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Flúor na Odontopediatria

Palestra, com duração de 4 horas, ministrada na 1ª Semana Acadêmica do Curso de Odontologia no Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo em Outubro de 2016.

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Flúor na Odontopediatria

  1. 1. O Flúor em Odontopediatria Palestrante: Mariana Gonzalez Cademartori Esp. em Saúde da Família/UFPel Me. em Odontopediatria/UFPel Doutoranda em Odontopediatria/UFPel
  2. 2. Como é o início de tudo??
  3. 3. A cárie dentária é uma das doenças crônicas mais prevalentes no mundo. SAÚDE PÚBLICA! Biofilme Açúcar DEPENDENTE Fator exógeno reconhecido como importante para modificar o risco e atividade da doença cárie. FLÚOR O efeito anticárie no uso do flúor depende essencialmente da PRESENÇA CONSTANTE DO ÍON NA CAVIDADE BUCAL, de forma sistêmica ou tópica.
  4. 4. Equilíbrio das trocas iônicas e o Processo DES-RE - Membrana eficientemente mineralizada. - Aspecto de “peneira” – “Filtro de Microporos”. - Sob a superfície, existem espaços, não mineralizados, preenchidos por água e material orgânico. - A interligação desses "microporos", configura uma intrincada rede de comunicação: Vias de difusão. - Elevado metabolismo de trocas iônicas. 1 — Estágio do equilíbrio dinâmico 2 — Estágio da desmineralização 3 — Estágio da remineralização
  5. 5. 1 — Estágio do Equilíbrio Dinâmico E Q U I L Í B R I O nas trocas iônicas entre o esmalte e o meio ambiente. A quantidade de íons "perdidos“ pelo esmalte (DES) é igual ou semelhante aquela que o meio ambiente (placa ou saliva) fornece (RE) na troca.
  6. 6. Exposição indireta: Esmalte X Placa X Saliva A placa dental, nesta situação de equilíbrio, apresenta uma atividade metabólica nula ou reduzida quando ocorre a produção de ácidos, pois esta é compensada pelo Sistema Tampão da saliva. Exposição direta: Esmalte X Saliva As trocas iônicas se processam diretamente, na mesma medida, através da película adquirida.
  7. 7. 2 — Estágio da D E S mineralização Ingestão de carboidratos. Açúcares disponíveis metabolizados pelas bactérias acidogênicas da placa dental. Ácidos que irão se difundir na placa e na saliva. pH baixa na placa e na saliva pH da placa dental pode atingir 4.8 - 4.0 Rompimento de ligações moleculares da estrutura da hidroxiapatita, liberando íons Ca+ e radicais PO4 pH critico 5.5 Difusão minerais para a saliva e metabolização bacteriana. PERDA DE MINERAIS.
  8. 8. 3 — Estágio da R E mineralização O quadro de desmineralização, desde que sem cavitação, PODERÁ SER REVERTIDO nas seguintes situações: a) ainda em presença da placa dental tornada inativa ou com fraca atuação: determinada pela baixa ou infrequente ingestão de carboidratos e/ou com razoáveis condições de higiene bucal, que mesmo sem eliminá-la, tornam a placa de baixo potencial de atuação. b) sem a presença da placa, em condições naturais: os fenômenos ocorrem diretamente entre a saliva e o esmalte, mediados pela película adquirida. Há uma aumento das trocas iônicas, no sentido do meio para o esmalte, com o selamento de microporos superficiais e consequente aumento da mineralização externa.
  9. 9. Tanto com a presença da placa dental, como sem ela, é possível forçar o processo de remineralização por meio do uso do FLÚOR. F- na saliva e/ou na placa Liga-se ao fosfato e cálcio livres formando fluorapatita e fluoreto de cálcio Incorporação à estrutura do esmalte: REMINERALIZAÇÃO Fluorapatita Ca10(PO4)6F2: ligação forte dando estabilidade molecular - sua formação costuma ocorrer lentamente, ao longo de anos, com o uso de concentrações baixas e constantes de Flúor. Dentifrícios e água fluoretada. Fluoreto de cálcio (CaF2 )´: ligação mais frágil. O Flúor pode ser facilmente deslocado, constituindo-se nova fonte iônica. Utilização de flúor tópico com altas concentrações.
  10. 10. Níveis elevados de FLÚOR no ambiente bucal são suficientes para interferir nos processos de DES e REM. Por isso, precisa estar constantemente DISPONÍVEL na cavidade bucal. Neste sentido o FLÚOR pode ser visto também como um tratamento químico ativo para a cárie. O FLÚOR age com um agente terapêutico que REDUZ A TAXA DE DESMINERALIZAÇÃO e POTENCIALIZA A CAPTAÇÃO MINERAL. O FLÚOR interfere na dinâmica do desenvolvimento da lesão cariosa e CONTROLA A PROGRESSÃO DA LESÃO. Sendo assim...
  11. 11. Conceito 1. Qualquer F- mantido CONSTANTE no meio ambiente bucal (saliva- biofilme) tem potencial anticárie.
  12. 12. FLÚOR
  13. 13. Quais são os veículos de flúor??
  14. 14. A classificação mais racional para os meios de uso de fluoreto inclui sua abrangência e modo de aplicação. Coletivo ProfissionalIndividual - Fluoretação das águas - Dentifrício fluoretado - Enxaguante bucal - Géis fluoretados - Verniz fluoretado - Material restaurador liberador de Flúor Todos os veículos apresentam o mesmo MECANISMO DE AÇÃO
  15. 15. MEIO COLETIVO: Fluoretação das águas O uso do flúor é a MEDIDA MAIS IMPORTANTE na prevenção da cárie dentária desde a introdução da fluoretação das águas em 1940. Seus BENEFÍCIOS podem TRANSCENDER todas as raças, etnias e diferenças socioeconômicas e religiosas 1945 Grand Rapids, no estado do Michigan, EUA, foi a p r i m e i r a c i d a d e n o m u n d o a receber ÁGUA FLUORETADA artificialmente. A medida reduziu em 50% a incidência de cáries.
  16. 16. 1953 Cidade de Baixo Gandu, estado Espírito Santo, Brasil, foi a primeira cidade a fluoretar água. Segundo dados da Sociedade Britânica de Fluoretação, o Brasil é a segunda nação com maior cobertura de flúor na água, depois dos Estados Unidos. Apenas em 1974 a fluoretação se tornaria o b r i g a t ó r i a , através da Lei Federal nº6050, regulamentada pelo Decreto Federal Nº 76.872c e a Portaria GM/MS Nº 635d, vigentes até hoje.
  17. 17. A fluoretação das águas de abastecimento público no Brasil é lei!! “...toda cidade com estação de tratamento de água deve agregar fluoreto na sua água...” (Lei Federal 6.050, de 24/5/74) A importância dessa medida fica clara quando observa-se que a prevalência de cárie é menor em cidades com água fluoretada em comparação com aquelas sem fluoretação. Melhor relação custo-benefício entre todos os métodos preventivos.
  18. 18. Umas das MEDIDAS mais importantes de SAÚDE PÚBLICA do mundo, permitindo maior alcance da população e IGUALDADE SOCIAL em termos de saúde bucal. Universalmente, o teor de flúor aceito nas águas de abastecimento varia de 0,6 a 0,8mg F/L. No Estado do Rio Grande do Sul, pela grande amplitude térmica anual, a Portaria Nº. 10/99 de 16 de Agosto de 1999 determina uma concentração de flúor próxima a 0,8 mg F/L para todo o Estado. Prevenção da cárie dentária
  19. 19. Estudo de Coorte - EpiFloripa Adult Dois acompanhamentos: 2009 e, 2012 Indivíduos que residiam no mesmo endereço: ≤7 anos de idade. Implementação da água em Florianópolis: 1982 e 1996. Acesso ao longo da vida: >75% do tempo de vida, 50% a 75%, e <50%. O acesso à água fluoretada ao longo da vida está associada à experiência de cárie dentária em adultos residentes em Florianópolis?
  20. 20. O acesso ao longo da vida à água fluoretada foi associado com a experiência de cárie. Adultos com ACESSO A ÁGUA FLUORETADA por um l o n g o p e r í o d o tiveram MENOR EXPERIÊNCIA DE CÁRIE e um menor número de cáries dentárias não tratadas.. Indivíduos do grupo 50% a 75% e, do grupo <50% do tempo de vida em área com água fluoretada apresentaram o índice DFT 1,34 e 1,47 maior daqueles que viveram mais de 75% de suas vidas em área com água fluoretada. Foi encontrada uma relação de DOSE-RESPOSTA entre a proporção de acesso a água fluoretada ao longo da vida e índices de cárie dentária, sugerindo a causalidade desta associação.
  21. 21. Uso Individual 1 – Dentifrício Fluoretado DeSoRgAnIzAçÃo biofilme dental + Exposição CONSTANTE ao Flúor 1 dos métodos mais racionais de prevenção das cáries
  22. 22. Dentifrício Fluoretado Aumenta a concentração de flúor na saliva por cerca de 40 minutos após a escovação. 2 mecanismos Interfere no processo de des e remineralização. Nas superfícies dentais limpas pela escovação F reage com o dente, formando regularmente pequena quantidade de fluoreto de cálcio na superfície do esmalte- dentina. Nos residuais de placa não removidos pela escovação F se difunde e se deposita na forma de reservatórios com Ca, orgânico ou mineral.
  23. 23. Fluoreto de sódio (NaF) Monofluorfosfato de sódio (MFP, Na2PO3F) - Ionização em contato com a água. - Não pode ser agregado a dentifrícios contendo Ca como abrasivo (Carbonato de Cálcio). - Agente abrasivo deve ser compatível: como a Sílica. - 1100 ppm F - Ionização pela ação das Fosfatases. - 92% dos dentifrícios brasileiros é formulado com Carbonato de Cálcio como agente abrasivo. - 1500 ppm F
  24. 24. - 70 ensaios clínicos controlados: 42.300 crianças, dos 5 até 16 anos de idade por até um ano. - Rigor metodológico na seleção. - Índice CPOD: dentes permanentes. - Dentifrícios de 250 a 2500 ppm de Flúor.
  25. 25. - Uso regular do dentifrício fluoretado está associado a uma clara e SIGNIFICATIVA REDUÇÃO DA PREVALÊNCIA DE CÁRIE (21% a 28%). - Este efeito foi maior naquelas crianças que apresentaram maior índice de CPOD no baseline. - EFEITO PROTETOR: O aumento da concentração do flúor, o aumento da frequência do uso do dentifrício fluoretado com escovação supervisionada foi associado ao AUMENTO DA FRAÇÃO PREVENTIVA EM RELAÇÃO À CÁRIE DENTÁRIA.
  26. 26. Recomendações: - A escovação com dentifrício fluoretado deve iniciar com o aparecimento do primeiro dente. - Dentifrícios fluoretados a partir de 1100 ppm (MFP apresentam 1500 ppm). - É recomendado a escovação duas vezes por dia, sendo realizada PELOS PAIS até os s e i s a n o s d e i d a d e e, supervisionada a partir de tal.
  27. 27. - Para crianças com até três anos de idade é recomendada a porção semelhante a um grão de arroz cru (0,1 g). - Para crianças acima dos três anos de idade é recomendada a porção semelhante a um grão de ervilha (0,3 g). - Crianças até 3 anos não devem remover o dentifrício com água, e sim expectorar, no intuito de não deglutir a água com flúor.
  28. 28. 2 - Enxaguantes bucais - Soluções fluoretadas para bochecho diário: NaF 0,05% (225 ppm) - Soluções fluoretadas para bochecho semanal NaF 0,2% (900 ppm) Têm comprovada evidência científica de ação anticárie como meio adicional - redução de cárie na ordem de 23% a 30%. Indivíduos que não controlam o processo de cárie, seja devido a uma alta frequência de exposição a carboidratos fermentáveis, pela diminuição do fluxo salivar por medicamentos ou pela dificuldade de remoção do biofilme dental pela instalação de dispositivos ortodônticos, PRECISAM DE MEIOS ADICIONAIS. Indicado para crianças acima dos 6 anos de idade em função do risco de deglutição.
  29. 29. Enxaguante NaF 0,05% - uso diário: bochechar 10 ml de solução, vigorosamente, por um minuto, seguida de expectoração. Enxaguante NaF 0,2% - uso semanal: 2 gramas de fluoreto de sódio em 1 litro de água. Bochechar 10 ml de solução, vigorosamente, por um minuto, seguida de expectoração. Bochechos diários de NaF a 0,05%, em combinação com dentifrícios fluoretados, são recomendados para indivíduos de alto risco de cárie, por exemplo, aqueles usando aparelhos ortodônticos fixos. Ministério da Saúde: 25 bochechos semanais por ano, sem interrupções prolongadas. Protocolo de uso:
  30. 30. Produtos contendo alta concentração de fluoreto. Demonstraram sua eficiência clínica em estudos controlados. Aumentam a concentração de fluoreto na cavidade bucal no momento da aplicação. Formam reservatório de CaF2 que são liberados lentamente na cavidade bucal. Uso Profissional:
  31. 31. 1. Géis e mousses fluoretados: - Fluoreto de sódio a 2% F (NaF 2%) - Fluorfosfato Acidulado a 1,23% F - Possui pH 3 (ácido) – o que favorece a incorporação do Flúor ao esmalte. - Contém 12.300 ppm F - Afeta restaurações de resina composta e porcelana – ácido ataca o elemento de carga da resina composta e provoca opacidade em reabilitações à base de porcelana - PH neutro: 6,8 - Contém: 9.050 ppm F - Menos reativo – forma menos fluoreto de cálcio - maior frequência de aplicações
  32. 32. Indicações: - Crianças com mais de 4 anos de idade – risco de deglutição; - Presença de atividade de cárie e/ou de risco. - Semanalmente: 5 a 6 sessões. Reavaliar risco e atividade de cárie. • Nunca fazer aplicação com o paciente em jejum • Sempre alertar o paciente antes da aplicação para não engolir o produto • Preferência aos géis tixotrópicos – com pressão ficam mais fluídos • Não transfira o produto para recipientes de vidro.
  33. 33. Protocolo de uso: - Paciente sentado (90º); - Secar bem os dentes com jatos de ar; - Utilizar sugador. Aplicação com a Moldeira: - Inserir a moldeira contendo 2,5g de gel (uma colher de chá ou a parte rasa do pote dappen plástico), um arco de cada vez; - Permanecer com a moldeira por 4 minutos, o profissional deve pressionar algumas vezes para que o gel atinja as áreas interproximais; - Remover a moldeira; - Paciente deverá cuspir de 30 segundos a 1 minuto o excesso de gel.
  34. 34. Aplicação com a Escova de dentes: - Escovar os dentes do paciente com flúor gel; - Escovação realizada pelo profissional; - Crianças com atividade de cárie: incorporação do F e desorganização do biofilme dental. - Paciente deverá cuspir de 30 segundos a 1 minuto o excesso de gel.
  35. 35. Embalagem com 10ml + Solvente com 10ml. (álcool etílico) R$ 29,27 Embalagem com 50 sachês, 0,40ml cada. R$ 258,91 Materiais aderentes à superfície dentária com o objetivo de reagir com a superfície dental e manter uma liberação de F para o ambiente bucal por um período maior de tempo. - 22.600 – 23.000 ppm F 2. Vernizes fluoretados:
  36. 36. Indicações: - Crianças até 4 anos de idade – risco de deglutição; - Presença de atividade de cárie e/ou de risco. - 2 a 4 vezes/ano – avaliar individualmente a necessidade. Vantagens: Desvantagens: - Menor desconforto do paciente - Maior aceitação - Maior segurança - Coloração temporária amarelada dos dentes - Custo
  37. 37. - Escovação dentária; - Secagem do elemento dentário com jato de ar e/ou gaze; - Isolamento relativo; - Aplicar uma camada fina do verniz com microbrush ou pincel próprio. - Não é necessário secar ou enxaguar após a aplicação. Protocolo de uso: - Aplicar após refeições; - Não escovar os dentes ou alimentar-se por até 30 minutos.
  38. 38. 3. Materiais liberadores de Flúor: Materiais restauradores para prevenir cárie secundária (ao redor de restaurações), têm sido também utilizados como selantes de fóssulas-fissuras, na colagem de aparelhos ortodônticos fixos e no tratamento paliativo de cárie (Tratamento Restaurador Atraumático). - Cimentos de ionômero de vidro (CIV); - Cimentos de ionômero de vidro modificados por resina (CIVMR). Há indícios de que estes materiais auxiliam, mas ainda não há fortes evidências científicas que comprovem a redução de cáries secundárias com o uso destes materiais.
  39. 39. Em que momento e quais os veículos de flúor indicar?? Identificar os fatores de R I S C O e AT I V I D A D E de cárie. C O M B I N A Ç Ã O : Instruções sobre hábitos alimentares e de higiene bucal, de maneira individualizada - FA M Í L I A
  40. 40. Tratamento odontológico padronizado Tratamento odontológico individualizado risco e atividade de cárie.
  41. 41. 1996 XXVII Encontro do Grupo Brasileiro de Professores de Ortodontia e Odontopediatria Seminário sobre “Parâmetros para avaliação do risco de cárie” O termo RISCO DE CÁRIE – possibilidade que o indivíduo apresenta de adquirir a doença cárie – deveria ser restrita aqueles LIVRES DA DOENÇA, e aqueles indivíduos que possuem lesões, o termo adequado seria atividade de cárie, e não risco. 1997I Encontro Nacional de Odontologia para Bebês Modificação na nomenclatura de risco. Baixo risco: RISCO NÃO IDENTIFICADO Médio e Alto riscos: RISCO IDENTIFICADO
  42. 42. O m é t o d o de estabelecimento do risco deve ser r á p i d o , f á c i l , o b j e t i v o , d e b a i x o c u s t o e deve funcionar como um g u i a para selecionar os procedimentos a serem adotados e para se estabelecer a p e r i o d i c i d a d e d a s c o n s u l t a s de manutenção. S O C I A L CLÍNICO MICROBIOLÓGICO AMBIENTAL
  43. 43. Critériosparaavaliaçãoderiscodecárie
  44. 44. Critériosparaavaliaçãoderiscodecárie - Cada avaliação de risco de cárie é baseada no nível mais alto do indicador de risco assinalado acima. - Um único indicador de risco identificado, em qualquer área, classifica a criança como de risco identificado.
  45. 45. Avaliação de risco N Ã O é um processo estático e pode mudar entre as visitas da criança ao consultório. A avaliação do risco de cárie deve ser feita P A R A T O D O S e reavaliadas P E R I O D I C A M E N T E , Lembrando que...
  46. 46. Avaliação de atividade de cárie... Tem a doença cárie manifestada. O parâmetro mais importante: avaliar a aparência clínica da lesão. Avaliação dos fatores associados à patogênese da doença.
  47. 47. A distinção entre lesões ativas e inativas é muito importante para o clínico Lesão inativa Lesão ativa Nenhum tratamento é necessário para impedir sua progressão Medidas devem ser instituídas para controle da progressão ao invés da desmineralização adicional da lesão. Papel relevante no CONTROLE: remoção mecânica/química da placa (higiene bucal); modificação química da placa (uso de antimicrobianos - clorexidina); composição da dieta; composição e fluxo salivar; USO DO FLÚOR.
  48. 48. PROTOCOLO DO USO DE FLUORETO
  49. 49. A escolha do meio adicional de uso de fluoreto caberá ao profissional, de acordo com sua experiência clínica e conhecimento do comprometimento do paciente com o protocolo escolhido.
  50. 50. Conceito 1. Qualquer F- mantido CONSTANTE no meio ambiente bucal (saliva- biofilme) tem potencial anticárie.
  51. 51. Parte II: Intoxicação por Flúor
  52. 52. Conceito 2. Qualquer F- absorvido pelo organismo e circulando pelo sangue terá potencial de manifestar algum efeito colateral. “O que diferencia o veneno do remédio é a dose”. Paracelsus (1493-1541) Os efeitos colaterais dependem da dose absorvida e do tipo de exposição.
  53. 53. Metabolismo do F- no organismo Ingestão F- pH ácido facilita o transporte do fluoreto, na forma de ácido fluorídrico, através das células da mucosa gástrica. 30 a 45 minutos Pico Plasmático
  54. 54. 1. Para ser absorvido o F- precisa estar solúvel; 2. Absorção pode ser reduzida dependendo do conteúdo gástrico; 3. Qualquer medida voltada a diminuir a absorção do F- deve ser realizada rapidamente. Esse conhecimento é importante, pois...
  55. 55. Intoxicação AGUDA Intoxicação CRÔNICA
  56. 56. Intoxicação AGUDA É aquela devida à ingestão de uma quantidade excessiva de F-, em uma única dose. Anos 90: DPT: 5 mg F-/kg - LIMITE MÁXIMO DE RISCO - 1. Irritação local no trato gastrointestinal – desconforto. 2. Efeito sistêmico das substâncias absorvidas: reação do Flúor com o Cálcio – alteração de reações enzimáticas no organismo.
  57. 57. Pico Plasmático 30 minutos - Dose ingerida e absorvida - Peso do indivíduo - Presença de alimento no estômago - Acidez gástrica α DCL: 32-64 mg F-/Kg - DOSE CERTAMENTE LETAL -
  58. 58. a) Intoxicação aguda LEVE: b) Intoxicação aguda GRAVE: Hipersalivação Poliúria Sudorese Hipocalcemia Hipercalemia Hipotensão arterial Depressão respiratória Convulsão Arritmia cardíaca Coma Óbito Náuseas Vômitos Dor abdominal Diarreia
  59. 59. Em casos de intoxicação.....  Cuidados para desintoxicação como lavagem estomacal com sais de cálcio solúveis.  Induzir o vômito - Magnésio de cálcio;  Ingerir grande quantidade de leite;  Antiácidos, como Hidróxido de alumínio. Encaminhamento para atendimento médico +
  60. 60. Intoxicação CRÔNICA É aquela devida à ingestão CONTÍNUA de Flúor em quantidades menores mas de concentração acima do recomendado.
  61. 61. FLUOROSE
  62. 62. - É o efeito sistêmico da Ingestão crônica de flúor durante o DESENVOLVIMENTO dentário que provoca alterações no processo de mineralização. - Essas alterações se manifestam como mudanças visíveis de OPACIDADE do esmalte. - O grau dessas alterações é função direta da dose de F à que a criança está sujeita (mg F/kg/dia) e do tempo de duração da dose.
  63. 63. A Fluorose pode ocorrer apenas quando os dentes estão e m d e s e n v o l v i m e n t o . O período crítico de exposição a dosagens excessivas de flúor para a dentição é do NASCIMENTO ATÉ OITO ANOS DE IDADE. SEMPRE afeta os dentes homólogos. A primeira manifestação de Fluorose é o aumento na porosidade do esmalte ao longo das estrias de Retzius que resultam na hipomineralização do esmalte pela deposição do FLÚOR.
  64. 64. SBBrasil 2003 - 95,5% Muito leve a leve - 8,5% - Moderada a Severa (n=249) de 34.143 9% Crianças de 12 anos 2010 16% - 98,5% Muito leve a leve - 1,5% - Moderada a Severa (n=108) de 7.232
  65. 65. FLUOROSE
  66. 66. - O impacto da condição no nível individual: anos potenciais de vida perdidos, a extensão de incapacidade, dor e desconforto, o custo do tratamento, e o impacto na família do indivíduo; - O impacto na sociedade: mortalidade, morbidade e custos do tratamento para a sociedade. - Prevalência da condição; - Custo do tratamento para o governo; - O potencial epidêmico. Deve-se considerar a "carga de mortalidade, morbidade e sofrimento causados pela condição"
  67. 67. Qualidade de vida - "a P E R C E P Ç Ã O do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e do sistema de valores nos quais ele vive, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações". Compreende uma representação subjetiva da sensação de bem-estar, é multidimensional e inclui dimensões positivas e negativas.
  68. 68. Dean, em 1934 desenvolveu a primeira classificação de fluorose dentária sendo mais tarde modificada por ele. - A classificação conhecida como Índice de Dean tem sido usada por muitos anos para descrever a fluorose o que permite a comparação com um volume maior de estudos. - Avaliação dos dois dentes mais afetados na arcada dentária. Índice de Dean Recomendado pela OMS
  69. 69. Código 0 - Normal O esmalte apresenta translucidez usual com estrutura semi-vitriforme. A superfície é lisa, polida, cor creme clara.
  70. 70. O esmalte apresenta pequena diferença em relação à translucidez normal, com ocasionais manchas esbranquiçadas. Usar este código quando a classificação “normal” não se justifica. Código 1 - Questionável
  71. 71. Áreas esbranquiçadas, opacas, pequenas manchas espalhadas irregularmente pelo dente, mas envolvendo não mais que 25% da superfície. Inclui opacidades claras com 1mm a 2 mm na ponta das cúspides de molares (picos nevados). Código 1 – Muito leve
  72. 72. Áreas esbranquiçadas, opacas, pequenas manchas espalhadas irregularmente pelo dente, mas envolvendo não mais que 25% da superfície. Inclui opacidades claras com 1mm a 2 mm na ponta das cúspides de molares (picos nevados). Código 2 – Muito leve
  73. 73. A opacidade é mais extensa, mas não envolve mais que 50% da superfície. Código 3 – Leve
  74. 74. A opacidade é mais extensa, mas não envolve mais que 50% da superfície. Código 3 – Leve
  75. 75. Todo o esmalte dentário está afetado e as superfícies sujeitas à atrição mostram-se desgastadas. Pode haver manchas castanhas ou amareladas. Código 4 – Moderada
  76. 76. Código 4 – Moderada Todo o esmalte dentário está afetado e as superfícies sujeitas à atrição mostram-se desgastadas. Pode haver manchas castanhas ou amareladas.
  77. 77. A hipoplasia está generalizada e a própria forma do dente pode ser afetada. O sinal mais evidente é a presença de depressões no esmalte, que parece corroído. Manchas castanhas generalizadas. Código 5 – Severa
  78. 78. Código 5 – Severa/Grave A hipoplasia está generalizada e a própria forma do dente pode ser afetada. O sinal mais evidente é a presença de depressões no esmalte, que parece corroído. Manchas castanhas generalizadas.
  79. 79. Fatores de RISCO - Dosagem de flúor em águas de abastecimento público ??Principal fator de risco: aumento da ingestão média de fluoretos por meio de múltiplas fontes. - Ingestão de água mineral fluoretada engarrafada; - Dentifrício fluoretado; - Suplementos vitamínicos com flúor; - Bebidas ou alimentação infantil em pó contendo fluoretos ≤ 08 anos de idade
  80. 80. Em vários países, o consumo de água da torneira tem diminuído e o consumo de água mineral tem aumentado. O consumo de água mineral engarrafada no Brasil é crescente e contínuo, principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste - Maiores índices de Fluorose. Busca pela água saudável, livre de impurezas para uso diário, em especial para o cuidado das crianças; ou buscam efeitos medicinais benéficos para a saúde e digestão, podendo ser utilizada "in natura" ou no preparo de alimentos, gelo, sucos e bebidas. No entanto, águas minerais podem conter elevados níveis de fluoreto que podem variar entre diferentes garrafas da mesma marca.
  81. 81. Em caso de utilização inadvertida de água altamente mineralizada ou desconhecimento do teor de flúor devido à rotulagem incompleta, pode haver aumento do risco de fluorose e outros problemas de saúde. Ministério da Saúde - Portaria 56 de 14/03/77 Regulamenta o padrão de potabilidade da água no Brasil. Estabelece que o Valor Máximo Permissível para o íon flúor na água potável, é de 0,6 a 1,7 mg/l. Por falta de fiscalização, alguns fabricantes apenas consideram como "fluoretadas" águas que possuem concentrações que promoveriam um efeito cariostático preventivo.
  82. 82. A maioria das águas minerais comercializadas no município de Pelotas apresentam valores inadequados dos níveis de fluoretos e oscilação destes valores no decorrer do tempo, além de não haver correspondência entre o valor indicado no rótulo e o efetivamente encontrado. Apenas uma entre as cinco marcas testadas tendo apresentado valores adequados de fluoreto para obtenção de benefício anticárie e risco mínimo de fluorose.
  83. 83. Fatores de PROTEÇÃO - Sistema integrado de vigilância epidemiológica e sanitária do flúor. - Indicação da dosagem de fluoreto no rótulo de águas minerais e dentro da dosagem recomendada; - Educação dos pais e cuidadores para a quantidade correta de dentifrício fluoretado; - Aleitamento materno por um período maior que seis meses: evita o uso de fórmulas para o aleitamento artificial de produtos com flúor.
  84. 84. O FLÚOR é transportado do plasma para o LEITE em QUANTIDADES PEQUENAS, mesmo quando a mãe possui uma alta ingestão de flúor. Em contraste, as FÓRMULAS de leites COMERCIAIS podem ter um conteúdo altamente VARIÁVEL DE FLÚOR. E, se forem preparadas com água fluoretada, as crianças podem ingerir um a quantidade considerável de flúor.
  85. 85. Conhecimento dos alunos– Indicação na prática clínica Apesar da grande quantidade de informações sobre flúor repassadas no decorrer da matriz curricular, uma EXPRESSIVA PARTE DOS ALUNOS AINDA NÃO SABE EMPREGÁ-LO EM SUA PRÁTICA CLÍNICA e não tem domínio sobre a toxicidade, as concentrações, as indicações e os usos corretos para poder ministrá-lo a cada paciente.
  86. 86. Conhecimento dos Pediatras O conhecimento a respeito da saúde bucal dos médicos pediatras entrevistados não está de acordo com as diretrizes preconizadas pela ABO-Odontopediatria, pela SBP.
  87. 87. Conhecimento dos pais – Uso racional do Flúor Apesar da grande quantidade de informações sobre flúor, os pais não têm o conhecimento adequado das quantidades preconizadas, da importância do acompanhamento odontológico e não há uma conscientização da necessidade da higiene bucal. Os pais têm conhecimentos sobre o flúor e sua finalidade, porém não utilizam a dose recomendada para a idade e não há uma conscientização quanto à motivação para a escolha do dentifrício. Assim, há necessidade de investir em educação a respeito dos dentifrícios para a escolha consciente e o uso adequado.
  88. 88. ÁGUA FLUORETADA e o uso de DENTIFRÍCIO FLUORETADO são as formas mais eficientes e CUSTO-EFETIVAS para a prevenção de cáries.
  89. 89. Aplicação tópica de flúor profissional sozinha não impedirá a progressão da cárie. É preciso EDUCAR. É preciso CONSCIENTIZAR. É preciso MUDAR. É PRECISO modificar os hábitos de higiene bucal.
  90. 90. Avalie as NECESSIDADES INDIVIDUAIS da criança e faça USO RACIONAL do flúor.
  91. 91. E, lembre-se...
  92. 92. Em ODONTOPEDIATRIA, É fundamental que se estabeleça um ELO, um vínculo de CONFIANÇAentre o profissional, a criança e a FAMÍLIA. Integre os pais nesta relação. Oriente. Conscientize.
  93. 93. Contato: MARIANACADEMARTORI@GMAIL.COM Muito obrigada.
  • CamilaPereira252

    Aug. 7, 2021
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  • ProfDrJandersonCastr

    Feb. 20, 2020
  • VanciaSebbenBorges

    Jan. 31, 2020

Palestra, com duração de 4 horas, ministrada na 1ª Semana Acadêmica do Curso de Odontologia no Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo em Outubro de 2016.

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