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Acessibilidade Web: Sete Mitos e Um Equívoco

Este artigo é uma sistematização de observações colhidas durante 7 anos de trabalho com Acessibilidade Web. Foram identificadas sete assertivas encontradas muito freqüentemente que são aqui tratadas como mitos. Após algumas considerações sobre o significado da palavra mito e sobre as características do mito contemporâneo, os sete mitos são apresentados. O tema central de cada um deles é desenvolvido sob três aspectos: em primeiro lugar, ele é confrontado com a realidade, que se apresenta muito diferente, o que justifica a sua classificação como mito; em seguida, é revelado o temor oculto que lhe deu origem e que corresponde à verdade do mito; por fim, são apresentados alguns esclarecimentos visando oferecer respostas, não à assertiva tomada no seu sentido literal, mas aos temores subjacentes ao mito. São os seguintes os sete mitos apresentados: I - "Acessibilidade Web é só para deficientes visuais." II - "Na prática, o número de usuários beneficiados com a acessibilidade é relativamente muito pequeno." III - "Fazer um site acessível demora e custa caro." IV - "É melhor fazer uma página especial para os deficientes visuais." V - "Um site acessível a deficientes visuais não é bonito." VI - Vamos por partes: primeiro fazemos o site, depois fazemos acessibilidade." VII - "A gente sabe o que é bom para o usuário." Por fim, é apresentada e analisada uma oitava assertiva,que é considerada como um grande equívoco: “Meu site é direcionado a um público específico; ele não interessa a todos os grupos de usuários.”

Acessibilidade Web: Sete Mitos e Um Equívoco

  1. 1. ACESSIBILIDADE WEB: SETE MITOS E UM EQUÍVOCO Lêda Lucia Spelta (Trabalho inscrito no 1º Encontro Brasileiro de Arquitetura de Informação) http://www.aibrasil.org/encontro/home/
  2. 2. O que é um mito?
  3. 3. O que é um mito? Os mitos são narrativas reproduzidas (imitadas) até se tornarem coletivas. quot;O imitar é congênito no homem ... e os homens se comprazem no Homens iguais e de terno imitado.quot; (Aristóteles)
  4. 4. O que é um mito? ● Os mitos não se baseiam na experiência empírica nem científica, baseiam-se na intuição. ● A intuição encerra sempre uma verdade. ● A verdade do mito não está aparente, precisa ser decifrada. ● A verdade de um mito não é literal, é simbólica. ● Por este motivo muitos o confundem com mentira, ilusão, lenda e fantasia. Eles são exatamente isto, se forem considerados no seu sentido literal.
  5. 5. Os mitos na atualidade. Ao contrário dos mitos gregos ou indígenas, os mitos modernos não se referem à totalidade da existência humana, mas a temas específicos, como a sensualidade, a juventude, o corpo saudável, o poder, etc. Como sua base inconsciente não está na razão e sim na emoção, eles são largamente utilizados na propaganda e na política.
  6. 6. Os mitos na acessibilidade web. No meu trabalho com acessibilidade web, tenho me deparado com mitos que, por não terem suas verdades decifradas, são reproduzidos e compreendidos no seu sentido literal. Um globo terrestre iluminado Eles não aparecem como narrativas de estórias, mas como afirmações pseudocientíficas, que nos confundem.
  7. 7. Mito I. quot;Acessibilidade Web é só para deficientes visuais.quot;
  8. 8. Mito I. Realidade: Pessoas cegas ou com baixa visão não são as únicas que necessitam de acessibilidade. Acessibilidade web é para... ... Quem tem dificuldade para ➔ ver a tela, ➔ usar o mouse, ➔ usar o teclado, ➔ ler um texto, ➔ Ouvir um som, ➔ navegar na João Henriques deficiente motor utilizando internet; o mouse - dificuldades motoras
  9. 9. Mito I. Acessibilidade web é para... ➔ Quem usa um navegador diferente; ➔ Quem usa um equipamento muito antigo; ➔ Quem usa um equipamento muito moderno; ➔ Quem tem uma linha de transmissão muito lenta; ➔ Quem está num ambiente ou situação que limita alguns dos seus sentidos ou movimentos, ou que requer a sua atenção. Enfim, acessibilidade web é para todos!
  10. 10. Mito I. Temor oculto: “Imagina o trabalhão que vai dar, fazer acessibilidade para todo mundo!” Homem desesperado
  11. 11. Mito I. Esclarecimento: Quando seguimos uma diretriz de acessibilidade, estamos atendendo simultaneamente a vários tipos de necessidades. Por exemplo, atender a três tipos de deficiências não significa trabalho triplicado.
  12. 12. Mito 1. O mito na lei O Decreto 5296, estabelece, em seu Artigo 47, que quot;No prazo de até doze meses a contar da data de publicação deste Decreto, será obrigatória a acessibilidade nos portais e sítios eletrônicos da administração pública na rede mundial de computadores (internet), para o uso das pessoas portadoras de deficiência visual, garantindo-lhes o pleno acesso às informações disponíveis.quot;
  13. 13. Mito II. quot;Na prática, o número de usuários beneficiados com a acessibilidade é relativamente muito pequeno.quot;
  14. 14. Mito II. Realidade: Quantos tailandeses você conhece que usam a internet? Será que você poderia concluir, então, que são muito poucos os tailandeses que usam a internet?
  15. 15. Mito II. Temor oculto: “Esse negócio de acessibilidade é muito investimento para pouco retorno.” Homem desconfiado
  16. 16. Mito II. Esclarecimento: Um site acessível: Atinge mais usuários da internet; ➔ Facilita o surgimento de novos usuários; ➔ ➔Aumenta a visibilidade do site para os buscadores web, pois, assim como as pessoas cegas, eles só conseguem ler o que está em texto.
  17. 17. Mito III. quot;Fazer um site acessível demora e custa caro.quot;
  18. 18. Mito III. Realidade: Tais afirmações são feitas sem nenhuma avaliação prévia. Só podemos saber se o tempo e o custo do nosso projeto são adequados, se levarmos em conta os benefícios alcançados.
  19. 19. Mito III. Temor oculto: “Não estarei empregando mal os recursos que tenho, ao fazer acessibilidade? Não vou ficar no prejuízo?” Homem com medo
  20. 20. Mito III. Esclarecimento: Quebrar escadas e banheiros para torná-los acessíveis demanda tempo e custo adicionais; mas permite o acesso por muito mais pessoas. Se o prédio fôr projetado com rampas e banheiros acessíveis, o custo e o tempo de construção não serão maiores por isso. O mesmo acontece com os sites.
  21. 21. Mito IV. quot;É melhor fazer uma página especial para os deficientes visuais.quot;
  22. 22. Mito IV. Realidade: Melhor para quem? ➔ Webdesigners terão trabalho dobrado, na criação e manutenção de duas páginas. ➔ Deficientes visuais ficarão prejudicados, pois a página deles fica sempre desatualizada. Sem falar nas páginas especiais, que já são projetadas com menos funcionalidades. ➔ O site continuará inacessível para todos os outros tipos de deficiências, necessidades ou situações especiais.
  23. 23. Mito IV. Temor oculto: “A gente não vai conseguir fazer uma página acessível, que seja tão bonita e funcional como a nossa.” Cachorrinho um tanto curioso
  24. 24. Mito IV. Esclarecimento: A partir de 1998, com a Section 508 (lei americana de acessibilidade), as grandes empresas de software começaram a investir em acessibilidade. Atualmente, os recursos de acessibilidade disponíveis já nos permitem criar sites bonitos, funcionais e acessíveis. Para se obter um bom resultado, a técnica de acessibilidade, como qualquer outra, precisa
  25. 25. Mito V. quot;Um site acessível a deficientes visuais não é bonito.quot;
  26. 26. Mito V. Realidade: Pessoas cegas não usufruem da maioria dos atributos visuais de um site. Os elementos que tornam um site esteticamente bonito não atrapalham as pessoas cegas: ➔ Se forem criados dentro dos padrões de codificação; ➔ Se seguirem as diretrizes de acessibilidade; ➔ Se a página tiver uma boa arquitetura de informação.
  27. 27. Mito V. Temor oculto: “Só sei fazer sites bonitos usando tecnologias inacessíveis; de fato, não sei exatamente quais são os elementos visuais que atrapalham a acessibilidade. Por isso, quando tenho que fazer um site acessível, faço sempre o arroz com feijão.” Homem envergonhado
  28. 28. Mito V. Esclarecimento: Sites acessíveis a deficientes visuais podem ter imagens, fotos, vídeos, gráficos, etc... Basta observar os padrões de codificação e as diretrizes de acessibilidade; e nenhuma delas proibe essas coisas. Testes com usuários ajudam a desmistificar essa questão.
  29. 29. Mito VI. Vamos por partes: primeiro fazemos o site, depois fazemos acessibilidade.quot;
  30. 30. Mito VI. Realidade: Precisamos priorizar. Inaugurar o prédio com escadas e depois quebrar tudo para colocar rampas não é priorização, é desperdício de tempo e recursos. É isto que acontece com um site, quando deixamos a acessibilidade para depois. Tem que refazer muita coisa que já poderia ter sido feita com acessibilidade, sem custo adicional.
  31. 31. Mito VI. Temor oculto: “Não vamos conseguir fazer um site acessível, com o tempo, os recursos e a equipe que temos.” Homem com falta de tempo
  32. 32. Mito VI. Esclarecimento: Como em qualquer nova tecnologia, o primeiro projeto acessível demanda um tempo e um custo maior, porque precisamos de capacitar a equipe. Isto acontece apenas no primeiro projeto, além de ser um bom investimento em termos de ampliação do público alvo.
  33. 33. Mito VII. quot;A gente sabe o que é bom para o usuário.quot;
  34. 34. Mito VII. Realidade: A gente aprende muito sobre o usuário com a experiência; Mas a gente só aprende tudo sobre o usuário, se fôr o próprio usuário; Ainda assim, agente vai ser apenas um dos vários tipos de usuários; E vai deixar de fora todos os outros grupos.
  35. 35. Mito VII. Temor oculto: “Não quero expor meu projeto às críticas do usuário.” Uma criança assustada em frente a um notebook
  36. 36. Mito VII. Esclarecimento: Quanto mais cedo os usuários participarem do projeto, menos alterações ele precisará depois e mais robusto ele será. Não tenha medo!
  37. 37. Um grande equívoco. Esta assertiva, que não é exatamente um mito nem se refere apenas à acessibilidade, é um pensamento subjacente em quase todos os mitos: “Meu site é direcionado a um público específico; ele não interessa a todos os grupos de usuários.”
  38. 38. Um grande equívoco. “Público específico” refere-se ao conteúdo do site. Ex.: notícias, serviços, tricot, paleontologia. “Grupos de usuários”, utilizado em acessibilidade e usabilidade, refere-se às características de funcionalidade dos usuários, tal como foram descritas no Mito I.
  39. 39. Um grande equívoco. Equívoco: associar grupos de interesses a grupos de funcionalidades. Exemplos: ➔Um homem com baixa visão que entra no site de um fabricante de automóveis, para escolher um modelo para a sua mãe. ➔Uma jóvem surda que entra numa loja virtual de CDs, para escolher um presente para o seu namorado.
  40. 40. Um grande equívoco. Exemplos continuação: ➔ Um menino de 11 anos que entra num site direcionado à terceira idade, para pegar uma informação para a sua avó. ➔ Uma estudante cega que entra numa livraria virtual, para comprar livros que serão escaniados por ela própria e lidos com o seu programa leitor de telas.
  41. 41. Um grande equívoco. Quando restringimos o acesso do site ao que julgamos serem as características do seu público alvo, estamos usando a internet para limitar o nosso público, ao invés de ampliá-lo.
  42. 42. Usuário liga para 0300... Boa tarde, não consigo achar o link do cadastro, poderia me ajudar? - Claro Senhor! Clique na imagem verde com o texto 'cadastre-se' em vermelho. Na terceira coluna à direita, logo abaixo do banner. - Como espera que eu clique sobre uma imagem verde, se eu não posso ver, nem usar o mouse? - Não pode ver? Só falta o senhor falar que é cego e que está acessando um site de comércio eletrônico para comprar uma TV...risos...
  43. 43. Equipe AcessoDigital.net Da esquerda para direita: Horácio Soares, Lêda Spelta, MAQ - Marco Antonio de Queiroz e Bruno Torres.

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