Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Fundamentos da Didática

Apresentação sobre os fundamentos teóricos da Didática

  • Login to see the comments

Fundamentos da Didática

  1. 1. Fundamentos teóricos da Didática: diferentes abordagens Juliana Zantut Nutti
  2. 2. • A área de Didática, no Brasil, constitui um campo de conhecimentos sobre o ensino. • O objeto de estudo da Didática é o processo de ensino - aprendizagem. Assim, toda proposta didática está impregnada, implícita ou explicitamente, de uma concepção acerca do processo de ensino - aprendizagem. • Didática tradicional • Do séc. 17, com a Didática Magna de Comênio, até o princípio do século 19, as preocupações principais da área da Didática eram as finalidades da educação, do ensino e os conteúdos culturais a serem dominados pelos homens. • Há ênfase no estudo dos métodos e técnicas para ensinar, desvinculado de preocupações com as suas finalidades.
  3. 3. • Abordagem escolanovista • Do séc. 19 até a primeira metade do séc. 20, as preocupações vão se reduzindo ao estudo dos métodos e técnicas para ensinar, desvinculado de preocupações com as suas finalidades, para a construção do saber didático; no ensino, à luz do escolanovismo, há a proposta de substituição dos métodos verbais e intuitivos pelos chamados métodos “ativos”. • Até a década de 50, o ensino de Didática no âmbito acadêmico universitário, no Brasil, privilegia objetivos, temas e procedimentos técnico - metodológicos com inspiração escolanovista, coerentemente com a orientação que predomina no interior do seu processo de desenvolvimento teórico.
  4. 4. • Princípios básicos da Escola Nova, baseados na tendência do “humanismo moderno” • - necessidade de partir dos interesses espontâneos e naturais da criança  paidocentrismo (criança como centro); • - a proposta didática tem como palavras de ordem: atividade, individualização, liberdade e experimentação; • - didática de base psicológica, pois se atribui importância à psicologia evolutiva e da aprendizagem como fundamentos da didática (PIAGET); • - afirma-se a necessidade de “aprender fazendo” e de “aprender a aprender” (John DEWEY); • - enfatiza-se a atenção às diferenças individuais; • - estudam-se métodos e técnicas como: “centros de interesse” (DECROLY), estudo dirigido, unidades didáticas, método de projetos (KILPATRICK), a técnica de fichas didáticas, o contrato de ensino; • - ênfase no “processo” de ensino.
  5. 5. • Abordagem tecnicista • Do início da década de 1950 até aproximadamente o final da década de 1970, as sistematizações e as práticas didáticas apresentam como características principais o privilégio de seu caráter metodológico como conjunto de procedimentos e técnicas de ensino que buscam garantir a eficiência na aprendizagem dos alunos, e a defesa da concepção da neutralidade científica e pedagógica. • A Didática é meramente prescritiva e seu conteúdo se reduz ao âmbito da articulação técnica dos momentos de planejamento, execução e avaliação do processo pedagógico na sala de aula. A disciplina de Didática ensina aos futuros professores técnicas para formular objetivos, elaborar planos e provas, dar uma aula expositiva, conduzir um trabalho de grupo, entre outras. O seu objetivo é o de fornecer subsídios metodológicos ao professor para ensinar bem, sem se perguntar a serviço do que e de quem se ensina. • A defesa da neutralidade científica e pedagógica aparece como princípio geral que atribui organicidade ao conteúdo, aparentemente incoerente, em que os conceitos e os princípios podem ser tratados de forma desvinculada não só das orientações teóricas aos quais se filiam, como também do contexto da formação social brasileira em que são produzidos.
  6. 6. • A Didática, nessa abordagem, está centrada na dimensão técnica do processo de ensino - aprendizagem. A base científica desta perspectiva baseia-se na psicologia behaviorista, da teoria da comunicação e do enfoque sistêmico e se propunha desenvolver uma forma sistemática de planejar o processo de ensino - aprendizagem, baseando-se em conhecimentos científicos e visando a sua produtividade, ou seja, o alcance dos objetivos propostos de forma eficiente e eficaz. • As palavras de ordem para essa abordagem da Didática são: produtividade, eficiência, racionalização, operacionalização e controle. A visão “industrial” penetra o campo educacional e a Didática é concebida como estratégia para o alcance dos “produtos” do processo de ensino - aprendizagem.
  7. 7. • Para essa abordagem, a formulação de objetivos instrucionais, as diferentes taxionomias (BLOOM), a construção dos instrumentos de avaliação, as diferentes técnicas e recursos didáticos, constituem o conteúdo básico dos cursos de Didática. • Metodologias: ensino ou instrução programada, módulos de ensino • Neste enfoque, a dimensão técnica do processo de ensino - aprendizagem é mais acentuada do que na abordagem escolanovista, já que nesta há também uma preocupação com a dimensão humana e os aspectos afetivos na relação professor - aluno. • Na perspectiva da tecnologia educacional, a Didática se centra na organização das condições, no planejamento do ambiente, na elaboração dos materiais instrucionais. • No entanto, apesar de suas diferenças, a abordagem escolanovista e a tecnologia educacional partem do mesmo pressuposto: o silenciar da dimensão político - social.
  8. 8. • Didática fundamental • O momento seguinte vai do final da década de 70 até o início da segunda metade da década de 80. O saber didático caracteriza-se por discutir suas limitações epistemológicas, às quais se juntam as críticas ao seu caráter ideológico e à sua funcionalidade em relação ao papel do ensino e da escola ligada à reprodução das relações sociais de produção e, conseqüentemente, à manutenção do sistema socioeconômico e político brasileiro vigente. • Há a denúncia da falsa neutralidade do técnico e o desvelamento dos reais compromissos político - sociais das afirmações aparentemente “neutras”, a afirmação da impossibilidade de uma prática pedagógica que não seja social e politicamente orientada, de uma forma implícita ou explícita. • As discussões e os encaminhamentos feitos sobre a Didática nesse momento concluem que o grande desafio seria a superação de uma didática exclusivamente instrumental  concebida como um conjunto de conhecimentos técnicos sobre o “como fazer” pedagógico, conhecimentos estes apresentados de forma universal e, conseqüentemente, desvinculados dos problemas relativos ao sentido e aos fins da educação (por quê? e para quê?), dos conteúdos específicos, assim como do contexto sócio - cultural concreto em que foram gerados , e a construção de uma Didática alternativa: a Didática fundamental.
  9. 9. • Principais idéias norteadoras da construção de uma Didática fundamental: • a) a multidimensionalidade do processo de ensino - aprendizagem: é considerada como o ponto de partida de todo o esforço a ser empreendido, e articula as dimensões técnica, humana e política do processo de ensino - aprendizagem; • b) a competência técnica e o compromisso político se exigem mutuamente e se interpenetram, não podendo ser dissociados. A dimensão técnica da prática pedagógica, objeto próprio da Didática, tem que ser pensada à luz de um projeto ético e político - social que a oriente; • c) deve-se partir da problemática educacional concreta, ou seja, da análise da prática pedagógica concreta e de seus determinantes: a natureza do saber escolar, a relação escola - sociedade, a competência do professor e suas dimensões, a neutralidade ou não da ciência e da técnica; a educação escolar das classes populares, o fracasso escolar, a contribuição para a viabilização da aprendizagem dos conteúdos básicos do saber escolar pela maioria da população; • d) preocupação constante com a contextualização da prática pedagógica: a problemática relativa ao ensino de Didática não pode ser dissociada da questão da formação de educadores, a qual se articula com a análise do papel da educação na sociedade. Toda prática educativa é uma prática social, vinculada a um projeto histórico e orientada para a dominação ou para a libertação. Somente a partir de uma visão contextualizada e historicizada da educação é que se pode repensar a Didática e situá-la na perspectiva de transformação social, a partir da construção de um novo modelo de sociedade;
  10. 10. • e) análise das abordagens metodológicas, explicitando os seus pressupostos, o contexto em que foram geradas, a visão de homem, de sociedade, de conhecimento e de educação que veiculam: o conteúdo de Didática envolve diferentes abordagens sem que os pressupostos e implicações de cada uma delas sejam analisados. É importante entrar em contato com as diferentes abordagens e ser capaz de descobrir suas limitações e contribuições, adquirir consciência de que nenhuma teoria esgota a complexidade do real e que o processo de ensino - aprendizagem está em contínua construção; • f) a reflexão didática deve ser elaborada a partir da análise de experiências concretas, procurando- se trabalhar continuamente a relação teoria - prática, que não pode ser entendida de forma dicotômica (dissociativa ou associativa) e sim em uma visão de unidade. • g) a busca de eficiência não é negada, mas repensada quando se parte do compromisso com a transformação social que exige práticas pedagógicas adequadas à maioria da população do país: é preciso rever o que se entende por eficiência, perguntar-se pela razão de ser (por quê?) e a serviço de que (para quê?) e de quem (para quem?) esta eficiência situa-se. A preocupação com a eficiência não deve ser entendida como a utilização de meios e técnicas sofisticadas, ao contrário, deve-se partir de condições reais em que se desenvolve o ensino nas escolas e buscar formas de intervenção simples e viáveis, acompanhada da luta pela melhoria da qualidade das condições de trabalho do profissional de educação.
  11. 11. • Dimensão cultural na prática pedagógica • Hoje se faz cada vez mais urgente a incorporação da dimensão cultural na prática pedagógica, dimensão esta entendida não somente como um determinante macroestrutural, mas também como um elemento construído no interior da escola e no cotidiano escolar. • Considera-se que a abordagem cultural, numa perspectiva sociológica e antropológica, pode enriquecer a reflexão didática e a compreensão da prática pedagógica, apresentando um amplo horizonte para o desenvolvimento da pesquisa e do debate sobre as questões do cotidiano escolar e da formação de professores, especialmente desafiador para a didática.
  12. 12. • Referências • CASTRO, A. D. de & CARVALHO, A. M. P. de. Ensinar a ensinar: didática para a escola fundamental e média. São Paulo: Pioneira, 2001. • CANDAU, V. M. Da didática fundamental ao fundamental da didática. In: ANDRÉ, M. E. D. A.; OLIVEIRA, M. R. N. S. (Orgs.) Alternativas no ensino de didática. Campinas, SP: Papirus, 1997. • _____________. Rumo a uma nova didática. Petrópolis: Vozes, 1989. • _____________ A didática em questão. Petrópolis: Vozes, 1984. • GIMENO SACRISTÁN, J. & PERÉZ GOMÉZ, A. Compreender e transformar o ensino. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. • MIZUKAMI, M. G. N. Ensino: abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.

×