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A OVELHA GENEROSA
Era uma ovelha muito generosa. Sabem o que é ser generoso? É gostar de dar, dar por prazer.
Pois esta ovelha era mesmo muito generosa. Dava lã. Dava lã, quando lhe pediam. Vinha uma
velhinha e pedia-lhe um xailinho de lã para o Inverno. A ovelha dava. Vinha uma menina e
pedia-lhe um carapuço de lã para ir para à escola. A ovelha dava. Vinha um rapaz e pedia-lhe
um cachecol de lã para ir à bola. A ovelha dava. Vinha uma senhora e pedia-lhe umas meias de
lã para trazer por casa. A ovelha dava.

- Ó ovelha, não achas de mais? Xailes, carapuços, cachecóis, meias... É só dar, dar...

- Não se ralem - respondia a ovelha. - Vocês não aprenderam na escola que a vaca dá leite e a
ovelha dá lã? É o que eu estou a fazer.

Apareceu a Dona Carlota, muito afadigada:

- Eu só queria um novelozinho para fazer um saco para a botija. Ainda chega? Pois claro que
chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.

Veio a Dona Firmina, muito preocupada:

- Eu só queria um novelozinho para uma pega para a cozinha. Ainda chega? Pois claro que
chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.

Veio a Dona Alda, muito atarantada:
- Eu só queria um novelozinho para acabar uma manta. Ainda chega? Pois claro que chegava. A
ovelha a dar nunca se cansava.

E eram coletes, camisolas, golas, golinhas, luvas... que a gente até estranhava que a lã se lhe
não acabasse. A ovelha sorria e tranquilizava: - Não acaba. Nunca acaba. Conhecem aquele
ditado: "Quem dá por bem, muito lhe cresce também"? Pois é o que eu faço.

E a ovelha generosa lá foi atender uma avó, que precisava de um novelo para um casaquinho
de bebé, o seu primeiro neto que estava para nascer...

                                                 António Torrado
A Gata e o Sábio
O sábio de Bechmezzinn (aldeia situada no norte do Líbano) era muito rico. Dedicava o melhor
do seu tempo ao estudo e a tratar os doentes que o procuravam. A sua fortuna permitia-lhe
socorrer os infelizes e toda a gente dizia que ele era a dedicação em pessoa.

Homem piedoso e recto, a injustiça revoltava-o. Muitas pessoas vinham consultá-lo quando
tinham alguma divergência com vizinhos ou parentes. O sábio dava os melhores conselhos e
desempenhava frequentemente o papel de mediador.

Tinha uma gata a quem se dedicava particularmente. Todos os dias, depois da sesta, ela miava
para chamar o dono. O sábio acariciava-a e levava-a para o jardim, onde ambos passeavam até
ao pôr-do-sol. Ela era a sua única confidente, diziam os criados.

A gata dirigia-se muitas vezes à cozinha, onde era bem recebida. O cozinheiro não escondia
nem a carne nem o peixe, porque ela nada roubava, fosse cru ou cozinhado, contentando-se
com o que lhe davam.

Ora, uma tarde, depois do passeio diário, a gata roubou furtivamente um pedaço de carne de
uma panela. Tendo-a surpreendido, o cozinheiro castigou-a puxando-lhe severamente as
orelhas. Vexada, a gata fugiu e não apareceu mais durante todo o serão.

Intrigado, o sábio perguntou por ela na manhã seguinte. O cozinheiro contou-lhe o que se
passara. O sábio saiu para o jardim e durante muito tempo chamou a gata, que acabou por
aparecer.

— Porque roubaste a carne? — perguntou o sábio.

— O cozinheiro não te dá comida que chegue?

A gata, que tinha parido sem que ninguém soubesse, afastou-se sem responder e voltou
seguida de três lindos gatinhos. Depois, fugiu e trepou à figueira do jardim. O sábio pegou nos
três gatinhos e entregou-os ao cozinheiro que, ao vê-los, mostrou uma grande admiração.
— A gata não roubou comida a pensar nela. — declarou o sábio. — O seu gesto foi ditado pela
necessidade. Portanto, não é de condenar. Para alimentar os filhos, qualquer ser, mesmo mais
frágil do que um mosquito, roubaria um pedaço de carne nas barbas de um leão. A gata
limitou-se a seguir o que lhe ditava o seu amor maternal. A conduta delanada tem de
repreensível. O pobre animal está a sofrer por a teres castigado injustamente. Fugiu para a
figueira porque está zangada contigo. Deves ir lá pedir-lhe desculpa, para que se acalme e tudo
volte ao normal.

O cozinheiro concordou. Tirou o turbante, dirigiu-se à figueira e pediu perdão ao animal. Mas a
gata virou a cabeça. O sábio teve de intervir. Conversou longamente com ela e lá conseguiu
convencê-la a descer da árvore.

A gata desceu lentamente da figueira, veio a miar roçar-se nas pernas do sábio e foi para junto
dos seus três filhotes.

Tradução e adaptação

Jean Muzi

16 Contes du monde arabe

Paris, Castor Poche-Flamarion, 1998

Adaptado
A raposa e a cegonha


Certo dia de Primavera a comadre raposa convidou a sua amiga cegonha para ir jantar.

A cegonha ao ver servirem o jantar em pratos tão rasos queixou-se:

- Ó comadre raposa, assim eu não como nada enquanto você enche a barriguinha.

- Ó comadre cegonha - respondeu a raposa, aqui em casa todos lambemos bem, por isso não
precisamos de pratos mais fundos.

A cegonha calou-se mas nada pôde fazer. Saiu de casa da raposa esfomeada.

Dias seguintes foi a vez de a raposa ser convidada. Mas quando ela viu servir o almoço:

- Que desastre! - queixou-se a raposa. Com este modelo de pratos não consigo comer, mas tu
comes.

- Não tenho culpa, cá em casa todos temos o bico comprido.

A raposa calou-se lembrando-se da partida que fizera dias antes.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------



Um dia a raposa convidou a sua amiga cegonha para jantar.

"Amanhã à noite em minha casa, por volta das oito horas!", disse-lhe. "Vou preparar-te um
bom jantar."

Toda contente, no dia seguinte a cegonha arranjou-se para ir a casa da sua amiga raposa.

"Bem-vinda!", disse a raposa. "Vamos já para a mesa. Está tudo pronto!"

A cegonha sentou-se, mas logo percebeu que ia ser impossível comer!

De facto a raposa servira uma sopa muito líquida, num prato pouco fundo, e com o seu bico
longo a cegonha nem a conseguiu provar.

Pelo contrário, a raposa comeu tudo num instante e no fim até lambeu o prato.

"Lamento que tenhas comido tão pouco", disse a raposa rindo por debaixo dos bigodes.
"Desculpa-me, com certeza não gostaste da minha sopa!"

"Estava deliciosa, mas estou com pouco apetite", respondeu educadamente a cegonha.
"Mesmo assim, passei uma bela noite na tua companhia."

Uma semana depois, a cegonha resolveu convidar a raposa: "Amanhã à noite em minha casa,
por volta das oito horas!", disse-lhe. "Vou preparar-te um bom jantar."

Toda contente, no dia seguinte a raposa arranjou-se para ir a casa da sua amiga cegonha.

"Bem-vinda!", disse a cegonha. "Vamos já para a mesa. Está tudo pronto!"

A raposa sentou-se à mesa, mas logo percebeu que desta vez foi a cegonha que lhe pregou
uma boa partida.

Na mesa esperava-os uma sopa, muito apetitosa, servida num vaso de gargalo comprido e
estreito.

Enquanto a cegonha com o seu longo bico limpou a sopa num instante, a raposa apenas
conseguiu lamber a borda do vaso, mas fez de conta que estava tudo bem.

Ao fim da noite, a cegonha disse: "Lamento muito, mas sabes como é: cá se fazem, cá se
pagam!"

A raposa não respondeu nada e, triste e esfomeada, voltou para sua casa.
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Histórias Infantis

  • 1. A OVELHA GENEROSA Era uma ovelha muito generosa. Sabem o que é ser generoso? É gostar de dar, dar por prazer. Pois esta ovelha era mesmo muito generosa. Dava lã. Dava lã, quando lhe pediam. Vinha uma velhinha e pedia-lhe um xailinho de lã para o Inverno. A ovelha dava. Vinha uma menina e pedia-lhe um carapuço de lã para ir para à escola. A ovelha dava. Vinha um rapaz e pedia-lhe um cachecol de lã para ir à bola. A ovelha dava. Vinha uma senhora e pedia-lhe umas meias de lã para trazer por casa. A ovelha dava. - Ó ovelha, não achas de mais? Xailes, carapuços, cachecóis, meias... É só dar, dar... - Não se ralem - respondia a ovelha. - Vocês não aprenderam na escola que a vaca dá leite e a ovelha dá lã? É o que eu estou a fazer. Apareceu a Dona Carlota, muito afadigada: - Eu só queria um novelozinho para fazer um saco para a botija. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava. Veio a Dona Firmina, muito preocupada: - Eu só queria um novelozinho para uma pega para a cozinha. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava. Veio a Dona Alda, muito atarantada:
  • 2. - Eu só queria um novelozinho para acabar uma manta. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava. E eram coletes, camisolas, golas, golinhas, luvas... que a gente até estranhava que a lã se lhe não acabasse. A ovelha sorria e tranquilizava: - Não acaba. Nunca acaba. Conhecem aquele ditado: "Quem dá por bem, muito lhe cresce também"? Pois é o que eu faço. E a ovelha generosa lá foi atender uma avó, que precisava de um novelo para um casaquinho de bebé, o seu primeiro neto que estava para nascer... António Torrado
  • 3. A Gata e o Sábio O sábio de Bechmezzinn (aldeia situada no norte do Líbano) era muito rico. Dedicava o melhor do seu tempo ao estudo e a tratar os doentes que o procuravam. A sua fortuna permitia-lhe socorrer os infelizes e toda a gente dizia que ele era a dedicação em pessoa. Homem piedoso e recto, a injustiça revoltava-o. Muitas pessoas vinham consultá-lo quando tinham alguma divergência com vizinhos ou parentes. O sábio dava os melhores conselhos e desempenhava frequentemente o papel de mediador. Tinha uma gata a quem se dedicava particularmente. Todos os dias, depois da sesta, ela miava para chamar o dono. O sábio acariciava-a e levava-a para o jardim, onde ambos passeavam até ao pôr-do-sol. Ela era a sua única confidente, diziam os criados. A gata dirigia-se muitas vezes à cozinha, onde era bem recebida. O cozinheiro não escondia nem a carne nem o peixe, porque ela nada roubava, fosse cru ou cozinhado, contentando-se com o que lhe davam. Ora, uma tarde, depois do passeio diário, a gata roubou furtivamente um pedaço de carne de uma panela. Tendo-a surpreendido, o cozinheiro castigou-a puxando-lhe severamente as orelhas. Vexada, a gata fugiu e não apareceu mais durante todo o serão. Intrigado, o sábio perguntou por ela na manhã seguinte. O cozinheiro contou-lhe o que se passara. O sábio saiu para o jardim e durante muito tempo chamou a gata, que acabou por aparecer. — Porque roubaste a carne? — perguntou o sábio. — O cozinheiro não te dá comida que chegue? A gata, que tinha parido sem que ninguém soubesse, afastou-se sem responder e voltou seguida de três lindos gatinhos. Depois, fugiu e trepou à figueira do jardim. O sábio pegou nos três gatinhos e entregou-os ao cozinheiro que, ao vê-los, mostrou uma grande admiração.
  • 4. — A gata não roubou comida a pensar nela. — declarou o sábio. — O seu gesto foi ditado pela necessidade. Portanto, não é de condenar. Para alimentar os filhos, qualquer ser, mesmo mais frágil do que um mosquito, roubaria um pedaço de carne nas barbas de um leão. A gata limitou-se a seguir o que lhe ditava o seu amor maternal. A conduta delanada tem de repreensível. O pobre animal está a sofrer por a teres castigado injustamente. Fugiu para a figueira porque está zangada contigo. Deves ir lá pedir-lhe desculpa, para que se acalme e tudo volte ao normal. O cozinheiro concordou. Tirou o turbante, dirigiu-se à figueira e pediu perdão ao animal. Mas a gata virou a cabeça. O sábio teve de intervir. Conversou longamente com ela e lá conseguiu convencê-la a descer da árvore. A gata desceu lentamente da figueira, veio a miar roçar-se nas pernas do sábio e foi para junto dos seus três filhotes. Tradução e adaptação Jean Muzi 16 Contes du monde arabe Paris, Castor Poche-Flamarion, 1998 Adaptado
  • 5. A raposa e a cegonha Certo dia de Primavera a comadre raposa convidou a sua amiga cegonha para ir jantar. A cegonha ao ver servirem o jantar em pratos tão rasos queixou-se: - Ó comadre raposa, assim eu não como nada enquanto você enche a barriguinha. - Ó comadre cegonha - respondeu a raposa, aqui em casa todos lambemos bem, por isso não precisamos de pratos mais fundos. A cegonha calou-se mas nada pôde fazer. Saiu de casa da raposa esfomeada. Dias seguintes foi a vez de a raposa ser convidada. Mas quando ela viu servir o almoço: - Que desastre! - queixou-se a raposa. Com este modelo de pratos não consigo comer, mas tu comes. - Não tenho culpa, cá em casa todos temos o bico comprido. A raposa calou-se lembrando-se da partida que fizera dias antes.
  • 6. ------------------------------------------------------------------------------------------------------- Um dia a raposa convidou a sua amiga cegonha para jantar. "Amanhã à noite em minha casa, por volta das oito horas!", disse-lhe. "Vou preparar-te um bom jantar." Toda contente, no dia seguinte a cegonha arranjou-se para ir a casa da sua amiga raposa. "Bem-vinda!", disse a raposa. "Vamos já para a mesa. Está tudo pronto!" A cegonha sentou-se, mas logo percebeu que ia ser impossível comer! De facto a raposa servira uma sopa muito líquida, num prato pouco fundo, e com o seu bico longo a cegonha nem a conseguiu provar. Pelo contrário, a raposa comeu tudo num instante e no fim até lambeu o prato. "Lamento que tenhas comido tão pouco", disse a raposa rindo por debaixo dos bigodes. "Desculpa-me, com certeza não gostaste da minha sopa!" "Estava deliciosa, mas estou com pouco apetite", respondeu educadamente a cegonha. "Mesmo assim, passei uma bela noite na tua companhia." Uma semana depois, a cegonha resolveu convidar a raposa: "Amanhã à noite em minha casa, por volta das oito horas!", disse-lhe. "Vou preparar-te um bom jantar." Toda contente, no dia seguinte a raposa arranjou-se para ir a casa da sua amiga cegonha. "Bem-vinda!", disse a cegonha. "Vamos já para a mesa. Está tudo pronto!" A raposa sentou-se à mesa, mas logo percebeu que desta vez foi a cegonha que lhe pregou uma boa partida. Na mesa esperava-os uma sopa, muito apetitosa, servida num vaso de gargalo comprido e estreito. Enquanto a cegonha com o seu longo bico limpou a sopa num instante, a raposa apenas conseguiu lamber a borda do vaso, mas fez de conta que estava tudo bem. Ao fim da noite, a cegonha disse: "Lamento muito, mas sabes como é: cá se fazem, cá se pagam!" A raposa não respondeu nada e, triste e esfomeada, voltou para sua casa.