto, de alguma desgraça inesperada, mas certa, que a tem de separar de meu pai. E eu agora é que faço de forte e assisada, que zombo de agouros e de sinas... para a animar, coitada!... que aqui entre nós, Telmo, nunca tive tanta fé neles. Creio, oh! se creio! que são avisos que Deus nos manda para nos preparar. E há... oh! há grande desgraça a cair sobre meu pai... decerto, e sobre minha mãe também, que é o mesmo. TELMO (Disfarçando o terror de que está tomado) – Não digais isso... Deus há de fazê-lo por melhor, que lho merecem ambos. (Cobrando ânimo e exaltando-se) Vosso pai, D. Maria, é um português às direitas. Eu sempre o tive em boa conta; mas agora, depois que lhe vi fazer aquela ação, – que o vi, com aquela alma de português velho8 , deitar as mãos às tochas e lançar ele mesmo o fogo à sua própria casa, queimar e destruir numa hora tanto do seu haver, tanta coisa do seu gosto, para dar um exemplo de liberdade, uma lição tremenda a estes nossos tiranos... Oh, minha querida filha, aquilo é um homem! A minha vida, que ele queira, é sua. E a minha pena, toda a minha pena é que o não conheci, que o não estimei sempre no que ele valia. MARIA (Com lágrimas nos olhos e tomando-lhe as mãos) – Meu Telmo, meu bom Telmo!... É uma glória ser filha de tal pai: não é? Dize. TELMO – Sim, é. Deus o defenda! Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa 4. Nas suas palavras, Maria deixa transparecer sentimentos diferentes dos da sua mãe em relação ao incêndio do palácio onde ambas habitavam. Justifica esta afirmação. 5. Telmo confessa ter ocorrido nele determinada mudança relativamente ao modo como considerava Manuel de Sousa Coutinho. Explicita a natureza dessa alteração. GRUPO II Lê o texto. 20 anos a bailar: Festival Andanças ― Barragem de Póvoa e Medas, Castelo de Vide, de 3 a 9 de agosto 5 Já lá vão 20 anos de Andanças, o festival onde, durante uma semana (entre 3 e 9 de agosto, na Barragem de Póvoa e Medas, em Castelo de Vide), se vive num espírito de pequena aldeia, com centenas de propostas de atividades, focadas na dança e na música, organizadas pela estrutura PédeXumbo, sedeada em Évora. O ambiente de convívio, empatia e descontração permite precisamente que até quem tenha “pé de chumbo” não se deixe intimidar e/ ou inibir e entre na dança. Este ano, porque a data de celebração é redonda, há novidades que propõem levar ainda 6 Fidalgo. 7 A Ordem de Malta só admitia cavaleiros da mais distinta fidalguia, o que confirma a estirpe social de Manuel de Sousa. 8 Português de antigamente.
  4. 4. 4 10 15 20 25 mais longe a festa, sendo que esta tem por base um trabalho de longos anos de pesquisa, recolhe a valorização do que são as práticas tradicionais, em particular na dança, mas também da música e tudo o que está associado a estas artes. Mas vamos por partes. O Andanças é o espaço onde as pessoas sentem a harmonia e a tranquilidade, e não vão só pela música e pela dança, mas também porque se sentem bem ali e em segurança, porque por uma semana aquele lugar pertence-lhes. Este aspeto está associado ao trabalho desenvolvido na preocupação ambiental e no respeito pela Natureza. Outra particularidade é que os participantes não sentem a presença de uma organização, ou seja, para quem lá vai, não há pessoas que se destacam na organização e a hierarquia não se sente, logo cria-se um clima de comunidade. O facto de irem para uma festa cuja proposta é essa, implica uma predisposição que se traduz na disponibilidade para saírem da sua zona de conforto, o que pode significar simplesmente dançar, mas num contexto em que estão outros milhares de pessoas na mesma situação. Em ano de celebração, destacam-se três eventos especialmente pensados para a ocasião. Desde logo, a existência de um espaço novo, o terreiro, inspirado nas dinâmicas das aldeias tradicionais e no acontece no centro destas, onde as pessoas se encontram, cantam e dançam. A programação é assinada por Tiago Pereira e a sua Música Portuguesa a Gostar DelaPrópria. Depois, retomam uma atividade que tiveram nos primeiros anos do Andanças e não voltaram a conseguir concretizar ― um espaço para construtores de instrumentos tradicionais (a que se junta um construtor contemporâneo), que vão partilhar as suas técnicas e vender instrumentos. E porque já lá vão vinte anos, há o reencontro de antigos festivaleiros com a presença de músicos, professores de dança e outras referências que por ali passaram para testar se, num evento que tem uma média de 30 mil visitantes dos quais muitos acampam ali a semana inteira, e mais 500 atividades, a festa pode ainda ser maior do que foi até aqui. Cláudia Galhós, “20 anos a bailar”, E - a revista do Expresso, edição nº 2231, 1 de agosto de 2015, p. 78 (texto adaptado) 1. Para responder a cada um dos itens de 1.1. a 1.7., seleciona a única opção que permite fazer uma afirmação correta: 1.1. A principal função deste texto é A) convencer a participar num festival. B) descrever um festival. C) apreciar criticamente um festival. D) narrar factos ocorridos durante um festival. 1.2.O “espírito de pequena aldeia” (linha 2) consiste em o festival A) recuperar muitas tradições culturais da vida das aldeias. B) decorrer numa aldeia. C) dar valor a algumas práticas culturais populares. D) recuperar tradições que se perderam em muitas aldeias. 1.3.Quem participar no festival sentir-se-á integrado e desinibido porque A) toda a gente, independentemente de gostar ou não de dançar, pode fazê-lo. B) existem condições para que toda a gente dance, mesmo não gostando. C) criaram-se muitas “novidades” que apelam à dança. D) pesquisaram-se antigas formas de dança. 1.4.Com a expressão “Mas vamos por partes” (linha 8), a autora do texto A) pretende marcar uma oposição ou contraste entre a informação anterior e a posterior.
  5. 5. 5 B) pretende indicar que vai dividir o seu texto em partes, cada uma delas desenvolvendo um tópico diferente. C) pretende indicar que vai explicitar com cuidado a natureza do festival, recorrendo a pormenores. D) pretende realçar alguns aspetos do festival em detrimento de outros. 1.5.A utilização do advérbio “ali” (linha 10) configura um exemplo de coesão A) interfrásica. B) lexical. C) temporal. D) referencial. 1.6. A forma verbal do verbo “pertencer” (linha 11) pertence à subclasse dos verbos A) copulativos. B) principais transitivos diretos. C) principais transitivos indiretos. D) principais transitivos diretos e indiretos. 1.7. Atenta na frase “Em ano de celebração, destacam-se três eventos especialmente pensados para a ocasião.” (linha 17) e identifica a função sintática desempenhada pelo constituinte destacado. A) Sujeito. B) Complemento direto. C) Complemento oblíquo. D) Modificador do grupo verbal. 2. Responde, de forma correta, aos itens apresentados. 2.1.Identifica o antecedente do pronome pessoal átono “-lhes” (linha 11). 2.2.Indica a função sintática da expressão destacada em “há novidades que propõem levar ainda mais longe a festa” (linhas 5- 6). 2.3.Classifica a oração “logo cria-se um clima de comunidade” (linhas 13-14). GRUPO III SELECIONA UM DOS TRÊS TEMAS SUGERIDOS: A) A intolerância é uma característica humana que, em pleno século XXI, ainda persiste. Num texto bem estruturado, entre 200 e 300 palavras, disserta sobre a intolerância e o seu (potencial) poder destruidor. Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. B) Os festivais de natureza cultural, nomeadamente os de música e os de dança, constituem momentos muito importantes para os adolescentes, que os frequentam massivamente. Num texto bem estruturado, entre 200 e 300 palavras, apresenta uma opinião fundamentada sobre a importância destes festivais para a faixa etária referida.
  6. 6. 6 Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. C) Situações de carência alimentar e mesmo de fome têm sido reportadas nos meios de comunicação social nos últimos anos, devido à crise em que vivemos. Num texto bem estruturado, entre 200 e 300 palavras, apresenta uma opinião fundamentada de como combater esta situação. Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. observações: 1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2014/). 2. Um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido; − um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos. COTAÇÕES: GRUPO I- 100 pontos GRUPO II- 50 pontos GRUPO III 50 pontos1. 20 (C12+F8) 2. 20 (C12+F8) 3. 20 (C12+F8) 4. 20 (C12+F8) B. 20 (C12+F8) 1 a 10 5 cada 50 ETD-30 CL-20 BOM TRABALHO!!!!!!!!!!! A PROFESSORA: Lucinda Cunha
  7. 7. 7 Teste de avaliação de 12º ano- Memorial do Convento GRUPO I (Questões -e proposta de correção- 1 e 2 retiradas do manual Entre Margens, caderno do professor,12º ano, Porto Editora; questões 3 e 4 são do manual Entre palavras 11, da Asa, do dossiê prático do professor) Aspetos de conteúdo (C) ..................................................................................................... ............ 12 pontos Níveis Descritores do nível de desempenho Pontuação 4 Responde, adequadamente. 12 3 Responde, de modo não totalmente completo ou com pequenas imprecisões. 9 2 Responde, de modo não totalmente completo e com pequenas imprecisões. OU Responde, de modo incompleto ou com imprecisões. 6 1 Responde, de modo incompleto e com imprecisões. 3 • Aspetos de estruturação do discurso e correção linguística (F) ......................... 8 pontos Estruturação do discurso (E) ............................................................ 4 pontos Correção linguística* (CL)1................................................................ 4 pontos Cenários de resposta: 1. D. Maria Ana Josefa tem “vintee cincoanos” (linha 15), é “roliça e brancaustríaca” (linha 16)e é uma mulher “honesta” (linha 18) apesar de os seus sonhos traírem os seus valores morais (“o que acontece nos sonhos não conta”, linhas 18-19). Para além disso, é uma mulher devota, que faz as suas preces em inúmeros locais de culto,tal comoé exemplificado notexto (entreas linhas 26e 33), e quevive só para cumprira sua “missão" de rainha: ter filhos (“rainha, devota parideira, que veio ao mundo só para isso”, linha 25). 2. Sugestões de resposta: No excerto, criticam-se os casamentos oficiais entre casas régias, marcados pelo poder regulador da Igreja, em que as relações amorosas eram substituídas por relações orientadas para a procriação e em que a mulher tem apenas o papel de assegurar a sucessão. Critica-se também o estado das ruas de Lisboa, sempre sujas, espelhando a miséria que grassava na cidade. Critica-se, ainda, a exploração dos homens na figura dos “mariolas” que carregam as tábuas que a rainha há de pisar para não sujar os sapatos nas suas deslocações. 3. Sugestões de resposta: Marcas do estilo de José Saramago presentes no excerto: a) Estilo próximo da oralidade/ narrador “oral”: “Outro modo é estarem ele e ela longe um do outro, nem te sei nem te conheço, cada qual em sua corte, ele Lisboa, ela Viena, ele dezanove anos, ela vinte e cinco” (linhas 13-15) b) Ausência de pontuação: (todo o texto) exemplo: “vão à frente da rainha os mariolas com umas tábuas largas às costas, sai ela do coche e eles colocam as tábuas no chão, é um corrupio, a rainha a andar sobre as tábuas, os mariolas a levá-las de trás para diante;” (linhas 36-37) c) Substituiçãodos pontosde exclamaçãoe de interrogaçãopelo ponto final: “Que nome é o seu” (linha10). d) Ausência de marcas distintivas do discurso direto e indireto: “Deite-me sua bênção, minha mãe, Deus te abençoe, meu filho” (linha 5). e) Inclusão de comentários pessoais do autor: “parece coisa nenhuma, isto pensam os homens, nem eles imaginam que esta conversa é que segura o mundo na sua órbita, não fosse falarem as mulheres umas
  8. 8. 8 com as outras, já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta” (linhas 3 a 5); “mas ele vai desforrar-se bem, não ela, coitada, que é honesta mulher” (linhas 17-18); “que ideia, uma rainha a tamborilar e a repenicar” (linha 34). f) Recursoà ironia e ao sarcasmo: “devota parideira queveio ao mundosó para isso, ao tododará seis filhos” (linhas 25-26). g) Fusão do registo de língua cuidado com linguagem arcaizante: “vademeco” (linha 7). h) Utilização de neologismos: “pelescurita”, “brancaustríaca” (linha 16). i) Longas enumerações: linhas 26 a 33. 4. Enquanto Maria diz ter-se sentido empolgada com o incêndio, que considera ter sido um espetáculo grandioso e “sublime”, D. Madalena, segundo a filha, viveu o acontecimento aterrada, pois entende que a destruição do palácio e do retrato do marido é sinal ou agouro de uma outra destruição que ocorrerá brevemente. 5. Trata-se de uma evolução no sentido positivo: Telmo não gostava de Manuel de Sousa Coutinho por ele ter vindo ocupar o lugar de D. João de Portugal, a quem Telmo venerava acima de tudo e de todos; contudo, ao ver o lado patriótico de Manuel de Sousa, Telmo curva-se perante a sua personalidade viril. GRUPO II...................................................................................................... ..................................................... 50 pontos (questões 1.1. a 1.5 e 2.1. a 2.3. retiradas do Dossiê Prático do Professor do manual Entre Palavras, 11º ano, da ASA) Critérios específicos de classificação Item VERSÃO 1 PONTUAÇÃO 1.1 C 5 1.2 A 5 1.3 B 5 1.4 C 5 1.5 D 5 1.6 C 5 1.7 A 5 2.1 “as pessoas” 5 2.2 Complemento direto 5 2.3 Oração coordenada conclusiva 5 GRUPO III Critérios específicos de classificação •  Estruturação temática e discursiva (ETD) ....................................................................................................... 30 pontos •  Correção linguística (CL).................................................................................................................................. 20 pontos Cenário de resposta Dada a natureza deste item, não é apresentado cenário de resposta.

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